Jornalismo e Política. Que desafios?

Jornalismo e política são indissociáveis. A atividade jornalística é uma condição base para o funcionamento da democracia, fundamental no esclarecimento da opinião pública e na ligação entre cidadãos e políticos. É através dos meios de comunicação social que se criam as perceções coletivas sobre o que se passa no Mundo. Que lugar ocupa, então, o jornalismo político?

Sofia Rodrigues reconhece que na secção de política pratica-se bastante jornalismo partidário, uma vez que são os políticos e os partidos a base do sistema político. Mas a jornalista – que nas últimas semanas deixou de lado a habitual presença no parlamento para acompanhar a campanha eleitoral – considera importante “ir mais além do que a simples cobertura no terreno, assim como colocar temas para além disso, como por exemplo falar com politólogos ou analisar possíveis cenários eleitorais”.

Para João Manuel Rocha, esta abordagem é percecionada pelos políticos, que cada vez mais procuram “adaptar-se aos meios que permitem passar a sua mensagem”. A comunicação política é cada vez mais um elemento estratégico, e é neste sentido que se tornou frequente o fenómeno de spin doctoring. Apesar de ser um conceito complexo, normalmente são denominados spin doctors aqueles que, ao serviço do governo ou de partidos políticos, tentam manipular os jornalistas, transformando e simplificando uma mensagem política.

Perante o imediatismo e a enorme voracidade da notícia, estará o jornalista à mercê de uma prática perversa de spin doctoring? João Manuel Rocha não considera que tal seja inevitável. “Não vejo essa relação. Ter que escrever e perceber mais depressa pode tornar o jornalista mais suscetível de ser influenciado, mas eu diria que o jornalista tem é de continuar a fazer o que sempre fez, a uma velocidade superior. Verificar a informação, procurar cruzar a informação e validá-la, e só divulgar o que ele acha que é correto. Portanto, acelerará só nos procedimentos e no timing, mas não nas práticas”, afirmou.

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As pressões sobre os jornalistas – quer por parte de políticos, quer por parte de assessores de imprensa ou dos chamados spin doctors – são, apesar disso, uma realidade e Sofia Rodrigues confirma-o, perante a experiência que tem no exercício do jornalismo parlamentar. “Elas [pressões] existem, fazem parte. Temos de saber lidar com elas”.

Em tempo de eleições, a presença das sondagens é constante e inevitável. João Manuel Rocha mostra-se algo cético, no que diz respeito à influência que estas têm nos eleitores, considerando que “a influência das sondagens no comportamento dos eleitores é um terreno que ainda precisa de ser muito estudado, para percebermos as influências que têm”. Relativamente aos partidos, nomeadamente os partidos do governo, afirma que o desenrolar do resultado das sondagens “levou a uma mudança no tom e no registo durante a campanha”.

O papel do jornalismo político é, portanto, cada vez mais complexo e exigente e, para Sofia Rodrigues, a sua função é, acima de tudo, “descodificar e fazer seleção da informação”.

Texto: Pedro Reis
Fotografia: Beatriz Oliveira

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