Centenário do armistício que pôs fim à I Guerra Mundial

(EPA)

No dia 11 de novembro, em Paris, cerca de 70 chefes de Estado marcaram presença na celebração dos 100 anos do Armistício da Grande Guerra. Em Portugal, a data foi assinalada com o maior desfile militar dos últimos 100 anos

À 11.ª hora do 11.º dia do 11.º mês de 1918, foi assinado o Armistício da Grande Guerra, em Copiègne. Em 2018, 100 anos depois, as tropas saíram à rua para homenagear a paz e a vida de milhões de pessoas.

A data marcou a derrota das forças germânicas e dos seus aliados e pôs fim a uma guerra de quase quatro anos, que mobilizou mais de 70 milhões de militares e custou quase 10 milhões de mortos e o dobro de deficientes militares.

O conflito envolveu as grandes potências de todo o mundo, que se organizaram em duas alianças opostas: a Tríplice Entente (Reino Unido, França, Império Russo até 1917 e Estados Unidos da América após 1917) e a Tríplice Aliança (Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Reino de Itália até 1915). Como auxílio aos principais envolvidos, vários países aliados participaram também nesta guerra, como é o caso de Portugal – ao lado da Tríplice Entente.

Com a entrada dos Estados Unidos da América na guerra, os milhares de novos combatentes foram facilitando as conquistas da Tríplice Entente. Foi assim que os países da Tríplice Aliança foram derrotados e que foi posto um fim ao conflito.

O tratado de cessar-fogo foi assinado entre os Aliados e a Alemanha, tendo como principais signatários o Marechal Ferdinand Foch, Comandante-Chefe Aliado, e Matthias Erzberger, Ministro de Estado e representante do Reich Alemão.

Signatários do Armistício, junto à carruagem de comboio onde foi assinado o cessar-fogo, em Compiègne, França. (Arquivo Global Imagens)

Um ano mais tarde, a paz viria a ser formalizada com o Tratado de Versalhes, que impôs pesadas compensações de guerra. Os vencidos não ficaram satisfeitos – apesar da fase de paz que se conseguira, as dívidas de guerra e a economia destruída dos vencidos geraram a faísca que mais tarde deu origem à Segunda Guerra Mundial.

Em 2018, a celebração reuniu mais de 70 chefes de Estado e do governo, e teve lugar nos Campos Elísios. Emmanuel Macron, o único a discursar na cerimónia, aproveitou para passar uma mensagem política e destacar o multilateralismo nas relações internacionais. Durante todo o discurso, Macron insistiu ainda no combate pela paz no futuro. “Adicionemos esperanças em vez de combater medos”, pediu.

Fotogaleria das celebrações em França

Angela Merkel, chanceler alemã, também marcou este evento – foi a primeira líder alemã desde a Segunda Guerra Mundial a visitar a floresta perto da cidade de Compiègne, no norte de França, onde o Armistício foi assinado. Na cerimónia que ocorreu no dia 10 de novembro, no local das conversações do Armistício, Merkel e Macron descerraram uma placa que homenageia a restauração das relações de amizade entre os dois países. Mais tarde, assinaram um livro de visitas dentro de uma réplica da carruagem onde o Armistício terá sido assinado, em 1918.

Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, também esteve presente na cerimónia em Paris. Já em Portugal, visto tratar-se do centenário do Armistício que pôs fim à Grande Guerra, o presidente da República decidiu transformar a habitual cerimónia da Liga dos Combatentes num grande evento militar. A celebração teve lugar junto ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra (1914-1918), na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Foi realizada no dia 4 de novembro, uma semana antes do marco, para que Marcelo Rebelo de Sousa representasse Portugal nas cerimónias oficiais em França.

(Miguel A. Lopes/LUSA)

António Costa, primeiro-ministro, Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, João Gomes Cravinho, ministro da Defesa Nacional, e os ex-presidentes da República António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio também marcaram presença na Avenida da Liberdade.

A cerimónia evocativa começou às 11 horas, com a chegada de Marcelo Rebelo de Sousa, que discursou após uma homenagem às vítimas da guerra. O desfile militar, que se iniciou em seguida, reuniu cerca de 4500 elementos: 3437 militares das Forças Armadas, 390 militares da GNR, 390 polícias da PSP e 160 antigos combatentes.

Segundo o porta-voz do EMGFA, que organizou o desfile em conjunto com a Liga dos Combatentes, o objetivo foi “homenagear a paz” e “honrar a memória” dos 100 mil portugueses que combateram na Grande Guerra.

Fotogaleria das celebrações em Lisboa

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