As consultas de psicologia do IPL

O ingresso no ensino superior é para todos os alunos, sem exceção, uma altura de superação de obstáculos, de crescimento pessoal e de evolução intelectual. Para aqueles que escolhem estudar fora da zona de residência, o desafio é ainda maior: é preciso aprender a viver sozinho.

Cozinhar, limpar ou fazer as compras para a casa são tarefas que começam a estar, pela primeira vez, na lista de afazeres destes alunos. Para muitos, os três anos de licenciatura são o melhor período da vida de um estudante. Contudo, existem casos em que as dificuldades ultrapassam a diversão, e a alegria é transformada em preocupação. Para ajudar nestas situações, o Instituto Politécnico de Lisboa criou a possibilidade de qualquer aluno pertencente à instituição aceder a consultas de psicologia grátis.

As consultas têm lugar no campus de Benfica, às quartas, quintas e sextas, das 10h às 17h, com pausa para almoço das 12h às 14h. Lá é possível encontrar o Dr. Artur Pinto, com quem o 8ª Colina esteve à conversa para tentar perceber quais são as maiores preocupações dos alunos universitários.

(DIOGO VENTURA/8ª COLINA)

1 - Qual era o objetivo das consultas quando foram criadas?

Trabalho aqui desde 1989, a dar estas consultas, mas elas já existiam antes. Não sei ao certo quando começaram, mas já foi há muito tempo. O objetivo é ajudar os alunos a integrarem-se melhor e a potenciar as suas próprias competências. Qualquer aluno do IPL tem direito a estas consultas de uma forma gratuita. Para isso, os alunos só têm de enviar email para gab.psicologia@sas.ipl.pt, para fazer o agendamento da consulta, consoante a disponibilidade. Ao longo dos anos temos tido muita adesão por parte dos alunos, apesar de não conseguir dizer números exatos.

2 - Quais os problemas que, de uma forma geral, mais afetam os alunos?

Existem muitas razões pelas quais os alunos nos procuram. Os psicólogos que trabalham na área do ensino superior dão muita importância aos índices de autonomia, de maturidade e de controlo emocional. Essas são as três vertentes mais gerais, mas também fazemos testes para determinar qual o perfil de cada aluno e qual o seu histórico pessoal, de modo a fazer o devido acompanhamento. Contudo, aqui não se receitam quaisquer tipos de medicamentos. Fazemos apenas o acompanhamento da pessoa.

De uma forma geral, são os problemas de adaptação os que mais afetam os alunos. Tanto para aqueles que se veem agora deslocados da sua área de residência, como para aqueles que já vivem perto de Lisboa. Esses problemas têm de ser corrigidos e a pessoa tem de ser readaptada. Há também muita frustração com as notas e dúvidas sobre o percurso que se está a traçar. Por outro lado, aqui aparecem também históricos pessoais com os quais é muito difícil lidar. Cada caso é um caso distinto.

3 - O modo como o sistema de ensino superior está construído tende a potenciar esse género de problemas?

Não. De uma forma ou de outra, iriam sempre existir reações mais negativas. Somos postos à prova diariamente durante a licenciatura, não só pela forma como nos ensinam, como também pela forma como nos adaptamos. Haverá sempre aspetos mais negativos, com os quais não concordamos, mas temos de aprender a lidar com eles. A nossa capacidade de resistência é testada, e temos de conseguir progredir nestas condições. O conselho que posso dar àqueles que estão particularmente stressados é o de não desistir, nunca. Para quem se encontra no primeiro ano, acho que é muito cedo para abdicar do sonho. Vale a pena persistirem mais um pouco naquilo de que gostam. Se estão no terceiro ano, então já é muito tarde para desesperar. Estão demasiado perto da meta final para desistirem.

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