Bruno Horta Soares: O liberal que ambiciona “libertar Lisboa”

Com o mote “Está na hora de libertar Lisboa”, Bruno Horta Soares é o candidato da Iniciativa Liberal à presidência da Câmara Municipal. Este é o ano de estreia do partido nas eleições autárquicas. A candidatura de Bruno Soares foi apresentada dia 23 de maio, após a desistência de Miguel Quintas por “motivos pessoais”.

O candidato de 41 anos nasceu, cresceu e estudou no Cacém. Apesar de se referir à Linha de Sintra com muito carinho, sempre sonhou aventurar-se por Lisboa: “Para mim, Lisboa, na altura, era esta coisa distante em que nós podíamos um dia vir cá e alcançar”, confessa ao 8ª Colina. Hoje, a sua vida passa-se exclusivamente na capital.

No ano de 2002, concluiu o mestrado em Informática e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). O percurso académico de Bruno Horta Soares revelou-se fundamental para a consolidação do seu pensamento liberal. “Na minha carreira está presente esta capacidade de olhar para o passado, mas não para ficar preso no passado”, afirma.

Desde 2012, trabalha como consultor de forma independente. A par desta atividade, partilha os seus conhecimentos sobre transformação digital e cibersegurança em várias instituições universitárias.

A política apareceu na sua vida durante a universidade. O candidato da Iniciativa Liberal confessa que se juntou a este mundo por ter muita curiosidade em perceber de que forma eram construídas as coisas que diariamente impactavam a sua vida. Sendo o PSD o partido com o qual mais se identificava, ingressou então na Juventude Social Democrata. Contudo, com o passar do tempo, começou a questionar as escolhas partidárias: “Sabia que os partidos, em particular onde eu estava, já não eram capazes de mudar, evoluir e acompanhar a velocidade do mundo que nos rodeava.” Em 2016, decidiu criar um novo partido, exatamente por se sentir desiludido com os políticos em funções.

A ele juntaram-se pessoas visivelmente insatisfeitas, que procuravam mudanças e novas oportunidades: nasceu assim a Iniciativa Liberal. Bruno Horta Soares lembra como se deu a escolha do nome do partido: “O que é que nós temos? Iniciativa. Qual é a ideologia que defendemos? Liberal. Vamos embora!”.

Depois da candidatura de Tiago Mayan às passadas eleições presidenciais, o partido estreia-se agora nas eleições autárquicas. Bruno Horta Soares acredita que “está na hora do primeiro vereador liberal em Lisboa”.

Para o candidato, um dos principais problemas da cidade é a falta de funcionalidade: “Lisboa é uma cidade extraordinariamente agradável, mas não é funcional. Tenho duas ciclovias, mas não tenho habitação para ter pessoas a andar nas ciclovias. ‘Vamos ter um centro de saúde’, mas não quer dizer que seja prestada boa saúde. ‘Vamos construir uma escola’, mas não quer dizer que seja dada boa educação. Hoje a visão que a política tem é de uma construção temática. É esse o principal problema”. 

O objetivo da proposta liberal é que a cidade “não seja só agradável para quem venha visitar, mas que as pessoas se sintam bem, sintam que têm uma boa habitação, uma boa educação, uma boa saúde e uma boa mobilidade”, explica Bruno Horta Soares. O cabeça de lista pela Iniciativa Liberal afirma ser necessário “tornar a máquina mais saudável e retirar dela aquilo que possa estar a travar o desenvolvimento”. Acredita que, quando isto acontecer, “vai haver benefícios em todos os temas e em todas as áreas”.

Para o liberal, os jovens são uma prioridade, o que justifica a sua ambição de “tornar a capital numa cidade mais atrativa para os jovens qualificados”. “Em dez anos, Lisboa perdeu quase 10% da população residente, continua uma cidade envelhecida e os jovens qualificados continuam a emigrar para Madrid, Dublin, Londres ou Amesterdão, onde as oportunidades profissionais permitem verdadeiramente mudar de vida”, argumenta o candidato numa entrevista ao Jornal Económico. Bruno Horta Soares acredita que os atuais dirigentes falham muito no que respeita a este assunto por não terem a “sensibilidade de perceber que as pessoas são cada vez mais indivíduos e devem ser tratados como indivíduos e não como grupos”. Assim, sente-se realizado ao perceber que cada vez mais jovens se juntam ao partido que fundou e o apoiam: “Quando nós olhamos para um evento da Iniciativa Liberal, não podemos ignorar o número de jovens. É muito grande”.

O primeiro presidente da Iniciativa Liberal mostra-se desiludido com o estado da cidade em que sempre sonhou viver. “É isto que está a afastar a esperança. A tal esperança que há 70 anos existia de ‘vamos para Lisboa ser mais felizes, onde podemos ter uma vida melhor’, hoje não existe”, confessa.

Bruno Horta Soares defende convictamente que a possibilidade de se eleger pela primeira vez um vereador liberal em Lisboa “faz muito mais diferença do que continuar a alimentar a ideia do cara-ou-coroa, PS ou PSD”. Garante que “é um sinal de que a cidade não quer só estar presa no passado e que quer verdadeiramente avançar para o futuro”.

Capa: Facebook Iniciativa Liberal Lisboa

Revisto por Inês Gonçalves 

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