A saudade de quem fica

Família Teixeira © Ana Filipa Ribeiro

Montijo, nove da noite. Os quatro estão sentados à mesa para jantar e a mãe diz: “Estamos todos, vamos comer”. As gémeas de sete anos exclamam em uníssono: “não, falta o pai”. Há mais de dois anos que é assim na família Teixeira. Lília carrega nos ombros o peso de cuidar sozinha dos três filhos – Soraya e Letícia com sete anos e Ricardo com 13 – enquanto o marido está ausente.

O pai Luís (34 anos) foi para Malawi à procura de dar uma vida melhor à família, e só vem de férias no verão e no natal. Luís Teixeira é agora Encarregado de Ferro e esteve a trabalhar numa fábrica de bebidas, até encontrar trabalho na área. A construção civil em Portugal sofreu uma enorme quebra, muitos ficaram desempregados e foram obrigados a emigrar.

De acordo com o Relatório da Emigração 2013 do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, entre os portugueses emigrados, em 2010/11, para países da OCDE, “mais de metade continua a ter apenas o nível básico de escolaridade (61%)”.

“No decorrer de um processo de emigração, em que um pai ou uma mãe se ausentam por vezes durante meses e anos, necessariamente essa rutura familiar terá um impacto para todos os elementos”, refere Filipa Jardim da Silva, Psicóloga Clínica.  Com isto, qualquer separação entre famílias resulta sempre num choque afetivo para os que partem e para os que ficam. “A nível emocional, a falta que ele fez ao princípio foi enorme, claro, nós já estávamos habituados às nossas rotinas de casal, a chegarmos a casa ao mesmo tempo. Ele dava banho aos miúdos e eu fazia o jantar”, comenta Lília Teixeira. Este desmembramento familiar, com o passar do tempo, acaba por se tornar um hábito. A mãe de família diz que o marido continua a fazer-lhe falta, mas hoje em dia entra em casa, faz as tarefas normais e acaba por estar sempre com a cabeça ocupada.

Adicionado ao facto de estar a criar os filhos sozinha, Lília, de 34 anos, também trabalha como Auxiliar de Ação Educativa num colégio privado. “Chega-se ao fim do dia esgotada, porque há horários e rotinas a cumprir. Ou seja, eu estou a trabalhar mas ao mesmo tempo tenho que pensar que eles vão sair a tal hora e que num dia têm ginástica e no outro futebol; cumprir todos esses horários acaba por criar uma rotina e o fim do dia é esgotante”, desabafa a mãe.

O sorriso que mete na cara todos os dias ao acordar não deixa transparecer aos filhos, amigos e colegas de trabalho, a real falta que o marido lhe faz, pois uma vida a dois, não tem o mesmo peso quando está sozinha: “há muitos dias em que me sinto em baixo, com falta de coragem e com falta de energia, mas no outro dia acordo e penso que temos de voltar à luta outra vez, temos de arregaçar as mangas e continuar, porque eles (filhos) não têm culpa de o nosso país estar nesta crise e de o pai ter que ir para fora”. Para Lília, chegar a casa e não ter ninguém para partilhar o dia de trabalho e os problemas que vão surgindo é o que a faz sentir mais triste e sozinha. “Há certas coisas que ele nem chega a saber porque quando eu lhe conto já não tem a mesma intensidade”.

Nestes casos, a mulher, enquanto pilar essencial da construção da vida emocional e educacional dos filhos, acaba por estar sobrecarregada física e psicologicamente. Por norma, poucos são os momentos que ela tem para si própria mas, no caso desta mulher, a distância do marido, trouxe uma abertura social e pessoal. Quando o marido estava presente, o tempo que ambos tinham livre era passado em família. “Agora, ao sábado à tarde já posso ir beber um café com uma amiga, antes não ia porque ele estava. Por um lado passei a ter mais tempo para mim”, enfatiza Lília.

O preço a pagar pela emigração é elevado, mas a mudança no nível de vida da família, é, sem sombra de dúvida um fator muito importante na altura de tomar a decisão de ir. Há dois anos atrás, a família Teixeira mal sobrevivia com pouco mais de dois ordenados mínimos e tinha de pedir ajuda a amigos e familiares. “Foram tempos muito difíceis”, relembra a mãe. Hoje, ela e o marido já podem dar aos filhos o que eles querem: “quando vou ao supermercado, se eles me pedem um sumo ou umas bolachas mais caras eu já lhes posso comprar”.

“Eu tento que não lhes falte nada, mesmo a nível emocional. Tento acompanhá-los o mais possível para que eles não sintam a perda para eles tão grande (do pai)”. Lília confessa ainda que o marido às vezes não tem noção do trabalho que ela tem, porque pensa que é só chegar a casa, fazer jantar e deitá-los, e as coisas não são bem assim. “Há reuniões escolares, há problemas que surgem na escola e que eu tenho que ir e resolver para eles não sentiram que – a mãe só está a trabalhar e só quer saber do trabalho e que nós andamos aqui ao abandono – e acabo por ter mais responsabilidade para não os fazer sentir assim”.

Depois do jantar toca o telemóvel. A mãe atende e mal começa a falar as crianças já sabem que é o pai que está do outro lado da linha. O aparelho fundamental para encurtar distâncias vai passando de mão em mão conforme se despedem, e, quem ainda não falou, espera irrequietamente para ouvir a voz do pai. Uma vez por semana, a chamada de vídeo através do Skype permite “matar” um pouco as saudades e mostrar que ambas as partes se estão a aguentar: ”eles gostam de o ver (ao pai), mesmo que seja por computador. Uma coisa é eu dizer que ele está bem outra coisa é verem que ele está bem”. Esta alegria temporária por estarem tão perto da figura paternal anima o resto da noite destas crianças.

No entanto, Filipa Silva, Psicóloga Clínica, entende que, em alguns casos, estes “novos contextos familiares geram, muitas vezes, uma sensação de insegurança ou até mesmo de abandono nas crianças, pois a ideia de um pai e de uma mãe cuidadores e protetores na proximidade dá lugar a pais e mães à distância de um ecrã ou de um telefone”.

Apesar de tentar que não falte amor aos filhos, a mãe confessa emocionada que, obviamente o amor do pai é muito importante, e esse não lhes pode dar. Há dias em que as crianças se sentem mais afetadas. No dia do pai, na Páscoa, e principalmente nos aniversários, eles “sentem a falta do pai para chegar a casa, dar um abraço e para lhes cantar os parabéns”, recorda Lília. De uma maneira ou de outra todos os dias eles falam no pai e todos os dias perguntam por ele. “O Ricardo está a entrar na pré-adolescência e se calhar há certas conversas que ele se sentiria mais há vontade para falar com o pai, elas porque são muito agarradas ao Luís”, revela.

“Quando ele cá está há outros sorrisos há outras brincadeiras. Eu acho que principalmente a Letícia tem alturas em que se vai a baixo e sente muito a falta do pai. A Soraya é mais extrovertida, a Letícia é mais fechada nela, tal como o Ricardo”, conta Lília Teixeira. Esta reconhece que, quando o marido se foi embora, o filho mais velho fechou-se e houve uma queda em todos os aspetos, inclusive na escola. “Mas depois estava lá eu para lhe dar o abanãozinho e para lhe dizer que não se podia fechar, porque eu e o pai tivemos que tomar uma opção para podermos comer, e ele aí, aos poucos, voltou ao normal”. Em relação às filhas, “são miúdas bem-dispostas e quanto mais cedo forem para a escola mais satisfeitas ficam”, comenta a mãe.

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O pai e o filho

“Na primeira fase de separação sentiu-se mais a parte da raiva e do silêncio lá na escola, mas depois tive uma reunião com a educadora e ela também ajudou a que ele conseguisse ultrapassar a situação”, revela Paulo Simão, o pai de 37 anos, que ficou em Portugal a cuidar sozinho do Guilherme, que tem cinco anos.

Sílvia Simão, 39 anos, é Engenheira Civil e há dois anos e meio emigrou para Cabo Verde onde assume o cargo de Diretora Executiva. “Fomos os dois convidados ao mesmo tempo para ir cada um para um país, no meu caso era para Malawi, ela para Cabo Verde, e optamos por ser mais vantajoso para o casal ser ela a ir”, informa Paulo.

O Reino Unido, a Suíça e a Alemanha são os principais países escolhidos pelos portugueses na hora de emigrar, segundo o Relatório Estatístico de 2014 – Emigração Portuguesa do Observatório da Emigração e Rede Migra. Ainda assim, os países não pertencentes à União Europeia vão sendo, cada vez mais, opção de destino.

Sílvia gere as visitas à família em função do tempo que tem, vindo a Portugal pelo menos quatro vezes por ano. Mas pai e filho também visitam Sílvia. “Temos ido várias vezes a Cabo Verde, ele (filho) adora lá ir. Não sente qualquer diferença de cor de pele, a nível de língua, de costumes, ele adapta-se muito facilmente, interage com as pessoas de cor e então tem sido fácil para ele”.

“Envolver as crianças e jovens na decisão de emigração é essencial, dando-lhes informações sobre o novo local, mostrando-lhes fotos, praticando a língua. Quanto mais envolvidas as crianças estiverem e quanto mais calma sentirem dos pais para as confortarem e lidarem com as suas oscilações de humor, melhor lidarão com as mudanças na estrutura familiar”, afirma a Psicóloga Clínica.

O Guilherme sente mais falta “do carinho da mãe, do acompanhamento diário, da presença dela, não é filhote?” pergunta carinhosamente ao filho. O Guilherme está silenciosamente entretido, é um menino muito calminho, diz o pai. Paulo afirma que a escola (particular) tem tido um papel importante na educação do filho: “temos uns laços muito fortes com as educadoras, temos uma confiança extraordinária, (…) há uma estabilidade e não lhes falta nada”.

Na sala do Guilherme existem muitas situações como a dele, e a escola faz atividades para incentivar os pais, que estão fora, a intervir mais na vida escolar dos filhos. “Ainda há pouco tempo, os pais que estavam ausentes escreveram-lhes uma carta e o carteiro foi lá levar-lhes e foi lida pela educadora. Para o meu filho, receber uma carta da mãe que está em Cabo Verde, com selo de lá, é uma coisa fora do normal e ele ficou muito emocionado com isso”, explica o pai enquanto o filho se recorda da situação com um sorriso no rosto.

Paulo confessa que vive em função do filhote e que o tempo que tem para si próprio é pouco ou nenhum. O Técnico de Obra e de Qualidade abdicou um pouco da parte profissional em prol do filho, para estar mais tempo com ele na escola. “Qualquer atividade em que estejam os pais eu estou lá sempre, festas, estou lá sempre. Fui com o projeto da associação de pais para a frente para estar mais perto da escola, para ele sentir que eu estou lá e não sentir tanto o afastamento da mãe”, comenta.

Depois da partida da mulher, Paulo passou a ter mais responsabilidades porque é ele que tem que pensar em tudo. Todos os dias, às 17h00 sai do trabalho – ainda que às vezes esteja em reunião com um cliente – para ir buscar o filho à escola. Depois chega a casa, dá banho ao filho, dá-lhe o jantar e poe-o a dormir. Mas a noite não termina assim: “tenho de pensar o que é que o Guilherme vai fazer no dia seguinte para organizar toda a logística”, relembra.

Para este pai, ficar sozinho com o filho “é um projeto aliciante por um lado, por outro, requer muito da pessoa, é uma responsabilidade muito grande na educação”. Acrescenta ainda: “às vezes sinto que lhe podia dar mais, (…) mas julgo que está a ser um desafio muito interessante. Estou a ver o Guilherme a crescer”.

Não obstante, não é fácil lidar com a pressão física e psicológica que tal obrigação acarreta. Paulo sentiu uma mudança emocional, resultante da partida da mulher e teve também “alguns problemas de saúde derivados da falta de descanso”.

Estar tanto tempo sem a companheira “é difícil, por várias razões. A primeira é pela ajuda, depois pelo sentimento, por falta de uma confidente. Mesmo a título da educação do Guilherme é muito difícil. Nunca pensei que fosse tão difícil”, admite com clara emoção na voz. E também para a esposa é “muito complicado estar longe do marido e do filho”.

Para Filipa Silva, “a relação com as figuras cuidadoras nos primeiros anos de vida tem um grande impacto na forma como a estrutura de personalidade da criança, futuro adolescente e adulto, se irá moldar”. Mas em relação ao futuro, Paulo crê que a ausência da figura maternal não vai trazer consequências negativas para vida do filho: “Ele vai-se lembrar que a mãe esteve afastada mas vai ultrapassar e vai olhar para a vida de outra forma, vai ter outras noções da vida. Não sei se o nosso país vai dar a volta, mas se não der, ele se calhar vai pensar em emigrar”.

“Sacrifiquei a minha carreira em prol da família”

Gina Donga, a mãe de 39 anos que ficou em Portugal com o filho acredita que, “queiramos ou não, por muito que tentemos compensar, falta sempre ali a estabilidade emocional na vida da criança, (…) até lhe pode causar uma sensação talvez de desapego no futuro, e que cresça mais desapegado (do pai), por isso se calhar se um dia chegar à vez dele vai achar que é normal” que um pai não esteja presente.

A mãe Gina está desempregada, deixou o trabalho por uma questão familiar, para ter mais tempo para o filho. “Sacrifiquei a minha carreira em prol da família, achei que nesta altura seria melhor ter a mãe mais presente, já que o pai não está”, sublinha. Gina diz que se sente muito sozinha com a ausência do marido, porque não tem ninguém com quem desabafar, para contar as coisas boas e as coisas más. “Chega a noite, deito o menino cedo e depois falta aquela pessoa ali ao lado”.

O marido, Markus Laahanen, 40 anos, é Diretor Geral no ramo hoteleiro. Mudou-se para Espanha por oportunidade de trabalho, mas já exerceu funções em outros países onde viveu com a mulher e com o filho. O INE distingue duas formas de emigração: a temporária (as pessoas cuja intenção é ir por menos de um ano) e a permanente (quando saem com a ideia de ficar pelo menos um ano fora). Esta soma, resulta em mais de 128 mil portugueses emigrados em 2013. Segundo dados deste Instituto, a maior parte dos emigrantes tem entre 20 e 44 anos.

“Somos mãe, somos pai e é impossível fazer uma vida normal porque não temos mais ninguém com quem contar e acabamos por nos privar de muita coisa, pela criança”, comenta Gina Donga. O tempo que o filho Daniel passa na escola, permite a esta mãe ter tempo para ela própria. Ainda assim, Gina não esconde a frustração e a tristeza que às vezes sente por ser ela para tudo. “Eu no fundo não posso sequer estar doente, porque estou sozinha com ele. Sou eu que me tenho que levantar seja a que horas for, de dia ou de noite, para cuidar dele. Tenho que colocá-lo sempre à frente”.

Gina diz que é também nela que a criança descarrega todas as emoções. “Eu costumo dizer que sou o saco de pancada também porque se ele vem mais frustrado da escola é em mim que ele vai descarregar porque não lá está mais ninguém”.

O Daniel é um menino muito apegado ao pai e sente muito a falta da companhia dele, das brincadeiras que só pode ter com o pai. “É o passear, o andar de bicicleta, o jogar à bola”, confessa a mãe. Markus visita a família todos os meses, e sempre que tem de partir o filho reage de forma negativa: “quando o pai cá está ao fim de semana, e depois se vai embora, eu já sei que nessa semana vão haver problemas na escola. O primeiro dia corre bem, a partir daí, quando chego à escola para o ir buscar há sempre um recado que o Daniel se portou mal ou que gritou, ou que bateu noutro menino; é sempre”, conta Gina Donga.

A mãe acrescenta ainda que quando o marido os vem visitar, e é ela a levar o Daniel à escola, o filho pergunta sempre: “É hoje que o papá vai embora? Quando eu chegar a casa o papá vai estar?”. Como nota a psicóloga Filipa Silva, “de uma forma geral podem surgir preocupações em torno da segurança dos pais, acerca do regresso ou não dos progenitores, acerca do amor que os pais têm por si, da responsabilidade que tiveram na decisão de emigração”.

O Skype e o telemóvel têm ajudado a minimizar o impacto da ausência de Markus Laahanen, mas a revolta da criança também se faz sentir algumas vezes nos momentos em que se veem e/ou ouvem. “Ainda há fases em que ele se recusa a falar com o pai, pela sensação de frustração e negação e eu ando com o computador atrás dele e ele esconde-se mesmo debaixo da mesa ou sai da sala e diz mesmo, não quero falar com o papá”. Para Dina, esta é a forma que o filho usa para expressar o que sente.

Na escola, em dias de atividades vocacionadas para as crianças ou para os pais, a mãe de Daniel comove-se mais, porque é nessas alturas que nota que o filho fica triste por o pai não estar presente, enquanto os pais dos outros meninos estão. “Ele já é o primeiro a dizer: já sei que o papá não vem porque está a trabalhar”. Quando Gina entra na sala, o filho “está sempre à espera que venha o pai, apesar de saber que não vem, há sempre aquela expetativa”, conta, com tristeza no rosto.

Tentar dar o máximo de amor, carinho e apoio é a forma que esta mãe utiliza para compensar a falta que o pai faz ao filho. “Mas, por vezes, quando o Daniel está triste tenho a tendência de levá-lo a dar um passeio, de lhe comprar o brinquedo que ele quer. Já que falta tanto do lado emocional, compenso com o material, que nem sempre está correto”, admite.

Apesar de às vezes “não ter vontade” devido ao peso emocional que carrega, tenta estar sempre presente para o filho. “Digo-lhe sempre: qualquer coisa que precises eu sou a tua melhor amiga, apesar do papá não estar, se quiseres falar com ele, podes sempre falar a qualquer altura”. E segundo ela, isso já aconteceu: “ele disse que queria falar com o papá, eu agarrei no telefone e disse (ao marido), o Daniel quer falar contigo. Então eles conversam um bocadinho e ele já fica melhor”.

Segundo a psicóloga Filipa Silva, o desenvolvimento saudável da criança vai depender da qualidade dos laços que tem com o familiar que fica como cuidador, e da capacidade deste não tentar substituir o pai, tendo o papel de figura presente, fornecedora de afeto e segurança e de fomentar a relação à distância com o progenitor emigrado. “A mim não me compete nem eu o faria, nunca o vou tentar substituir, porque é o pai que eles têm. Não vale a pena tentarmos fazer aquilo que nunca vamos conseguir, que é substituir o amor de alguém, e alguém tão importante na nossa vida como é o nosso pai”, conclui Lília Teixeira.

Texto e fotos: Ana Filipa Ribeiro

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