Alexandre Quintanilha, um cientista no parlamento

Nasceu em agosto de 1945, em Lourenço Marques, antiga capital moçambicana. Licenciou-se em Física Teórica e doutorou-se em Física do Estado Sólido na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, na África do Sul, e mais tarde em Biologia, em Berkeley, na Califórnia. Durante 20 anos dirigiu o Centro de Estudos Ambientais na Universidade de Berkeley, um farol académico nos Estados Unidos.

Viveu em San Francisco o tempo da grande contestação académica à guerra do Vietname, por entre uma beat generation que se alucinava em trips com LSD e que sofreu o choque das primeiras infeções com o vírus da SIDA.

Quando estava à beira dos 45 anos, em 1990, mudou-se para Portugal, onde foi convidado a ser professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e Diretor do Centro de Citologia Experimental, no Porto. Tornou-se de imediato uma referência para todos os alunos.

Em julho passado, a um mês dos 70 anos de vida, Alexandre Quintanilha deu a sua última aula formal na Universidade do Porto. Perante uma plateia de alunos e figuras académicas que não cabiam nas duas salas (o salão nobre estava à cunha e no segundo espaço só foi possível assistir através de um ecrã), Alexandre Quintanilha, escolheu deixar uma mensagem principal para os jovens, que considera terem pela frente um caminho cheio de desafios: “Hoje em dia, ainda só se sabe em que consiste 5% do universo. Tudo o resto é matéria escura, mas com razão, porque estamos todos às escuras”. E avisou: “Temos de treinar e criar jovens que tenham capacidade de se adaptarem àquilo que possa ser o futuro, os empregos de hoje não vão ser os empregos de amanhã”. A sua última aula acabou com o salão nobre e a sala anexa a aplaudir em pé, com emoção.

Três meses depois, a 4 de outubro, Alexandre Quintanilha foi eleito deputado à Assembleia da República, colocado em primeiro lugar na lista do Partido Socialista (PS) pelo Porto. Foi no parlamento que Alexandre Quintanilha recebeu o repórter João Francisco Gomes, para falarem da experiência de um cientista nos bastidores da política, do que o ano 2015 trouxe à Ciência e das ambições para o tempo que aí vem.

PARA OUVIR A ENTREVISTA CLICAR EM CADA UMA DAS FAIXAS A SEGUIR:

 

 

 

 

Entrevista por João Francisco Gomes

Fotografia cedida pela Universidade do Porto

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