A experiência dos repórteres políticos

Já passaram três semanas sobre as eleições de 4 de outubro e a incerteza sobre a opção governativa que vai prevalecer continua. Ao mesmo tempo, no horizonte próximo português há, pelo menos, uma outra eleição, a do Presidente da República, prevista para janeiro. Pode ter duas voltas e tem vários candidatos na grelha de partida.

Enquanto se discute quem vai governar Portugal nos próximos tempos, vale analisar o processo eleitoral e o modelo de campanha que tem sido praticado em Portugal. Tratámos de ouvir a opinião de quatro experientes jornalistas: Anabela Neves, jornalista parlamentar da SIC; Eunice Lourenço, chefe de redação da Rádio Renascença; Maria Flor Pedroso, editora política da Antena 1; Jair Rattner, correspondente em Portugal de vários órgãos de comunicação social brasileiros.

Um tema como ponto de partida: as campanhas eleitorais com os candidatos ao longo de duas ou três semanas em carrossel de comícios pelo país, será que isso continua a fazer sentido?

Eunice Lourenço, chefe de redação da Rádio Renascença, entrevistada pelo repórter Ricardo Farinha, entende que é tempo de mudar o modelo.

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Opinião diferente é a de Maria Flor Pedroso. A editora política da Antena 1 participou como jornalista em todas as campanhas eleitorais portuguesas nos últimos 25 anos e diz ao repórter Pedro Lemos que essa peregrinação pelo país é uma boa oportunidade para os políticos terem um retrato do país e para os jornalistas mostrarem esse espelho ao país.

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Em tempos eleitorais ganham destaque nas rádios e nas televisões os programas especiais dedicados à política e, especificamente, à cobertura da campanha eleitoral. Anabela Neves apresenta ao longo de todo o ano os debates parlamentares na SIC e, no período de campanha, dá rosto e voz aos jornais de campanha eleitoral. O repórter Tiago Varzim foi perguntar-lhe como se constrói o estilo de apresentação que ela define como “informalidade séria“.

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E como é o relacionamento entre os políticos e os jornalistas políticos? O repórter Pedro Lemos ouviu a perspetiva de Maria Flor Pedroso e introduz-nos ao percurso da editora política da Antena 1.

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Tantas histórias de tantas eleições em Portugal em 41 anos de democracia e um facto que tem sido constante: o crescimento da abstenção. Começou por ser mínima, apenas 8,3%, nas primeiras eleições livres, as constituintes de 1975.  A abstenção subiu para 16,7% nas eleições legislativas de 1976. Voltou a descer (12,5%) em 1979. Entrou na casa dos 20% na década de 80 (21,4% em 83, 24,6% em 85, 27, 4% em 87). Passou a fasquia dos 30% nos anos 90: (31,8 em 91, 32, 9 em 95,  38,9% em 99). Em 2002 e em 2005, a taxa de abstenção manteve-se entre os 35 e os 38% , mas, desde 2009, está acima dos 40%: 40,3% em 2009, 41,9 em 2011, 47,4% nas eleições europeias de 2013 e, agora, nas legislativas de 4 de outubro de 2015, 43%.

Significará isto que quase metade dos portugueses opta por se abster. Jair Rattner, correspondente brasileiro em Portugal afirma que estes números não são reais e aponta uma explicação, que passa pela conveniência das autarquias, para a persistência de cadernos eleitorais com eleitores-fantasma.

OUVIR:

Em janeiro os eleitores portugueses voltam às urnas, então para a escolha do sucessor de Cavaco Silva na presidência da República. Os cadernos eleitorais serão os mesmos. O tipo de campanha é o que fica para se ver como será.

Reportagem por: Jesus Gonzalez, Oscar Blanco, Pedro Lemos, Tiago Varzim e Ricardo Farinha

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