“Até que enfim!”. Capitão Fausto em Torres Vedras

“Até que enfim!” não é apenas o nome da digressão dos Capitão Fausto, que terminou dia 23 de fevereiro, na Bang Venue. Este nome surge como a interjeição de todos os que já estavam ansiosamente à espera do regresso de uma digressão e, especialmente, de canções novas.

Todos os sete clubes contaram com casa cheia para ver Capitão Fausto (Tiago Filipe/8ª Colina)

Impossível era não criar quaisquer expetativas sobre o concerto que encerrou esta digressão. E foi bastante evidente que ninguém saiu de coração partido. No fundo, os Capitão Fausto fizeram-nos a vontade assim que deram início a esta grande final ao tocarem “Faço as Vontades”, um dos temas lançados mais recentemente.

“Sempre Bem”, um dos outros temas recentes, surgiu também no início do concerto, mas desta vez com uma convidada especial nos assobios – Célia, uma pessoa que é muito querida para os músicos (Tiago Filipe/8ª Colina)

Já todos esperavam que estas novas canções, mesmo que tenham sido lançadas muito recentemente, fossem cantadas com a mesma paixão e comoção que quaisquer outras. É essa emoção e o ambiente sempre tão caloroso transmitido pelos artistas que tornam qualquer concerto desta banda numa experiência tão única.

“Gazela”, o álbum de estreia da banda composta por Tomás, Salvador, Francisco, Manuel e Domingos, foi lançado em 2011 (Tiago Filipe/8ª Colina)

O foco foi bem distribuído por toda a discografia editada até à data. Foram apresentadas novas músicas, que nos esperam assim que o novo álbum, “A Invenção do Dia Claro”, for lançado, assim como outras que, mesmo já antigas, se parecem sempre renovar.

O nome do novo álbum originou da paixão de Tomás Wallenstein pelos poemas de Almada Negreiros (Tiago Filipe/8ª Colina)

Ao fim de sete salas esgotadas, Domingos Coimbra, baixista da banda faz um balanço “bastante positivo” destes concertos, porque sente que “as pessoas se divertiram muito” e que “a malta gostou das músicas novas.”

Esta banda, ao lançar cada música e cada álbum, impõe-se ainda melhor como uma das mais originais e criativas propostas do nosso país (Tiago Filipe/8ª Colina)

Quando confrontado com a razão para o nome “A Invenção do Dia Claro”, Domingos confirma que o nome surge do título homónimo do livro de Almada Negreiros. “O Tomás [vocalista] gosta muito do livro de poemas. Há alguma correlação entre aquilo que ele escreve e os poemas do Almada Negreiros e pareceu-nos bem. Depois também gostámos de fazer uma abordagem um bocadinho mais modernista na capa. Acho que foi um feliz acaso.”

A banda esteve em São Paulo, no Brasil, a gravar o seu quarto álbum de originais que promete alguma influência pelo espírito paulista (Tiago Filipe/8ª Colina)

Muito resumidamente, contou-se com 17 músicas cheias de boa energia, carinho e dedicação não só por parte do público, mas também por parte dos Capitão Fausto. Depois de se terem ausentado do palco no fim dessas melodias, a banda regressou para voltar a abraçar o seu público com um de três canções, que deixaram saudade assim que terminaram.

O último álbum, “Capitão Fausto Têm os Dias Contados”, saiu em 2016 (Tiago Filipe/8ª Colina)

“Nostalgia” e “ânsia” são duas das palavras que descrevem a saída da naquele dia. A 15 de março, o álbum “A Invenção do Dia Claro” estará disponível. Nesse dia volta-se a dizer “Até que enfim!”.

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