Ciclone Idai: Olhar de novo

O ciclone Idai atingiu o sudeste de África em março de 2019. Desenvolveu-se numa zona e numa época propícias a este tipo de fenómenos. Passou do oceano – onde se formou – para o continente, entrando em terra na noite de 14 para 15 de março, altura em que perdeu força. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), pode ter sido o pior desastre a atingir o hemisfério sul.

Moçambique, Zimbabwe, Malawi e Madagáscar foram as zonas expostas à passagem do Idai. Com 500.000 habitantes, a Beira, cidade portuária moçambicana, foi a localidade mais afetada.

O ciclone provocou ventos muito fortes e chuva. Uma área de 3000 quilómetros quadrados ficou inundada e, segundo a ONU, mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas.

Devido aos ventos fortes as habitações ficaram destruídas na zona da Beira, em Moçambique. Fotografia: ONU

Com a passagem do ciclone, 59 pessoas perderam a vida no Sul de Malawi. No Zimbabwe, o número rondou as 344 e em Moçambique morreram mais de 600 pessoas.

Casas totalmente destruídas, sem água potável e eletricidade. Estradas, pontes, infraestruturas e plantações arrasadas. A situação agravou-se com a chegada dos primeiros casos de cólera, em abril. Foram pelo menos 1052 as pessoas afetadas nas zonas atingidas pelo ciclone, em Moçambique. As campanhas de vacinação começaram nesse mesmo mês, procurando responder rapidamente à situação em mãos.

Com a passagem do Idai, a ajuda humanitária não tardou a chegar. Foram várias as instituições que se disponibilizaram para prestar auxílio. A União Europeia reagiu aos acontecimentos, anunciando o envio de um pacote de ajuda de emergência no valor de 3,5 milhões de euros. No terreno estiveram, por exemplo, a Cáritas e a Cruz Vermelha Portuguesa.

Mulher no seu abrigo no local de Vala do Moura, perto da aldeia de Muchenesse, na região do Buzi, após a passagem do ciclone Idai, na província de Sofala, centro de Moçambique, em 27 de março de 2019. EPA/TIAGO PETINGA

Passaram-se quase nove meses. A reconstrução há muito que começou, mas o cenário não é favorável. Numa reportagem da RTP emitida a 10 de novembro (https://www.rtp.pt/noticias/mundo/idai-oito-meses-depois-ainda-ha-milhares-de-desalojados_v1184873), dá-se a conhecer a situação no Centro de Reassentamento de Mandruzi, na província de Sofala, em Moçambique. Este Centro, que foi criado de raiz, acolhe mais de 400 pessoas. 

Muitos vivem ainda em tendas e têm dificuldades em conseguir alimentos, uma vez que o ciclone destruiu uma grande parte das colheitas.

 

Fotografia de capa: EPA/TIAGO PETINGA

 

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