As soluções de José Gomes Ferreira

Modesto, José Gomes Ferreira relativiza a importância do livro, que publicou em 2013, e destaca a importância das pessoas e dos problemas do País. Reconhece que os interesses partidários têm vindo a ofuscar os interesses das pessoas, mas não são só os políticos os culpados, já que todos somos “espectadores comprometidos” e “temos a possibilidade de fazer chegar a nossa voz a muitos lados”, sublinhou o jornalista de economia, na apresentação que fez na Escola Superior de Comunicação Social, na passada segunda-feira.

Depois de fazer uma espécie de sinopse do livro “O Meu Programa de Governo”, evidenciando a falta de confiança que marcou o início da escrita desta obra e reforçando a ideia de que devemos ser críticos em relação às mensagens políticas, económicas e financeiras que nos chegam através dos meios de comunicação social, o jornalista da SIC introduziu os temas que realmente criam dúvidas na mente dos portugueses.

A culpabilidade do Governo em relação ao estado em que se encontra Portugal, as soluções, o euro, o lugar que os alemães ocupam na situação agravada do País e ainda os riscos de exercer jornalismo económico foram os principais assuntos que José Gomes Ferreira destacou, pondo termo a algumas ideias feitas (e erradas, na sua opinião).

O livro aponta oito questões, mais precisamente oito problemas para os quais José Gomes Ferreira apresenta soluções. “Boa parte deles continua por resolver, outros já estão encaminhados e outros foram mal resolvidos”, diz o jornalista, que considera mediatista a ideia de que é o Governo atual que está a “dar cabo” disto. Para José Gomes Ferreira, foi “um somatório de decisões coletivas” de governos anteriores que conduziu Portugal a esta situação de endividamento e dependência internacional. Um conjunto de más decisões de governação e más perceções da realidade económica, financeira e social portuguesa justifica agora a função de “administradores sociais” que os governantes desempenham, ou seja, aos membros do Governo restou tentar resolver os problemas do País. Seguro de que os problemas decorrem exclusivamente das opções políticas, e não do modelo económico, o comentador da SIC defende que a culpa não deve ser atribuída a terceiros e relativiza a relação portuguesa com os alemães – “A Merkel não teve culpa”, diz o jornalista –, reforçando a ideia de que é normal pedirem-nos algo em troca quando nos ajudam. Por isso, José Gomes Ferreira defende ainda: “não devemos bater o pé. Temos de ser disciplinados.”.

Aproveitando a plateia numerosa, composta por estudantes de jornalismo, José Gomes Ferreira destacou o papel essencial dos profissionais da comunicação, que devem sempre promover a discussão sobre as falhas do Governo. Mas a interpretação dos acontecimentos está do lado da audiência, que deve ter um olhar crítico em relação a tudo o que vê e encarar a mesma realidade de várias perspetivas. “Catalogar informação afunila o nosso pensamento”, acrescenta o jornalista, que lamenta que a realidade do País seja sempre analisada partidária e politicamente.

Assumindo que ainda há políticos competentes e “soluções em todas as matrizes partidárias”, José Gomes Ferreira não tem dúvidas de que há soluções para a situação em que estamos e defende que “há um caminho que passa por todos nós”, apelando assim ao envolvimento dos portugueses, que devem pensar “fora da caixa” e seguir exemplos como o dos brasileiros. “As populações finalmente começaram a acordar para estas coisas”, acrescenta o jornalista, que vê o futuro com esperança.

O livro de José Gomes Ferreira vai na sétima edição
O livro de José Gomes Ferreira vai na sétima edição

Texto e foto: Ana Rita Caldeira

 

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