Eurovisão: Uma visão de cima a baixo

Por ter vencido o Festival da Eurovisão em 2017, Portugal foi recompensado com a tarefa de organizar a seguinte edição da competição. Um país que subiu ao topo da Europa e que viu os restantes países desde lá de cima, do lugar de vencedor, teve que levantar a cabeça para poder ver a queda que deu. Mas nem tudo foi mau: Portugal ganhou fora do palco

Ouve o essencial a reter do Festival da Eurovisão de 2018:

Nuno Artur Silva, então administrador da RTP, soube organizar o evento, enquanto geria uma numerosa equipa: 900 pessoas em logística, com o auxílio de 400 voluntários. O objetivo era erguer um grande festival no Altice Arena, em Lisboa. Acabou por ajudar a planear o melhor e mais barato Festival da Canção desde 2008. O orçamento rondava os 20 milhões de euros. No fim, a economia portuguesa beneficiou de 25 milhões de euros gastos pelos 30 mil estrangeiros atraídos pela música – o que parece uma conta impossível, mas basta desenhar um cenário em que cada um desses estrangeiros gastasse cerca de 800 euros em Lisboa.

Em março de 2018, Nuno Artur Silva estava no cargo de administrador da RTP. Ele foi um dos que planearam o evento, que durou duas semanas, e esta é a mesa do escritório onde o Festival foi planeado. (Magda Cruz)

No fim da competição, não houve dobradinha, mas a União Europeia de Radiodifusão elegeu esta edição como a “melhor de sempre”. Tendo em conta que foi a primeira vez que Portugal organizou a competição musical, este título foi uma vitória que soube bem aos portugueses. Sob o tema All aboard!, em março, Lisboa tornou-se uma cidade com o objetivo de receber, da melhor maneira, pessoas vindas de todo o mundo – e tencionava impressionar.

Depois desta edição, os portugueses ganharam uma nova perspetiva do que é a Eurovisão. De certo que haverão ainda muitos “Mas ainda vês isso?”, mas Portugal subiu muito a fasquia da performance audiovisual no concurso e isso foi reconhecido.

Portugal soube transmitir a sua personalidade e mostrar aquilo de que é feito – literalmente – começando com os artistas que iam participar. Cada país participante teve direito a gravar um vídeo promocional, que passou nas galas. Foram 44 países, por isso, 44 portas que abriram um pouco por todo o território português.

A organização foi feita ao mais ínfimo detalhe: o design do palco foi inspirado no casco de um navio, aludindo aos descobrimentos portugueses; duplos portugueses replicavam a coreografia dos artistas e as luzes (que cada vez mais definem o European Song Contest) estavam afinadas ao segundo. Fora do Altice Arena, concertos tiveram lugar na Eurovision Village, na Praça do Comércio. Para além disso, a aplicação móvel oficial permitia que a audiência votasse na sua música favorita em tempo real e, assim, mudasse a cor de quatro monumentos em Lisboa – a Câmara Municipal, Praça do Comércio, o Castelo de São Jorge e a estátua do Cristo Rei. Consoante o número de votos, os monumentos mudavam de cor, numa escala de azul a vermelho, frio e quente. Esta foi uma interação à primeira vista insignificante, mas que reflete a atenção ao detalhe que Portugal teve.

No fim, as nações foram a concurso pelo microfone de cristal, no “maior espetáculo televisivo musical de todo o mundo” como lhe chama Nuno Galopim, o supervisor criativo do Festival da Eurovisão desta edição e uma das vozes que ouvíamos em casa a comentar cada atuação, em conjunto com José Malato.

 

O prémio do Festival Eurovisão da Canção de 2018 foi feito pela Vista Alegre, tem 30 centímetros de altura e cerca de três quilos e meio. Este é o vídeo que mostra como o microfone de cristal e ouro foi feito.  

Foi sala cheia. Daniela Ruah, Catarina Furtado, Sílvia Alberto e Filomena Cautela apresentaram o festival perante um Alitice Arena cheio. Esta última mulher já era uma cara conhecida dos portugueses e recebeu as palmas do resto do mundo pela sua grande capacidade de entreter o público. Para além dos presentes, a transmissão do Festival Eurovisão da Canção chegou a 186 milhões de pessoas e a 42 países.

No que toca à audiência portuguesa, no dia da final, dia 12 de maio, o Festival foi acompanhado na RTP1, do início ao fim, por 1 milhão e 547 mil espetadores, número que bate os recordes estabelecidos no decorrer da última década.

O momento em que Salvador Sobral e Caetano Veloso cantaram o tema “Amar Pelos Dois” foi um grande sucesso de audiências. Segundo a RTP, um milhão e 811 mil portugueses estavam de olhos postos no ecrã . (José Sena Goulão/EPA)

Salvador Sobral, vencedor do Festival da Eurovisão em 2016, teve de entregar o troféu a Netta, a artista de Israel, que cantou a música “Toy”. O segundo lugar foi para o Chipre com a canção “Fuego”. A completar o pódio ficou a Áustria e a canção “Nobody But You”. Já a música portuguesa ficou no fundo da tabela.

Como o país vencedor ganha a tarefa de organizar a edição seguinte, a Eurovisão passou a estar a cargo da cidade de Jerusalém. Mas, depois de alguma confusão, a organização da Eurovisão anunciou que a cidade anfitriã passou a ser Telavive. Será a terceira vez que Israel recebe o festival. O palco que recebe a 64ª edição da competição é o Centro Internacional de Convenções de Telavive.

Netta Birzilai, representou Israel, cantou o tema “Toy” e arrecadou o título de vencedora da 63.ª edição do Festival da Eurovisão. (José Sena Goulão/Lusa)

As semifinais estão marcadas para os dias 14 e 16 de maio. A grande final está agendada para 18 de maio.

Antes disso, há que escolher o representante português, o que irá acontecer nas duas semifinais, nos dias 16 e 23 de fevereiro. Alguns dos compositores (que podem não ser os interpretes) são Conan Osiris, Tiago Machado, André Tentúgal e Mariana Bragada.

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