Bairro a Bairro – Sete Rios

Sete rios, sete marcos históricos

“No centro do mundo, nasceu uma árvore. Sete Rios ergueram-se nos seus ramos gotejantes para convocarem o nome do lugar. E a sua farpa de aço elevou-se sobre o ruído da silhueta urbana ao trespassar a cidade no epicentro de um novelo de ruas e viadutos em trânsito, cortando ortogonalmente o plano das linhas de comboios em constante fuga”. Esta é a descrição da escultura de José Aurélio no site “Lisboa, Património Cultural”, da Câmara Municipal de Lisboa.

Hoje, Sete Rios ainda é o epicentro desse novelo, o lugar de partida e de chegada de transportes que levam passageiros para todas as partes do país. Um lugar onde habitam animais selvagens e onde se cruzam algumas das ruas mais importantes de Lisboa. Nesta edição exploramos a sua história a partir de sete datas.

2004: O terminal de autocarros chega a Sete Rios

No final da segunda edição desta rubrica, apanhámos o autocarro no antigo terminal do Arco do Cego. Hoje, apeamo-nos em Sete Rios.

Aqui foi inaugurada a nova paragem de autocarros de média e longa distância da cidade de Lisboa, em 2004. A escolha de albergar o terminal no antigo parque de oficinas do Metropolitano foi feita pela localização central de Sete Rios, pela ligação ao metro e aos comboios e pela possibilidade de criar um espaçoso parque de estacionamento para carros.

1999: Nasce uma escultura

Obra de José Aurélio, escultor português de 80 anos. No sentir do artista, especializado em arte de rua, “a escultura precisa de muito espaço e muita gente”.

A peça criada para Sete Rios convoca a ligação entre a terra e o céu, a multiplicidade de direções que naquela praça se cruzam e a transcendência do caos urbano.

1980: Todos os caminhos vão dar a Sete Rios

Na década de 80 do século XX, adensou-se em Sete Rios o “novelo de ruas e viadutos”, com a chegada do Eixo Norte-Sul – via rápida que permite aos automobilistas atravessarem Lisboa sem precisarem de ir ao centro.

Para além deste eixo, Sete Rios é ainda ponto de partida e de chegada (ou até de passagem) de várias outras artérias importantes na cidade: é ali que encontramos uma das extremidades da longa Estrada de Benfica; do outro lado da linha de comboios, avistamos a Avenida Columbano Bordalo Pinheiro; a norte, a Estrada das Laranjeiras atravessa a praça desde o terminal rodoviário até ao Jardim Zoológico.

1979: A praça muda de nome

A origem do nome da praça de Sete Rios é difícil de determinar. No entanto, o facto de este terreno se encontrar num vale e de ser lugar de passagem da ribeira de Alcântara leva a que seja colocada a hipótese de ali desaguarem outros pequenos cursos de água – possivelmente seis.

É de sublinhar que no século XVIII havia já registos da utilização do nome “Sete Rios” em documentos oficiais da cidade.

No século XX, mais precisamente em 1979, a praça ganhou o nome daquele que ficou conhecido como o General Sem Medo: Humberto Delgado.

“Praça Marechal Humberto Delgado” é o nome atual da praça, embora genericamente continue a ser conhecida pela designação original, “Sete Rios”.

1959: É inaugurado o metro de Lisboa

À data da inauguração, a 29 de dezembro de 1959, o plano do metro de Lisboa não era mais do que um “Y”. Com a estação da Rotunda (hoje, Marquês do Pombal) ao centro, a rede tripartia-se em direção aos Restauradores, a Entrecampos e a Sete Rios.

Os bilhetes custavam cerca de um escudo (o equivalente a 0,005 euros).

Ao longo das décadas, a rede foi sendo ampliada e as designações das estações, alteradas. Em 1998, foi a vez de Sete Rios mudar de nome e passar a chamar-se Jardim Zoológico.

(A fotografia a preto e branco é do Centro de Arquivo e Documentação da CGTP)

1905: Os novos residentes da Quinta das Laranjeiras são selvagens

Sete Rios é a segunda morada do Jardim Zoológico de Lisboa. O Jardim esteve originalmente instalado (desde 1884) em São Sebastião da Pedreira.

Só nos primeiros anos do século XX é que foi feita a transferência para a Quinta das Laranjeiras, mais concretamente para o antigo parque do Palácio Farrobo.

Como refere o jornalista Orlando Raimundo, autor do livro “Animais do Jardim Zoológico”, o Zoo de Lisboa conseguiu a proeza de ver o seu valor reconhecido desde a monarquia até à democracia, passando pela Primeira República e pelo Estado Novo. Hoje, alberga cerca de 2000 animais de 300 espécies.

Para marcar esta presença em Sete Rios, os pilares do viaduto foram, no ano 2000, revestidos com azulejos que representam vários animais do Zoo, desde macacos a tigres e girafas – uma obra de Augusto Cid com co-autoria de Mónica Cid.

1888: Apita o comboio em Sete Rios

Estávamos ainda no século XIX e já Sete Rios era local de passagem incontornável para as principais vias de transporte. Em 1888, foi inaugurada a ligação ferroviária Santa Apolónia-Benfica, que passava em Sete Rios.

Sete Rios é, sem dúvida, uma zona de encontro; encontro de meios de transporte, de pessoas, de épocas, de águas. A próxima paragem do Bairro a Bairro é mais uma zona de encontro: Alfama.

Fotografia: Margarida Alpuim e Inês Rebelo

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