A maior floresta tropical do mundo em chamas

Em agosto de 2019, o mundo esteve de olhos postos na Amazónia a ser consumida pelas chamas e no céu negro de São Paulo, através das imagens que circularam nos órgãos de comunicação e nas redes sociais.

A destruição causada pelos incêndios deste ano na Amazónia atingiu um nível recorde. Os incêndios, que começaram em janeiro, prolongaram-se até ao começo de setembro, com quase mil focos registados. Mas agosto foi o pior mês desde 2010: arderam mais de 24 mil quilómetros quadrados e registaram-se 52 mil focos de incêndio na área brasileira desta floresta, segundo dados divulgados pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Afinal, porque arde a Amazónia? Mariana Galera Soler, natural de São Paulo e doutoranda em História e Filosofia da Ciência na Universidade de Évora, responde à questão: “Estes incêndios não estão em pontos aleatórios, como se esperaria de fogos naturais, que são raros; estão no arco do desmatamento, uma área historicamente ocupada pelo agronegócio, próxima de áreas urbanas e de reservas indígenas – locais de sabido interesse e exploração.”

Enquanto o povo brasileiro – entre o qual as comunidades indígenas têm sido uma expressiva voz – se preocupa com o futuro da floresta e com a proteção do meio ambiente, Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, mantém um discurso favorável à exploração destas terras em defesa dos grandes produtores rurais e mineiros. As políticas ambientais por ele defendidas revelaram-se, desde cedo, um perigo para a floresta e para os povos que nela habitam, bem como para o clima. “Há um arco de desmatamento que cresce ano após ano e ameaça a vida de milhares de espécies que ali vivem.”, conta Mariana Soler. 

Na primeira semana de agosto de 2019 chega o primeiro alerta do Ministério Público brasileiro para estes “incêndios criminosos”, expressão utilizada pela estudante. “O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão responsável pela preservação do meio ambiente no Brasil, estava num momento absolutamente fragilizado e não tinha pessoal, equipamentos ou verbas para responder à denúncia”, refere Mariana Soler.

A Amazónia, a mais extensa região tropical, que abriga a maior biodiversidade do planeta, produz cerca de 20% do oxigénio do mundo e é extremamente importante para a mitigação do aquecimento global. A estudante brasileira sublinha a urgência da sua proteção: “Não há plano de evacuação da Terra. A perda da biodiversidade é uma perda que não é apenas um problema para biólogos, ativistas ou ecologistas. A Amazónia não é o pulmão do mundo, mas é o coração onde pulsa diversidade, e é fundamental para estabilizar as mudanças climáticas.”

Redatora: Inês Malhado

Foto de capa: Bombeiros de Porto Velho/EPA

 

Gostaste deste artigo? Partilha-o!

Scroll to Top