Incêndio da Catedral de Notre Dame

IAN LANGSDON/EPA
IAN LANGSDON/EPA

A tragédia da Catedral de Notre Dame apanhou todos de surpresa. As imagens dos estragos correram o mundo inteiro, fazendo capa em vários jornais. Um local histórico, repleto de peças importantes para a história mundial, ficou praticamente destruído em poucas horas. Porém, a situação podia ter sido muito pior se não fosse a intervenção rápida e cirúrgica dos bombeiros franceses. Falámos com o Segundo Comandante dos Bombeiros de Carnaxide, Fernando Almeida, para perceber melhor a intervenção dos operacionais gauleses.

1 - Como é que os bombeiros poderiam ter agido para evitar o alastramento do fogo?

Só havia uma maneira de atuar numa situação destas: combater o fogo de cima para baixo. Era imperativo não deixar o fogo propagar-se para outras áreas, arrefecendo as zonas do edifício que não estavam a arder. Numa situação em que o fogo já chegou ao teto não há muito a fazer. Isto pode fazer confusão às pessoas, mas às vezes não se combate o fogo diretamente; é melhor proteger o que ainda não ardeu. No caso da Notre Dame, é bom relembrar que havia uma estrutura toda de madeira que não estava preparada para um incêndio. Por ser um local religioso, não tinha um sistema anti-incêndio, que normalmente fica suspenso no teto. O fogo foi combatido da maneira mais correta.

2 - O Presidente dos EUA, no seu Twitter, aconselhou o uso de meios aéreos para apagar o fogo. Mas esses meios não chegaram a ser usados. Por que razão não se pode usar uma grande quantidade de água para combater este incêndio?

Não se usaram, nem se podiam usar meios aéreos. A descarga de um avião liberta várias toneladas de água, e isso seria muito prejudicial para toda a estrutura do edifício. Se fosse num edifício novo, em betão, essa possibilidade podia estar em cima da mesa. Mas, num edifico antigo e de madeira, usar esses meios ia estragar mais do que o próprio incêndio.

3 - Em Portugal, há um grande historial de incêndios florestais. Haverá algum local (histórico ou não) que corra o mesmo risco da Catedral de Notre Dame?

À primeira vista, não me ocorre nenhum sítio em Portugal que corra o mesmo risco que a catedral. Porém, isso não quer dizer nada. Há situações em que é muito difícil prever quando pode um fogo deflagrar e destruir centenas de anos de história. Imagine-se que em Notre Dame houve uma mão criminosa por detrás do incêndio: nestes casos torna-se mesmo impossível prever algo. Tínhamos de ter bombeiros e viaturas em todos os locais.

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