A Europa em 2019: entre ameaças e protestos

Do braço de ferro pelo poder no Parlamento aos gritos pelo clima nas ruas, o Velho Continente teve um ano de muitos destaques. Revemos, então, o que aconteceu à U  nião Europeia (UE) e às suas instituições.

Há anos que a União Europeia ocupa um lugar estranho na opinião pública. Um organismo demasiado complexo para compreender ou sequer discutir. A Comissão, o Conselho, o Parlamento… Um cidadão português, por
exemplo, dificilmente se sente europeu. E a abstenção nacional de quase 70% nas eleições europeias de maio comprovou esse afastamento.

Assim, é normal que o nome de Ursula Von der Leyen, a nova presidente da Comissão Europeia, seja
desconhecida de grande parte dos cidadãos lusos. Mas é o nome que, durante cinco anos, irá comandar o órgão político mais importante da UE. Tem o poder de legislar e de implementaras medidas aprovadas pelo Parlamento Europeu (PE), e representa a UE a nível internacional, estando encarregada de defender os seus interesses.

Ursula assume o cargo numa das alturas mais delicadas da história da UE, com a questão do Brexit a originar um
braço de ferro entre Londres e Bruxelas. A legitimidade da UE é posta em causa como nunca antes foi e o número de vozes antieuropeístas (como Matteo Salvini, em Itália, ou Marine Le Pen, em França) também tem vindo a aumentar.

Para Beatriz Farelo, estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, há um culpado desta conjuntura: os centros. “Na Europa dos populismos,
os centros não são opção, porque têm sido esses centros que, ao darem uma prioridade cega ao liberalismo e ao sistema político atual, fecham os olhos às suas falhas e abrem espaço para o populismo.”

Mas, afinal, o que falta à UE? “Falta democracia, falta responder a várias questões. As pessoas têm de saber que podem acordar no dia seguinte sem ter imigrantes a morrer nas suas costas, que os seus direitos vão ser respeitados, que vão ter segurança no posto de trabalho”, refere Beatriz.

Para personalidade do ano da UE, a estudante não escolhe um político,nem sequer uma figura individual. Para ela, foram os ativistas. Num ano em que Greta Thunberg e o clima estiveram em destaque, a estudante também decidiu destacar outras lutas: “Direitos das mulheres, LGBT, Rojava… tudo”. “Todos os ativistas e todas as ativistas” são, para Beatriz, a personalidade europeia do ano.

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