A abstenção elege?

2019 foi ano de eleições legislativas em Portugal e a abstenção bateu recordes.

As eleições deste ano traduziram-se na taxa de abstenção em legislativas mais alta de sempre: 45,5% dos eleitores inscritos não compareceram junto às mesas de voto. Em 2015, este número tinha atingido os 44,4% e, em 2011, ficou nos 41,1%.

Segundo a SGMAI (Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna), registaram-se 131.704 votos brancos (2,51%) e 123.882 votos nulos (2,36%).

Este ano, estavam inscritos 10.810.674 eleitores – cerca de 1,1 milhões acima dos números de 2015, devido ao recenseamento automático no estrangeiro.

Margarida Martins, estudante de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), esteve numa das mesas de voto da sua cidade. Conta que não viu muitos jovens: “Numa cidade pequena como Rio Maior [no distrito de Santarém], conhecemos quase toda a gente da nossa faixa etária. Foram poucos os que passaram pela minha mesa.” Ao longo do dia, foi começando a aperceber-se de que a abstenção poderia ser mais alta do que o que esperava – e foi.

Portugal elegeu três deputados de três partidos novos na Assembleia: do Chega, da Iniciativa Liberal e do Livre. O PS e o PPD/PSD continuaram a liderar a corrida, mas o primeiro lugar do PS não lhe garantiu a maioria absoluta. Apesar disso, dissemos adeus à geringonça. Os socialistas decidiram governar sozinhos. De modo a garantir estabilidade nestes quatro anos, prometem negociar acordos pontuais com os partidos de esquerda.

Em 2023, a população volta a ser convidada a dirigir-se às urnas. Mas parece importante relembrar que a abstenção não elege.

Ilustração de capa por: Maria Kurgy

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