Jair Bolsonaro, o terramoto político

(Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Foi uma das figuras mais controversas do mundo político em 2018. Visto pelos seus simpatizantes como solução e pelos seus adversários como raiz do problema, Jair Bolsonaro venceu as eleições brasileiras e, no dia 1 de janeiro, vai tomar posse como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil

O seu nome representa um dos grandes “terramotos políticos” de 2018. A eleição do antigo capitão do exército brasileiro Jair Messias Bolsonaro gerou ondas de choque pelo mundo inteiro, provocando reações um pouco por todo o globo. Venerado como um mito por uns e acusado de ser fascista por outros, o candidato do Partido Social Liberal (PSL) foi uma das figuras mais polarizadoras do ano de 2018.

Com o Brasil mergulhado numa profunda crise política e económica desde 2014, ano em que a então presidente brasileira, Dilma Rousseff, foi alvo de um processo de impeachment, a onda de insatisfação social abriria portas a uma solução alternativa, ainda que pouco consensual. A braços com o escândalo de corrupção que desencadeou a operação Lava-Jato e que culminou na detenção do antigo presidente e líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula da Silva, o maior partido brasileiro viu-se em grandes dificuldades para escolher um candidato que se mostrasse suficientemente popular para se opor à crescente popularidade de Jair Bolsonaro.

O PT viria a escolher Fernando Haddad, antigo ministro e presidente da câmara de São Paulo, para fazer frente a Bolsonaro, ainda que sem efeito. Depois de uma campanha que ficou marcada por várias declarações polémicas, com adversários a acusarem o antigo capitão de ser racista, homofóbico, xenófobo e misógino, e também por um atentado contra a sua vida, Jair Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito 38.º Presidente da República Federativa do Brasil, com 55,1% dos votos na segunda volta das eleições presidenciais, no dia 28 de outubro. O seu adversário, Fernando Haddad, do PT, obteve 44,9%.

Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad na segunda volta. (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Agora, a poucos dias da tomada de posse, o presidente eleito do Brasil já completou a indicação dos seus 22 futuros ministros, dos quais se destaca o juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública. Num processo de transição complexo, no qual as bancadas multipartidárias do congresso representam um papel muito significativo, Bolsonaro vai contar com o apoio de três grupos: a bancada ruralista, que representa os interesses agrícolas do Brasil; a bancada da bala, composta por militares; e a bancada evangélica.

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