Lungo Drom. A outra faceta da etnia cigana.

Os ciganos são criminosos. Os ciganos roubam criancinhas. Se tiver um estabelecimento comercial e não quiser ciganos a frequentá-lo, ponha um sapo à porta: os ciganos não gostam de sapos. Os ciganos vivem em barracas para não mostrarem a sua enorme riqueza. Os ciganos não vão à escola. Os ciganos têm muitos filhos. Os ciganos isto. Os ciganos aquilo. Todos estes mitos sobre ciganos em nada contribuem para a imagem da comunidade, e a verdade é que, mesmo depois de terem finalmente sido aceites como cidadãos plenos de direitos (1822), ainda hoje são discriminados e acabam por viver à margem da sociedade.

                                         

A exposição Lungo Drom – que significa “ longo caminho” –, explora a outra faceta da etnia cigana. Através de fotografias, cartazes e outras peças, é contada a história e são desvendadas as várias facetas da vida social dos ciganos, bem diferentes daquilo que estamos habituados a ouvir nos relatos populares mais comuns.

Em Espanha, os ciganos foram, durante as décadas de 70 e 80, protagonistas em filmes que pretendiam fazer passar uma imagem de exotismo e poder para o estrangeiro. O cigano converteu-se num cigano sem comparação, que se divertia, com uma maneira particular de vestir e de viver, e que experimentava um mundo novo.

Quanto às ocupações profissionais, a mais expressiva é a tradicional venda ambulante em feiras e mercados. Ainda assim, é cada vez maior o número de ciganos com profissões ligadas à arte e ao espetáculo, especialmente em Espanha.

Se os ciganos sempre estiveram ligados à ideia de bruxarias e magias, na Península Ibérica é a Pastoral Cigana da Igreja Católica que reúne a maioria dos crentes. Existem também grupos que professam outras religiões, como as Testemunhas de Jeová ou a fé Baha’i.

Os jovens ciganos enfrentam o desafio de definir a sua identidade cultural e projectar o ser cigano no mundo a que pertencem. Existe ainda um grande número de ciganos jovens em situação de exclusão ou desvantagem social, sem lugar nas políticas de juventude e nos espaços de socialização juvenil. Cabe a esta geração pôr-se a par das novas tendências e adaptar as suas crenças ao novo panorama social.

Histórica e socialmente discriminadas, as mulheres ciganas já venceram muitas barreiras. Podem, finalmente, ter acesso à educação e à formação, trabalhar fora do meio familiar e exigir igualdade na educação, acesso a cuidados de saúde e autonomia para as suas decisões pessoais. Mesmo assim, estes direitos ainda precisam de maior consolidação, algo travada pelo facto de a mulher assumir papéis subordinados à autoridade masculina.

A família é o núcleo central da comunidade cigana. A maior força identitária para cada indivíduo é o sentimento de pertença a determinada linhagem. As características da sua forma de vida actual, como a tendência para a fixação em meios urbanos e o acesso generalizado à educação, fez com que as estruturas familiares se adaptassem a estas novas condições. As famílias ciganas têm cada vez menos filhos, há mais casais mistos e o casamento começa a realizar-se numa idade mais tardia do que aquela que era habitual. A adaptação aos novos tempos trouxe mais diversidade e surgem modelos familiares distintos dos mais tradicionais, embora respeitem a essência do ser cigano.

O longo percurso da etnia cigana está agora em aberto e para apreciação na exposição Vidas Ciganas – Lungo Drom, que teve início a 24 de Setembro e termina a 23 de Novembro de 2013, no Museu da Cidade de Lisboa. A entrada é gratuita.

Por Ana Paulo
Fotografias de Ana Paulo e Vidas Ciganas Lungo Drum

Gostaste deste artigo? Partilha-o!

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top