João Patrocínio: A voz nacionalista na corrida à Câmara de Lisboa

Nascido em Lisboa, João Patrocínio tem 49 anos e é empresário na área dos seguros. Trabalhou muito tempo fora de Portugal, nomeadamente em Angola, na República da Irlanda e nos Países Baixos. Quando regressou, começou a comparar aquilo que se fazia no exterior com aquilo que se fazia cá dentro. “Portugal tinha, e tem, um potencial enorme que não estava a ser aproveitado pelos sucessivos governantes”, recorda o agora candidato à Câmara de Lisboa pelo Ergue-te. 

Se na juventude nunca se tinha identificado com nenhum partido, o mesmo não aconteceu na vida adulta. Ao chegar a Portugal, e face à realidade com que se deparou, João decidiu “que tinha de fazer alguma coisa”. Em 2009, inscreveu-se no Partido Nacional Renovador (PNR), no qual identificou uma maneira de pensar o país e de pensar a política semelhante à sua. 

Fundado em 2000 sob o lema “Nação e Trabalho”, o PNR passou a Ergue-te em 2019. Nas eleições legislativas de 2015, o partido nacionalista de direita conseguiu alcançar o melhor resultado de sempre, acabando em 9.º lugar na corrida eleitoral, com 0,5% dos votos. 

“A nossa identidade é uma e não pode ser alterada”

Foi o conselho nacional do Ergue-te que indicou o nome de João Patrocínio para a autarquia de Lisboa. “Estando no partido como estou em tudo na vida, se as pessoas decidem que eu tenho as capacidades [necessárias], só tenho de dar o meu melhor”, explica o candidato. No entanto, esta não é a primeira vez que João entra na corrida eleitoral: candidatou-se à autarquia de Lisboa em 2013 e à de Almada em 2017. Nas legislativas de 2011, 2015 e 2019, concorreu por Setúbal, e em 2019 apresentou-se ainda como candidato ao Parlamento Europeu. 

Combater o multiculturalismo e a substituição populacional e devolver a cidade de Lisboa aos lisboetas são os temas da campanha do candidato, que no site do Ergue-te se caracteriza como combativo e empático. Explica que percebe e aceita a existência de diferentes culturas. No entanto, afirma: “A partir do momento em que o multiculturalismo no meu país, na minha cidade, na minha Lisboa, vem impor determinadas regras, eu não aceito. A nossa identidade é uma e não pode ser alterada.” O nacionalista diz “existirem outros problemas a resolver antes deste” e destaca “a educação, a circulação na cidade e a habitação”. 

“Há demasiado facilitismo”

Atualmente, o Ergue-te está a criar um espaço dedicado aos jovens dentro do partido: a juventude da Ala dos Namorados. Além disso, apresenta Ricardo Santos como candidato à Junta de Freguesia de Carnide, sendo o único jovem do partido a participar na corrida autárquica. 

João Patrocínio defende que existe uma cultura de facilitismo para com a juventude. E exemplifica: “Se os jovens estiverem atentos ao que se está a passar no nosso país, veem que um jovem com 16 anos pode mudar de sexo, mas não pode tirar a carta. É isto que é preciso ver. E isto não é ser radical ou extremista, ou excluir essas pessoas.” O candidato pede ainda aos mais novos para terem mais sentido crítico e para se interessarem mais por aquilo que acontece nas cidades onde vivem.

“Não me considero um extremista, como muitos dizem. Sou extremista a defender aquilo que acho que tenho de defender ao extremo. Tenho um amor extremo pelo meu país. Se por isso sou extremista, que seja. Defendo Portugal e os portugueses em primeiro lugar, mas não prejudico ninguém para beneficiar os nossos”, reforça. 

“Não somos condicionados por nada”

O nacionalista de direita sabe que ganhar a corrida autárquica em Lisboa não é fácil e considera que o problema reside sobretudo nas empresas camarárias: “O Partido Socialista toma conta de empresas camarárias. Todos estes trabalhadores vão votar no PS porque querem perpetuar-se nas empresas.” E conclui dizendo que, “com este PS, isto está como nunca esteve. Antigamente, ainda tinham alguma vergonha; agora, não têm vergonha nenhuma. E é isso que vamos combater.”

Se for eleito, o cabeça de lista pelo Ergue-te estará na linha da frente sempre que for necessário denunciar “determinadas situações, sejam elas quais forem e sem medo”, garantindo que não se calará perante “injustiças, corrupções e democracias encapotadas de ditaduras.” João Patrocínio termina apelando à ida às urnas, sobretudo aos lisboetas que procuram uma voz diferente: “Não somos condicionados por nada. É isso que nós fazemos. Somos livres a defender aquilo que defendemos, sem nenhuma pressão.” 

Foto de capa: Site oficial do partido Ergue-te 

Revisto por Andreia Custódio.

Scroll to Top
0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap