Galerias romanas abrem duas vezes este ano

São longas as filas de espera para descer às galerias.
São longas as filas de espera para descer às galerias.

Anualmente, as galerias romanas da Rua da Conceição podem ser visitadas durante apenas três dias. Mas, este ano, o Museu da Cidade de Lisboa decidiu abrir esta memória dos tempos romanos mais uma vez do que o habitual.

Visitar este monumento é uma oportunidade que não se pode perder. Graças ao Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, comemorado a 18 de abril, mas cujas celebrações se estendem de 12 a 20, o alçapão romano é certamente, durante este mês, uma das maiores atrações turísticas da capital.

A primeira abertura já decorreu no passado fim de semana e a segunda está agendada para o fim do verão, em setembro, como habitualmente acontece, no contexto das Jornadas Europeias do Património.

Esta construção romana, situada no subsolo da Baixa, permaneceu escondida da História durante séculos. Em 1771, durante a reconstrução da cidade após o grande terramoto de 1755, surgiram pela primeira vez notícias da sua existência. Hoje em dia, sabe-se que se trata de um criptopórtico, um dos raros existentes em Portugal. Esta solução arquitetónica é uma construção em forma abobadada que os romanos usavam em terras instáveis para servir de plataforma de suporte a outras edificações.

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A descida a esta construção subterrânea é uma lição de História in loco. As visitas, realizadas num ambiente penumbroso, labiríntico e bastante húmido, são guiadas por técnicos do Museu da Cidade e do Centro de Arqueologia de Lisboa (CAL). Porém, apenas dois terços do espaço são visitáveis, já que os coletores de esgoto da cidade, construídos a partir do século XVIII, truncaram um terço da área das galerias.

Aproximadamente durante vinte minutos passeia-se por uma curta rede de galerias perpendiculares, por celas dispostas lateralmente a algumas das galerias, e por um corredor com menos de um metro e meio de altura. Percorrendo este corredor chega-se às Galerias das Nascentes, ou “Olhos de Água”, onde, de uma fratura contínua, brota a água que invade todo o recinto – era aqui que nascia o Poço das Águas Santas, conhecido pelas águas milagrosas, que curavam os olhos.

Ainda nesta pequena excursão podem observar-se arcos em cuidada cantaria de pedra almofadada – uma técnica típica dos inícios da época imperial romana. Nas abóbodas são visíveis as marcas das tábuas de madeira que serviram para a construção do edifício, e podem ver-se as várias aberturas circulares utilizadas como bocas de poço, mas que, desde o século XIX, se encontram fechadas.

A afluência de pessoas é arrebatadora para um sítio de tão pequena dimensão. As filas crescem desde o nascer do sol, obrigando os mais pacientes a esperar longas horas para realizar a desejada visita. Mesmo com uma média anual de 5000 visitantes, muitas centenas ficam de fora, adiando a sua visita para o ano seguinte.

Texto: Ana Bento

Imagens: Ana Rita Caldeira

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