Alice Vieira: “Gosto muito do contacto com as pessoas”

A visita à Feira do Livro em Lisboa já não é novidade para uma das mais importantes escritoras portuguesas infantojuvenis. Alice Vieira lembra os tempos em que o evento passou por lugares emblemáticos da cidade para mostrar há quantos anos o acompanha. “Ainda a Feira do Livro não era no Parque Eduardo VII, já eu a visitava!”

Enquanto autografa livros no pavilhão do grupo editorial Leya, Alice Vieira conversa com o 8.ª Colina. Em 2020, devido à situação pandémica, foi uma das poucas vezes que a autora não esteve presente na feira. “O ano passado fiquei muito infeliz por não ter vindo.” Admite que a admiração pelo evento explica-se, principalmente, pela oportunidade de poder conversar com aqueles que leem as suas obras: “Gosto muito do contacto com as pessoas. Às vezes, os miúdos mais pequenos também vêm falar comigo. Isso é muito engraçado.” Em tom de brincadeira, acrescenta: “Também gosto de vender uns livritos, como é evidente!”

Nesta 91.ª edição, Alice Vieira observa com grande entusiasmo a adesão dos leitores. “Não sei se foi devido ao confinamento, mas têm muito mais interesse em vir cá,  e comprar livros”. Contente com os resultados deste ano, não deixa de referir o ambiente que se vive no Parque – pelo menos, durante a hora em que aqui está: “Creio que a feira é importante para toda a gente. É sempre uma festa ver estas pessoas todas.”

Mariana, a personagem que Alice Vieira levaria a passear pela Feira do Livro

Fora do horário de trabalho que tem na feira, Alice Vieira diz gostar de dar a volta do costume. Se pudesse escolher uma personagem para a acompanhar nesse passeio, escolheria Mariana, a   dos seus três primeiros livros – Rosa, Minha Irmã Rosa, Lote 12, 2º Frente e Chocolate à Chuva. “Ela gostava muito de ler. A esta hora, já deve estar com 40 anos, mas tudo bem”, afirma.

“Cheira bem, cheira a Feira do Livro” – Que livro sugere Alice Vieira?

Desde o final da década de 70 que a escritora tem vindo a publicar regularmente. Em 40 anos de carreira literária, Alice Vieira conta com mais de 80 títulos da autoria. São várias as obras destacadas pelo Plano Nacional de Leitura “Ler+”. Na mesa onde se encontra ocupada a autografar as histórias que encantam crianças e jovens de todas idades, estão expostas as novidades deste ano: Diário de uma Avó e de um Neto Confinados em Casa – escrita em conjunto com Nélson Mateus – e O Anjo com Barbas – uma nova peça de teatro.

Aos leitores do 8.ª Colina, sugere um livro com o qual ganhou reconhecimento internacional: Se Perguntarem por Mim Digam que Voei. O romance juvenil em torno das vidas de várias mulheres entre o fim da adolescência e o começo da idade adulta foi publicado em 1997 e, desde então, já chegou a uma sétima edição. “Foi considerado por uma agência americana um dos livros mais populares. Eu nem sabia que era tão popular.”, explica.

Alice Vieira conta que é habitual basear-se em familiares para criar as personagens das suas histórias, mas este livro distingue-se por uma razão: “É o único no qual uma das personagens mantém o seu nome. Não podia ter outro nome. Chama-se Joana Ofélia e continua a ser Joana Ofélia.”

A escritora partilha um pouco sobre o processo criativo por detrás deste livro. “Se está publicado, é porque gostei dele e porque não consegui fazer melhor. Quando tenho alguma dúvida, deito o livro todo fora. Já deitei três livros inteiros fora. Dessa vez não aconteceu, mas tem de estar mesmo como eu quero”, conclui.

Reportagem de Constança Vilela e Inês Alegria, com edição de Joana Margarida Fialho

Fotografias por João Cília, com edição de Joana Melo

Revisto por Andreia Custódio

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