Encontro histórico entre Trump e Kim Jong-un

Foi preciso chegar o último dia do mês de junho de 2019 para um presidente dos Estados Unidos da América entrar em solo norte-coreano. Donald Trump fez história ao reunir-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, na zona desmilitarizada coreana – mais especificamente na vila de Panmunjon –, e ao passar a fronteira.

Legenda: A zona desmilitarizada corena (a vermelho) e a vila de Panmunjon.

Desde que Donald Trump é presidente, os EUA e a Coreia do Norte tanto se aproximam como se afastam. As reuniões entre o líder norte-americano e Kim Jong-un já acontecem desde junho de 2018, altura em que os dois assinaram um acordo que, entre outras medidas, previa a “desnuclearização completa da Península Coreana”.

 

 

Desde então, a realidade não corrobora o estipulado: a agência de notícias norte-coreana, KCNA, confirmou o lançamento de dois projéteis a 16 de agosto de 2019.

Antes ainda, em fevereiro de 2019, Trump e Kim encontraram-se pela segunda vez, em Singapura. No entanto, as negociações estagnaram e o encontro terminou antes do previsto. Chegámos então a 30 de junho de 2019. O terceiro encontro deu-se na fronteira entre as duas Coreias. Um momento histórico, que fez de Donald Trump o primeiro presidente americano a entrar em território norte-coreano. Do encontro saiu o compromisso de retomar o diálogo, naquele que, segundo Trump, foi “um grande dia para o mundo”. No entanto, de acordo com fontes militares sul-coreanas, logo em julho de 2019 ocorreram, no mínimo, quatro testes de lançamentos de mísseis em onze dias, por parte da Coreia do Norte.

 

 

Ao longo destes últimos anos vários acontecimentos mediáticos criaram no público a expetativa de que as negociações entre os dois países vão de facto culminar num acordo. Contudo, a Coreia do Norte exige uma nova proposta de Washington até ao final do ano de 2019. Um dos conselheiros do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Kim Kye Gwan, argumentou que os EUA estão a tentar “alegar que têm feito progressos”.

Simão Barbosa é aluno do 3.º ano de Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e acredita que, “embora os chefes de estado envolvidos não sejam propriamente exemplos de diplomacia, tanto um como o outro reconhecem que existem mais vantagens em chegar a um consenso do que em perpetuar a escalada de tensões entre os dois estados.” Para o estudante, a administração de Trump mudou completamente a relação que os EUA têm com a Coreia do Norte: “Antes de Trump, nenhum presidente considerava viável tentar dialogar com a Coreia.” Reinava a desconfiança, e por isso os EUA “consideravam a via diplomática ineficiente, preferindo a aplicação de sanções económicas e outros métodos para lidar com o Estado coreano”, refere Simão Barbosa.

Tanto Kim Jong-un como Donald Trump são figuras políticas que têm sido alvo de algum desprezo. “A Coreia do Norte é vista como um Estado pária; está sob um regime de sanções económicas impostas por inúmeros países e mesmo o seu único aliado, a China, é a favor da sua desnuclearização. Do lado da Casa Branca, temos um presidente cujas capacidades diplomáticas são constantemente postas em causa e cujos níveis de credibilidade e aprovação são baixíssimos”, considera Simão Barbosa, acrescentado ainda que Donald Trump deseja uma acordo com Kim Jong-un para “poder ter uma pequena vitória” e manter a “reputação de ‘homem de negócios’ que vendeu aos americanos”.

Fotografia de capa: Yonhap-EPA

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