A Impugnação de Donald Trump

Desde 2016 que é difícil chegar ao fim de um ano e não destacar Donald Trump como uma das personalidades de maior impacto. Em 2019, o 8ª Colina não deixou escapar esta figura. A impugnação do Presidente norte-americano é um dos acontecimentos que marcam o fim desta década.

O processo de impugnação de Donald Trump foi iniciado a 24 de setembro de 2019, quando Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, ordenou a investigação da existência de motivos para suprimir o mandato de Trump.

Estas ordens surgiram no seguimento das alegações de que Donald Trump teria recrutado apoio de autoridades ucranianas em troca de um pacote de ajuda militar à Ucrânia, no valor de quase 400 milhões de dólares. Como moeda de troca, o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenskii, teria de investigar Joe Biden (candidato na corrida democrata à Casa Branca) e o seu filho Hunter Biden. Caso Zelenskii não anunciasse em público as investigações, os EUA interromperiam o envio dos 400 milhões de dólares.

Feita a acusação, na primeira fase do inquérito foram ouvidas 15 testemunhas à porta fechada. Porém, o Partido Democrata decidiu iniciar uma segunda fase, abrindo algumas audições ao público.

Depois de três meses de depoimentos, Donald Trump foi formalmente acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso. Na Câmara dos Representantes, a destituição do Presidente norte-americano foi aprovada com 230 votos a favor e 197 contra. Trump, no entanto, permanece no cargo até que o processo seja apreciado pelo Senado.

Donald Trump. ERIK S. LESSER/EPA
ERIK S. LESSER/EPA

No dia 18 de dezembro, Donald Trump tornou-se o terceiro presidente da história americana a ser impugnado, depois Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1999 –  ambos absolvidos pelo Senado.

 

A data para o início do julgamento ainda não está definida, tal como a sua duração, mas é expectável que comece no princípio de janeiro.

Para haver uma condenação, é preciso que esta resulte de uma maioria de dois terços no Senado, ou seja, 67 senadores. O Partido Democrata só tem 47.

 

Assim, a probabilidade de o desfecho deste processo ser o afastamento de Donald Trump é muito reduzida. No entanto, Francisco Libreiro, aluno de Estudos Europeus na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, afirma que, mesmo sem uma condenação, o processo de impugnação pode ser um golpe forte no futuro governativo dos Estados Unidos da América:

 

“Mesmo sendo muito difícil fazer a acusação passar no Senado, acredito que as eleições do próximo ano vão depender da conclusão do impeachment. Ainda que os republicanos saiam a ganhar, uma derrota dos democratas vai conseguir ter, mesmo assim, um forte impacto na mentalidade das pessoas que votarão no próximo ano.”

Ilustração de capa por: João Mateus

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