Histórias com Pelo: Um projeto que alia a literatura à causa animal

Rita Dias e Ricardo Duarte Silva, voluntários da Casa dos Animais de Lisboa (CAL), lançaram um novo desafio: “Histórias com Pelo”.

O projeto: a união da palavra com a imagem

O projeto, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, pretende incentivar a adoção dos animais que estão cativos em canis através das suas próprias histórias, escritas e divulgadas nas redes sociais da CAL. A ideia deste projeto surgiu quando os dois voluntários decidiram unir as palavras às imagens: Rita é professora, logo sabe comunicar de forma ágil; e Ricardo, enquanto fotógrafo profissional, tem a sensibilidade estética da imagem.

Rita e Ricardo contam com a ajuda de outros trabalhadores para tornar possível a realização deste projeto: Joana Silva, assistente de fotografia, e os técnicos da CAL, que auxiliam Ricardo durante as sessões fotográficas.

Os voluntários procuram, essencialmente, aumentar o número de adoções. Para isso, dão a conhecer os cães residentes na CAL, tornando-os visíveis de uma forma diferente e mais criativa.

Os promotores desta iniciativa endereçaram o convite para a participação neste projeto a vários escritores, pensadores, filósofos e pessoas do ramo artístico com aptidão para a escrita e sensíveis à causa animal. Dos cerca de 40 convites enviados, houve apenas duas ou três pessoas que não aderiram por indisponibilidade de tempo ou por imperativos profissionais. Os restantes mostraram-se disponíveis e reconheceram o mérito do projeto, caracterizando-o como sendo “sensível e bonito”, de acordo com as palavras de Rita.

Os voluntários Ricardo e Rita. Foto tirada por Joana Silva.

A importância de uma adoção responsável

“São animais, na sua maioria, vítimas de agressões, que mais tarde são abandonados. A CAL recolhe e assiste-os até à sua adoção”, descrevem os criadores deste projeto.

Antes de se associar à CAL, Rita já fazia voluntariado com pessoas sem-abrigo. Tornou-se voluntária da Casa enquanto acompanhava uma rapariga toxicodependente que vivia nas ruas de Lisboa com três cães. Rita, juntamente com uma equipa multidisciplinar, pretendia que a rapariga fosse ajudada através da inserção numa comunidade terapêutica, mas esta comunidade não tinha possibilidade de acolher os animais. A Casa dos Animais de Lisboa acolheu estes três cães e a voluntária acompanhou-os até serem adotados.

Rita considera o trabalho de voluntariado na CAL muito gratificante. “É uma experiência altamente enternecedora. O nosso lado humano intensifica-se com o facto de ajudarmos estes animais e também, sempre que eles são adotados, ajudarmos as pessoas e as famílias que descobrem aqui novos seres que mudam as suas vidas”, afirma.

A associação tem cães institucionalizados que vieram de pessoas a quem foram retirados por sofrerem maus tratos, ou por terem sido utilizados para situações de luta. “Os animais demonstram muito medo quando chegam à associação. Este historial de violência faz com que eles não se consigam entregar tão facilmente aos cuidados dos voluntários.”, conta Rita. “Alguns destes animais são atirados de viadutos e chegam com as patinhas partidas e irreversivelmente irrecuperáveis”, acrescenta. Há também animais que chegam à Casa ainda bebés e que, passados seis anos ou mais, não foram adotados.

Rita conta que a altura do ano em que há mais adoções é o Natal. “Chega o Natal e toda a gente quer adotar um cão ou um gato. Depois, passadas umas semanas, devolvem-nos. É triste”, confessa. Ricardo reforça a importância de saber como adotar de forma responsável, tendo sempre em conta a disponibilidade temporal e as condições em que se vive, garantindo o bem-estar dos cães e dos gatos acolhidos. 

Um projeto com sucesso

A resposta das pessoas tem sido positiva, uma vez que estas demonstram interesse em conhecer os cães. Até agora, em quatro publicações, já foram adotados três cães.

Na opinião de Rita, o universo das palavras pode trazer não unicamente a história de um cão em particular, mas a de qualquer um deles. “Ao autor é pedido que se inspire na realidade e que, com o seu olhar, possa trazer uma outra realidade. É um recorte que está na mente do autor e que é aplicado àquele cão em especial”. É uma secção que está na imaginação dele e que é aplicado àquele cão em especial”.

 

 

Montagens: Joana Melo

Ilustração: Maria Kurgy

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