Das lágrimas de May ao “Trump” inglês

Theresa May renunciou o cargo de primeira-ministra do Reino Unido em maio de 2019, abrindo as portas a novas políticas e a Boris Johnson – a cara do Brexit deste ano.

Para uns um buffoon, para outros a resposta a um problema interminável, Boris Johnson foi eleito líder do partido conservador e primeiro-ministro britânico. Conquistou as massas pelo seu discurso radical, que prometia unir o país, derrotar o líder da oposição, Jeremy Corbyn, e consumar o Brexit, com ou sem acordo formal. Esta última medida originou uma maior exaltação social, principalmente depois de agendada a data da sua concretização para 31 de outubro– o que não se chegou a verificar.

Mas o Brexit não se resume apenas a um homem: todo o país está em rutura com o bloco europeu.Em outubro, Angela Merkel declarou que um acordo para o Brexit seria “altamente improvável”.Já em novembro, o país negligenciou a escolha de um comissário europeu, violando as obrigações do Tratado da UE, o que lhe valeu um procedimento de infração e prejudicou definitivamente as relações entre ambos os lados.

A situação interna também não contribui para uma saída simples e organizada. Estudos feitos pelas universidades de Cardiff e de Edimburgo apontam que, em média, mais de metade da população de cada país constituinte do Reino Unido acredita que este se desmoronará graças ao Brexit, e que a permanência na UE seria um preço que valeria a pena pagar pela estabilidade nacional.

Nem a data das eleições legislativas de dezembro foi consensual: enquanto os Liberais-Democratas e o Partido Nacional Escocês preferiam agendá-las para dia 9 de dezembro, o governo lutou para que fossem marcadas para dia 12 – e ganhou.

Já teve uma mão cheia de adiamentos. O processo do Brexit continua a representar um braço de ferro, tanto dentro como além das Terras de Sua Majestade (Andy Rain/EPA)

Em conversa com o 8ª Colina, Thomas Fernandes Hoogerbrugge, estudante de Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, considera que o Brexit foi uma decisão “impulsiva por parte do Reino Unido” e que a concretização do processo se está a revelar muito complicada:“Caso Corbyn ganhe, é possível que exista uma maior flexibilidade no que diz respeito à negociação dos termos de saída do país.Isto se, sob o seu comando, as negociações continuarem, visto que o candidato se declara neutro e propõe a realização de um novo referendo popular.”

Já sobre a possibilidade de desmembramento do Reino Unido, Thomas considera que se trata de “uma possibilidade válida, visto que existem Estados do Reino Unido que não são a favor da saída da UE e que reconhecem os benefícios de permanecer no bloco Europeu. É o caso da Escócia e da Irlanda do Norte, que desde o primeiro referendo sobre o Brexit votaram contra.”

Artigo escrito por: Alexandre Várzea

Fotografia de capa: Will Oliver/EPA

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