Bruno Fialho no combate por uma capital acessível

Depois de uma anunciada candidatura à Presidência da República em 2020 que nunca se chegou a concretizar, Bruno Fialho é agora o candidato escolhido pelo Partido Democrático Republicano (PDR) à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Em declarações ao 8ª Colina, deixa clara a ambição de mudar Lisboa para que seja uma cidade mais acessível para os portugueses.

Nascido e criado em Lisboa, Bruno Fialho descreve-se como “pessoa simples, objetiva e pragmática”. Conta ter nascido numa família humilde e ter começado a trabalhar aos 16 anos: “Tive de arranjar como pagar as minhas coisas: o meu primeiro carro, a minha primeira mota, e o mais”, explica-nos o candidato.

Foi precisamente esse o caminho que lhe permitiu pagar os seus estudos. O atual presidente do PDR licenciou-se em Direito pela Universidade Moderna de Lisboa e aos 23 anos, enquanto concluía o curso, começou a trabalhar como tripulante de cabine na aviação comercial. Integrou logo o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, do qual viria a ser dirigente.

Bruno Fialho gaba-se de, como membro do Sindicato, defender vigorosamente os interesses dos tripulantes de aviação, o que lhe deu destaque na comunicação social. Destacou-se pela firmeza na oposição à privatização da TAP.

A política propriamente dita surgiu apenas em 2019, quando se filiou no Partido Democrático Republicano. O atual candidato do PDR à Câmara de Lisboa afirma ter ingressado na política graças a um desafio proposto pelo fundador do partido, Marinho e Pinto, que” me convenceu de que eu tinha jeito para tentar mudar o paradigma político em Portugal”, conta o candidato.

Um ano depois de ter ingressado no PDR, concorreu à presidência e venceu as eleições com 75% dos votos, sucedendo Marinho e Pinto como presidente do PDR. No ano seguinte, em 2020, anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais de 2021 – candidatura de que viria a desistir. Em comunicado, o dirigente do PDR justificou esta decisão com base nas consequências económicas da pandemia de Covid-19.

Bruno Fialho centra agora a atenção na Câmara Municipal de Lisboa. O presidente do PDR apresenta várias ideias para mudar a cidade de Lisboa: “A primeira mudança tem de ser na Câmara. Antes de pegar na cidade em si, temos de primeiro limpar a Câmara Municipal. Temos de ter pessoas com capacidade e com currículo para desenvolver os projetos que queremos”.

Um desses projetos que defende é o da mudança do Aeroporto de Lisboa para Alcochete. No espaço do atual aeroporto, pretende aproveitar aqueles terrenos que lá existem para construir uma infraestrutura à qual chama “Bairro do Futuro”.  Explica: “Pretendemos criar este “Bairro do Futuro” a pensar em toda a gente. Conseguiríamos acomodar estudantes e jovens com menos possibilidades devido às rendas inacessíveis dos apartamentos.”

Outra das mudanças que pretende fazer caso seja eleito é a destruição da maioria das ciclovias que se encontram pela cidade de Lisboa. “A coisa que mais me custa ver na cidade de Lisboa são estas ciclovias mal construídas.”, clama o candidato do PDR. Para completar o projeto que tem sobre mobilidade, Bruno Fialho comenta que não é possível “obrigar as pessoas a deixar o seu carro em casa e a virem para Lisboa trabalhar, se não lhes forem ofereceridas opções viáveis; soluções de transportes públicos”.

Para além de querer “limpar” a Câmara Municipal caso seja eleito e de querer reconstruir as ciclovias, Bruno Fialho quer pôr fim aos apoios municipais à parada e ao arraial da comunidade LGBT+. Diz considerar “inadmissível que nós estejamos a apoiar um dos maiores lobbies económicos e financeiros do mundo”.

Contudo, para o Presidente do PDR, o principal problema da cidade de Lisboa, e que vê comum a todo o país, é apenas um: a falta de dinheiro. De forma a atenuar o impacto que o baixo salário tem nas contas do dia-a-dia dos lisboetas, Bruno Fialho propõe a redução das diversas taxas impostas aos moradores pela atual Câmara Municipal: “Com uma média de 25% a 35% de taxas descontadas nos salários só no município de Lisboa, mesmo assim não temos acesso a bons cuidados de saúde; não podemos sequer estacionar o nosso carro sem pagarmos 15, 20, 30 euros por dia”. Bruno Fialho, a uma semana das eleições, repete, em campanha: “Não temos acesso a nada”.

Artigo revisto por Carolina Soares

Capa cedida pelo candidato

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