Joaquim Furtado, a voz do primeiro comunicado na madrugada do MFA

Joaquim Furtado tinha começado a experimentar o gosto pela rádio em 1966, na Rádio Universidade, com uma criação em volta de um poema de António Gedeão que viria logo a ser censurada, por ser considerada crítica relativamente à guerra colonial.
Precisamente a guerra colonial viria a ser o tema para uma grande investigação que Joaquim Furtado iniciou três décadas depois e que deu origem à premiada série de documentários televisivos “A Guerra”, da qual estão foram exibidos 42 episódios. É uma investigação que envolveu centenas de horas de visionamento de filmes e a realização de mais de 200 entrevistas que abriram novas visões sobre os infernos da guerra portuguesa em África, que se prolongou de 1961 a 1974.
Entre o primeiro contacto com os microfones na Rádio Universidade e este trabalho para a posteridade com a série “A Guerra”, Joaquim Furtado exerceu vasta, multifacetada e premiada actividade como jornalista. O percurso, multifacetado, passa pela rádio (RCP, RR e RDP), pela imprensa escrita (Diário de Lisboa, Gazeta da Semana, revista Grande Reportagem e Público – onde foi Provedor do Leitor) e pela televisão, a RTP, onde fez de tudo, seja reportagens, debates, apresentação de telejornais, criação de programas ou até a direcção geral da televisão pública.
Todos os que trabalham com Joaquim Furtado referem o seu máximo compromisso com a ética e deontologia tal como o perfeccionismo que chega a exasperar alguns.
Joaquim Furtado entende que “o senso comum” é uma ferramenta essencial para os jornalistas – enquadrado num espírito de exigência de uma reflexão séria sobre o que se vai contar.
Esta entrevista com Joaquim Furtado decorreu num café do Chiado, durante cerca de uma hora, a poucos dias dos 40 anos do 25 de abril. Ficam para ouvir excertos desta conversa com memórias sobre o 25 de abril de 74 e testemunhos da experiência de um extraordinário percurso profissional.

aquela noite no RCP
no tempo antes do 25 de abril
o 25 de abril contado aos netos
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Entrevista conduzida por Pedro Gonçalo Pinto

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