Fotorreportagem. Porque gritas tu?

O dia 8 de março reuniu vozes e rostos em torno da luta feminista. Em Lisboa, a marcha fez-se do Terreiro do Paço ao Rossio, caminho ao longo do qual se ouviram alertas contra a constante discriminação no quotidiano das mulheres e se repetiram exigências de mudança. Cada cara conta uma história, reclama da velha verdade e demanda uma nova. Fomos unir a voz ao rosto.

Isabela. Liberdade.

“Grito porque parece que existem apenas dois tipos de seres humanos na Terra e que um tem de matar o outro.” (Teresa Oliveira)
“Nós, mulheres, não somos propriedade de ninguém. Temos a nossa liberdade e só manifestando-nos, mostrando que estamos contra, é que as coisas podem mudar. Temos de dar a cara.” (Teresa Oliveira)

Paulo. Condições laborais.

“Estou cá pela necessidade de isto não ser uma luta só de mulheres. Por ser uma luta pela igualdade. As mulheres trabalhadoras sofrem constantemente, pela diferença salarial, pelo assédio no trabalho, pelas condições laborais precárias, e é importante estarmos cá como classe e não só como mulheres.” (Teresa Oliveira)

Sofia. Educação.

“Vim lutar contra o machismo nas escolas. Quero um ensino democrático, onde haja educação sexual incluída.” (Teresa Oliveira)

Ana Encarnação (à esquerda). Estereótipo.

“Porque as mulheres têm de levantar as suas vozes pelos direitos, pela igualdade e pelos deveres de toda a gente. Já não consigo calar mais o que tenho na garganta.” (Teresa Oliveira)
(Teresa Oliveira)

Ema. Internacionalidade da causa.

“Grito pelo fim da desigualdade salarial, da pressão exercida sobre as mulheres no que toca às tarefas da casa, e da violência doméstica, não só em Portugal, como em Espanha, onde este ano já morreram oito mulheres vítimas deste tipo de agressão.” (Teresa Oliveira)

Carolina. Engate.

“Vim gritar por todas as pessoas que não conseguem sair à rua e sentir-se confortáveis. Este é um assunto muito sensível para mim, e afeta-me todos os dias, quando saio à rua, vestida como quero, e não consigo passar numa rua sem ouvir um piropo. E depois penso: “se calhar devia ter trazido calças hoje”. (Teresa Oliveira)
(Teresa Oliveira)

Teresa. Eco da história.

“Por aquilo que atormenta a história da humanidade no que toca ao feminismo: a falta de direitos e a discriminação por parte de instituições que se deveriam pautar pela aplicação dos direitos humanos e da constituição. Por isso é muito importante manifestarmo-nos, para que a opinião pública se altere e para que as mulheres deixem de ser tratadas desta maneira. A violência doméstica é dramática, chocante, e deveria envergonhar qualquer sociedade. Deve, sobretudo, envergonhar as instâncias que têm a responsabilidade de fazer cumprir o que está quer no plano dos direitos humanos e da constituição, quer no plano daquilo que é o código ético humano.” (Teresa Oliveira)

Américo (à direita). Impunidade.

“Venho gritar contra o machismo, contra a violência e contra a impunidade. A impunidade nos casos de crimes cometidos por homens, envolvendo violência contra as mulheres, ajuda a que se continue a cometer esses crimes. Tem de se punir com rigor todos os homens responsáveis por esse tipo de atrocidades.” (Teresa Oliveira)

Raquel (à direita). Emancipação.

“Pela emancipação de todas as mulheres. É fundamental estarmos todas unidas e combater o patriarcado. Sofremos todas ataques, umas numa escala menor e outras, infelizmente, numa escala maior, mas é imprescindível que todas tenhamos consciência do que está a acontecer.” (Teresa Oliveira)

David. Violência doméstica.

“Porque, mesmo já tendo vindo várias vezes, este ano tem um significado especial. O ano vai com três meses e já houve 14 mortes de mulheres às mãos de homens e familiares. A luta pelo fim da violência doméstica deve ser de todos, e exige que venhamos para a rua e que cada vez sejamos mais a gritar pelo seu fim.” (Teresa Oliveira)

Mafalda. Por nós.

“Por nós. Pela igualdade. Pelas mulheres. Pelos homens. Por um mundo melhor. Por um mundo justo, de que tanto precisamos. Pelas mulheres que têm sido silenciadas ao longo da história. Por um mundo em que todos tenhamos os mesmos direitos e a mesma dignidade. Venho dar a voz a um mundo que precisa dela. Um grito por nós.”

Miriam. Por um futuro em que não tenha de vir cá.

“Porque sou mulher e porque cada vez mais sinto que a igualdade de género ainda não chegou ao ponto em que devia estar. Estou a gritar pelas mulheres que já sofreram e por aquelas que ainda sofrem. Estou a gritar por um futuro em que não tenha de vir cá.” (Teresa Oliveira)

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