João Tordo: “Para mim, vir à Feira do Livro passou a ser uma peregrinação anual”

Foi no primeiro dia da 91.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, 26 de agosto, que, por volta das 17h, se fez fila em frente ao stand da Penguin Random House para se receber um autógrafo de João Tordo. O motivo foi a realização de uma das primeiras sessões de autógrafos, que são parte essencial da Feira do Livro deste ano. O escritor português, autor de dezasseis obras, estará presente em seis dias da feira.

O 8.ª Colina, após a sessão, esteve à conversa com João Tordo, que sublinhou a importância da realização da Feira do Livro, principalmente agora. A situação pandémica impossibilitou o escritor de viajar por Portugal e pelo estrangeiro, como era habitual, comprometendo assim o seu contacto com os leitores através das visitas que realizava a escolas, bibliotecas, universidades e colóquios.

João Tordo não parou durante as duas horas da sessão de autógrafos. O autor confessa que, normalmente, “num primeiro dia de feira”, não tem à sua espera “esta gente toda”, o que vê como “um bom sinal, sinal de que as pessoas estão sequiosas, com saudades de vir ter com os autores, de ter os autógrafos e de comprar os livros”. A elevada afluência está relacionada, para João Tordo, com o facto de este ser um dos primeiros “pontos de encontro entre leitores e escritores” no período pós-pandémico.

 Tordo, nascido no ano de 1975, conta como a Feira do Livro é um ponto alto do seu ano. O autor recorda o tempo da Feira quando tinha apenas 12 anos: “Era um lugar saudável. As pessoas vêm com bom espírito, e já na altura isso se sentia.” O evento, que atrai visitantes de vários lugares, passou a significar “uma peregrinação anual”.

Autor de romances, ensaios e policiais, João Tordo volta a este último género com o seu mais recente livro, Águas Passadas. Tendo já publicado um policial, João Tordo confessa que “este é o primeiro policial mais enraizado no género”, dado que o anterior “tinha um lado ainda muito colado aos romances mais habituais”. Aventurou-se, assim, sem saber se conseguiria levar o projeto a bom porto, num género que tem as suas próprias regras, a sua métrica e o seu ritmo. Mais uma vez, Tordo recorda os tempos em que comprou os seus primeiros livros, que eram precisamente policiais, de Sherlock Holmes aos livros da Coleção Vampiro: depois de ter começado por esse género como leitor, está agora a fazer o seu próprio percurso dentro do mesmo enquanto escritor.

Dois livros em particular marcaram o percurso de João Tordo: o escritor considera ter aprofundado o seu estilo com O Luto de Elias Gro, e diz ter gostado especialmente de escrever Ensina-me a voar sobre os telhados, devido à sua temática. Sobre livros de outros autores, O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago, deixou-o maravilhado. “Aquilo, de facto, foi um chuto na cabeça. É um livro extraordinário.” Também A Trilogia de Nova Iorque, de Paul Auster, e Os Detetives Selvagens, de Roberto Bolaño, são livros que lhe mudaram “a perceção daquilo que a leitura pode ser e até onde pode chegar”.

Relativamente a novos projetos, Tordo revela estar a aproveitar o verão para trabalhar num livro que sairá em março de 2022.

Cheira bem, cheira a Feira do Livro” – Que livros sugere João Tordo?

João Tordo deixa duas sugestões da escritora americana Elisabeth Strout, que o autor julga estar “a fazer o melhor da literatura americana deste século”. Os livros que destaca são Olive Kitteridge e Meu nome é Lucy Barton.

Reportagem de Joana Margarida Fialho e Marta Carvalho, com edição de Laura Costa

Fotografias por Andreia Custódio

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