“A grande dificuldade hoje em dia é transformar o valor social em valor monetário”

O jornalismo é um negócio? A questão foi lançada na segunda sessão do dia, no Centro Cultural de Belém. O debate moderado por Nuno Domingues juntou Helena Garrido, António Carrapatoso, António Costa, José Maria Pimentel e Mário Ramires. Durante 90 minutos, discutiram de que forma os investidores afetam o jornalismo independente.

Como podem sobreviver os jornais? Quais são os objetivos dos investidores? E serão os objetivos dos investidores prejudiciais para liberdade e independências dos jornalistas? Estas são perguntas às quais o painel procurou dar respostas.

A afirmação que titula este artigo foi proferida por Helena Garrido, atual diretora adjunta da RTP. Após uma breve abertura do debate por parte de Nuno Domingues, a jornalista depressa esclareceu que o jornalismo não é nem deve ser um negócio. Para esta, o objetivo de um jornalista é chegar de uma forma independente à verdade e aos factos que são de interesse público. Um jornalista não deve perseguir objetivos monetários.

Helena Garrido (Diogo Ventura/8ª Colina)

Na realidade atual do jornalismo, os órgãos de comunicação social recorrem cada vez mais a investidores. Segundo Helena Garrido, isto poderá tornar-se numa escolha muito difícil se o jornalista se deparar com um conflito entre a sua independência e o objetivo da empresa.

A jornalista confessa ainda que prefere que os investidores tenham objetivos monetários – o importante é que o jornalismo não seja transformado num meio de pressão para atingir outros objetivos que os investidores possam ter.

Problemas que António Carrapatoso, um dos investidores mais visíveis do Observador, não liga ao facto de existirem investidores. “Não há jornalismo verdadeiramente independente. No mínimo temos acionistas.”, afirma. Para este, tudo depende da definição de um negócio, das intenções dos acionistas e as do jornal. Deu o exemplo do jornal online Observador – não é um negócio no sentido de querer apenas lucro, o objetivo é aliar isto a ser o melhor jornal.

António Carrapatoso (Diogo Ventura/8ª Colina)

Mário Ramires, diretor do Sol e do I, interveio com a metáfora do jornalismo: “[o jornalismo] é como a água. Não podemos viver sem informação de qualidade.” Ninguém dá valor ao que é gratuito e não o vai procurar ou querer.

Foram ainda abordados outros temas, como a oferta que existe atualmente. “Os leitores hoje têm mais oportunidades para encontrar boa informação. Podem escolher entre projetos diferentes onde se reveem.”, afirma António Costa, diretor do jornal Eco.

O 8ª Colina está a acompanhar todos os debates sobre o Futuro do Jornalismo, durante os dias 6 e 7 de abril, no CCB.

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