Ossanda Liber: “O que esta candidatura traz de diferente é o olhar humano”

Ossanda Liber, cabeça do “Somos Todos Lisboa”, movimento que se estreia na corrida à Câmara Municipal de Lisboa, defende que a sua candidatura “é para todos e para a humanização da gestão da cidade”. A inclusão e a igualdade são os dois principais pilares da sua proposta, aspetos que a candidata acredita serem os fatores de coesão de uma sociedade.  

Ossanda Liber nasceu num meio politizado. O primeiro contacto com a política esteve relacionado com as ligações que a família tinha à cidade de Luanda. A visão muito pessimista e dura da política por parte dos pais fez com que seguisse uma carreira diferente, mas isso não impediu que essa realidade a cativasse: “Quando começámos a ter canais de satélite, ficava colada à CNN. Na altura, o meu pai aderiu ao Courrier Internacional e, quando ele terminava de ler, eu ficava com a cópia para ler. Aquilo interessava-me imenso.”

Além da sua origem angolana, Ossanda Liber tem também nacionalidade francesa. A candidata salienta o carinho com que Paris a acolheu e elogia as capacidades de gestão da cidade. “Paris sofre a fama de ser uma cidade exclusiva, onde vigora o elitismo, mas na minha experiência é tudo o contrário.Na cidade das luzes, diz ter encontrado uma enorme multiculturalidade e refere que “aquilo que nos diferencia não é certamente a nossa origem ”. Ossanda Liber acredita que todo este percurso de vida é precisamente a mais-valia da sua candidatura. “Os sítios por onde passei, as coisas que fiz, a visão que tenho sobre como funciona a dinâmica de uma cidade; agora sim, sinto-me madura e capaz de praticar política”, admite.

A relação da candidata com Lisboa começou bem cedo. Em miúda, vinha passar férias com os pais à capital portuguesa e criou logo uma forte afinidade com a cidade. Quando mais tarde a visitou, encontrou uma Lisboa “muito diferente da que conhecia”. Foi a dimensão humana da cidade que a fez perceber que era onde queria viver e constituir família: “Acho que fiz a escolha certa. Lisboa recebeu-me bem e deu-me todas as oportunidades que queria para desenvolver a minha atividade profissional e criar os meus filhos. O que se pode procurar mais?” Desde 2002 que Ossanda Liber chama casa à cidade de Lisboa.

A criação do movimento “Somos Todos Lisboa” conheceu o seu início no programa Ossanda Live – que a candidata leva a cabo na rede social Instagram –, no qual entrevista políticos, com alguns dos quais está a competir atualmente, e faz análise política. Foi a partir daí que se apercebeu de que o seu grupo poderia preencher as falhas existentes na gestão da cidade: “Pensei que se havia ideias tão boas e ninguém falava sobre elas – nem os candidatos nem a atual gestão de Lisboa –, por que razão não vamos nós, enquanto cidadãos, legitimamente, apresentar uma proposta nesse sentido?”. Segundo a líder do movimento, a formalização da candidatura foi um processo rápido, uma vez que, assim que foram para a rua pedir assinaturas, as pessoas começaram imediatamente a aderir. 

Encabeçando uma candidatura independente, Ossanda Liber vê como uma vantagem o facto de não estarem dependentes de orientações e de estratégias partidárias. A candidata defende que isso traz medidas menos “desligadas da realidade” e mais próximas da população. “O que esta candidatura tem de diferente é o olhar humano. Queremos propor a humanização da gestão da autarquia para que ela vá ao encontro das necessidades das pessoas, sem ilusões de números e imagens que deem a ideia de que está tudo bem quando no fundo não está.” 

A líder do movimento é um exemplo de imigração de sucesso. Contudo, nem todos têm um percurso tão linear, o que leva a que esta questão seja um dos focos da sua candidatura. O objetivo é dar apoio e uma voz àqueles que dela mais precisam, refere. Além dos imigrantes, foi-se apercebendo de que mais pessoas necessitavam da sua ajuda: “Eu sou uma pessoa do mundo, com as capacidades de lidar e de representar todas as pessoas. Por que é que não faço mais?” Esta convicção fez com que alargasse o espetro da inclusão na sua proposta eleitoral para outro tipo de necessidades, como as de pessoas mais idosas ou com mobilidade reduzida. 

Ossanda Liber acredita que o principal problema da imigração em Lisboa é a falta de informação organizada. “Acho que se tem de começar a olhar para o imigrante de uma forma positiva. É uma pessoa valiosa, uma vez que vai gerar dinheiro, dar força de trabalho e, em alguns casos, contribuir para a nossa demografia.” Para tal, propõe a implementação de uma plataforma eletrónica, na qual as pessoas possam encontrar uma brochura que apresente o país, e a criação de um órgão que acompanhe não só os imigrantes, como qualquer outra pessoa que não se sinta incluída.

A candidata independente sublinha a importância do bem-estar psicológico da população lisboeta e reconhece que “não há medidas para acabar com a solidão das pessoas”. Com vista a contornar o problema, apresenta medidas preventivas com foco no desporto e na cultura, de modo a combater o isolamento dos jovens. Ossanda Liber propõe ainda centros de atendimento psicológico móveis para incutir uma maior valorização da saúde mental: “A nossa estratégia passa por levar os terapeutas para perto das pessoas para que estas percebam que ir a um psicólogo é tão banal quanto ir a um médico generalista.”

“Pragmática, despachada e com garra”, segundo autodescrição, Ossanda Liber acredita que se o seu movimento confiou nela para o liderar é porque reconhece a sua capacidade de lutar por aquilo em que acredita. Sente-se completamente comprometida com Portugal: “Gosto de Portugal, de Lisboa e dos lisboetas. Estou tão bem que já só viajo em Portugal”. Considera que tem o discernimento certo e uma visão mais humanista para encarar este desafio: “Estou pronta para ir ao encontro das necessidades reais dos lisboetas, pois tenho a tranquilidade e a serenidade suficientes para olhar para o próximo e sentir compaixão”. 

Artigo revisto por Andreia Custódio.

Capa: Site Somos Todos Lisboa.

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