Espetáculos do Ano: música, teatro e dança

Estelle Valente/Teatro São Luiz

A arte e a cultura do nosso país são cada vez mais apreciadas pelos portugueses. A agenda cultural de 2019 esteve repleta de espetáculos para diversos gostos e idades. Em 2015, o número de bilhetes vendidos não passava dos 3,8 milhões. Após três anos, em 2018, esse valor aumentou para 5,5 milhões de bilhetes.

Ana Francisca Jones/8ª Colina
Ana Francisca Jones/8ª Colina

Amar Amália – 20 anos de saudade foi um dos espetáculos de música com mais adesão este ano. Foi apresentado em Lisboa, a 16 de fevereiro e a 5 de outubro, na Altice Arena. No Porto estreou a 16 de novembro, na Super Bock Arena, e em Guimarães, a 8 de novembro, no Multiusos da cidade. Contou com convidados especiais que, através da sua voz, quiseram prestar homenagem à rainha do fado 20 anos após o seu falecimento.

No que toca ao teatro, destacamos Monólogos da Vagina, uma comédia que junta Júlia Pinheiro, Paula Neves e Joana Pais de Brito e compila monólogos sobre inúmeros problemas das mulheres. A peça estreou no Teatro Armando Cortez no dia 21 de março e, após os bilhetes terem esgotado, chegou às salas do Casino do Estoril.

Quanto à dança, salientamos Autópsia, de Olga Roriz. A coreógrafa partiu, nas suas palavras, de uma “introspeção sobre o tempo em que vivemos”, e o objetivo passou por levar as pessoas a olharem não só para o mundo que as rodeia, mas também para si mesmas.

O espetáculo estreou dia 1 de novembro e estendeu-se até dia 3 de novembro, no Teatro São Luiz. Em 2020, estará em digressão por Viana do Castelo, Vila Real, Águeda, Leiria e Almada.

Estelle Valente/Teatro São Luiz
A peça “Autópsia”, de Companhia Olga Roriz (Estelle Valente/Teatro São Luiz)

Com estes e outros eventos culturais, o ano de 2019 contou com a exibição de diversos talentos e com uma grande adesão do público. Quisemos saber a opinião de Camila Monteiro – uma jovem bailarina de dança contemporânea, que estuda Artes do Espetáculo na Escola Básica e Secundária Passos Manuel – sobre o estado da cultura no nosso país.

Para Camila, “a cultura em Portugal está a morrer”: as centenas de companhias que existem não são valorizadas e as pessoas acabam por se interessar apenas por “espetáculos maiores e mais conhecidos”. A jovem de 20 anos realça ainda a falta de interesse dos mais novos por esta área: “Se eu convidar o meu irmão a ir ver um espetáculo de teatro, ele diz-me que não e que prefere ficar em casa a ver filmes.”

Sobre o futuro, Camila diz que, em Portugal, não há lugar para tantos artistas com talento e, por isso, muitos acabarão por ir estudar para fora. Já na área profissional, Camila acha que o êxito “tem que ver com sorte e não com trabalho”, pois acredita que “existem pessoas que trabalham imenso e que não conseguem atingir os seus objetivos.”

Apesar de tudo, a jovem destaca também alguns aspetos positivos no público que vai assistir aos espetáculos. Embora sejam uma minoria, as pessoas que vão às salas “vão com tudo e conseguem ver além da bailarina a dançar; conseguem perceber o que ela quer expressar ou a história que quer passar.”

Fotografia de Capa: Estelle Valente/Teatro São Luiz

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