João Ferreira na luta por “uma Lisboa viva”

O longo historial de candidaturas de João Ferreira conta agora com as eleições autárquicas de 2021. Pela terceira vez consecutiva, o deputado é a escolha da Coligação Democrática Unitária (CDU) na corrida à Câmara Municipal de Lisboa. Este ano, surge com o lema “Por uma Lisboa viva. Pelo direito à cidade”.

Nascido e criado na capital portuguesa, João Ferreira licenciou-se em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Na sua vida académica, cedo deu sinais de um forte sentido interventivo ao integrar a direção da associação, da assembleia de representantes e do conselho pedagógico. “É a altura em que começamos não apenas a dar mais atenção ao mundo à nossa volta, mas também nos passamos a aperceber de injustiças e desigualdades que percorrem a nossa sociedade”, explica. Entre os anos de 1997 e 2001, foi ainda membro do Senado e da Assembleia da Universidade de Lisboa.  

O candidato procurou sempre conciliar o seu interesse por biologia com a participação cívica: “Quando acabei o curso, tinha evidentemente intenção de, enquanto cidadão e desenvolvendo a minha profissão, continuar a ter intervenção politica”. Após finalizar a licenciatura, enveredou na área de investigação em biologia, chegando a fazer parte da Associação de Bolseiros de Investigação Científica. “Só ao fim de 10 dez anos de ter desempenhado a atividade como biólogo profissionalmente é que iniciei a tempo inteiro a tarefa de deputado ao Parlamento Europeu”, conta. Só se escreve biologia com caixa alta se for o nome da disciplina na universidade. Neste contexto, é uma área.

Desde 2009 que passou a ser deputado do PCP ao Parlamento Europeu, cargo do qual abdicou em julho de 2021 para se focar nas eleições autárquicas. Em 2013, tornou-se vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa.“ Creio que quer uma, quer outra função me deram, tanto sobre a cidade como sobre dimensões de intervenção política nacional e europeia, um conhecimento e uma experiência que são úteis desde logo nas funções a que neste momento me candidato”.

Com apenas 42 anos, o seu percurso eleitoral não se limita às eleições autárquicas da capital, das quais também fez parte em 2013 e 2017. O nome do deputado surgiu na corrida ao poder tanto no Parlamento Europeu em 2014 e 2019, como nas eleições presidenciais de 2021. Em qualquer uma das situações, João Ferreira revela ser uma recorrente aposta eleitoral do PCP.

Nestas eleições, e como aconteceu nas presidenciais de 2021, o candidato à CM Lisboa é representante de uma coligação entre o PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”) e o PCP (Partido Comunista Português). Já enquanto deputado europeu, João Ferreira foi membro da coligação Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde, uma coligação que ainda hoje existe e que conta com a colaboração de partidos como o PCP e o Bloco de Esquerda.

A candidatura da CDU à capital foi anunciada a 12 de abril de 2021. No discurso, João Ferreira deu ênfase às áreas que considera que necessitam de intervenção para tornar Lisboa na cidade que os cidadãos merecem: “Lisboa perdeu gente ao longo dos anos, mas, acima de tudo, tornou-se mais desigual. E é essa desigualdade na fruição dos benefícios na vida da cidade que penso ser fundamental combatermos”. Destacou a especulação imobiliária, sobre a qual considera ser urgente agir, de forma a serem criadas bolsas de arrendamento. “É preciso ter políticas de produção de habitação pública para arrendamento a preços acessíveis”, afirma..

As políticas de mobilidade sustentável estão também no topo de prioridades do deputado comunista para os planos de Lisboa. Após ressalvar o facto de a coligação já ter conquistado o passe intermodal, que foi fruto de “ uma batalha de quase 20 anos da CDU”, João Ferreira acrescenta que a linha metropolitana deveria ser expandida para a zona ocidental,nomeadamente, prolongando a linha amarela até Loures. Juntam-se ainda preocupações relacionadas com a promoção cultural que enfrentou vários constrangimentos perante a situação pandémica. O político esclarece que “o objetivo da CDU é tornar Lisboa numa cidade de dimensão cultural qualificada, na qual se conjugam as variadas expressões e manifestações culturais, da cultura popular à cultura erudita”.

A luta de João Ferreira pelo poder procura, acima de tudo, oferecer aos portugueses uma terceira força política, apresentando-se como  alternativa à bipolarização de governos entre PS e PSD.  E enfatiza: “É para assegurar a todos o direito à cidade que nós aqui estamos.” A esperança de dar resposta às necessidades dos lisboetas que se reveem nas minorias descontentes é, como assegura o deputado, uma das principais motivações que o acompanham nesta campanha eleitoral, “em busca de uma Lisboa viva”.

Foto de capa cedida pelo entrevistado

Artigo revisto por Andreia Custódio

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