Jornalismo online em Zoom

As cadeiras estiveram em minoria numa sessão paralela abrangente a abrir a primeira tarde do VIII Congresso SOPCOM. O painel de hoje trouxe-nos a companhia de Nair Moreira Silva, da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade Fernando Pessoa, Nuno Ricardo Fernandes, da Universidade da Beira-Interior, Juliana Fernandes Teixeira, da Universidade Federal da Bahia, e Ariane Parente Paiva, segunda oradora da Universidade Nova.

Nair Moreira Silva foi a primeira a intervir, à hora marcada, 14.30, com um estudo sobre a integração das redacções e o possível desaparecimento do jornalista como “one-man show”. A professora tentou esclarecer a confusão comum entre o conceito de integração e convergência para que os presentes percebessem as transformações adoptadas ou provocadas por estes modelos da comunicação, quando aplicados, passando assim a poder analisar essas mudanças “se é que se aplicam aos jornais portugueses”, deixava no ar. Mas rapidamente desfez as dúvidas. Esclareceu que “em Portugal não há nenhum estudo que aponte para a existência de uma redacção integrada”, não existe convergência, ou seja, o processo de reorganização das secções para que trabalhem como uma só ainda não teve início. “A integração é a sua base”, explica, ressalvando que os jornais possam ter uma opinião diferente da sua.

As aplicações Ipad na imprensa diária portuguesa foi o tema do estudo de Nuno Ricardo Fernandes e trouxe esperança à sessão: o Ipad podia ser a salvação da imprensa. Podia. Ao falar com o Oitava Colina dá a entender que só não é, ou não está a ser, porque passámos para o online à boa maneira portuguesa. “Surgiu uma esta nova plataforma e temos de colocar tudo lá. Vamos pensar depois em como é que resolvemos o problema financeiro. É uma avalanche, e parece-me que é o mesmo que está a acontecer com as aplicações”.

Juliana Fernandes Teixeira prevê mudanças expressivas na maneira de fazer jornalismo, e relaciona-as directamente com o domínio audiovisual, explicando que “existem cada vez mais novidades nos equipamentos de edição e gravação de vídeo que possibilitam a emergência não só de novas maneiras de contar histórias por meio do audiovisual como também novas exigências para os profissionais.”

A interactividade dos jornalistas com os leitores foi tratada por Ariane Parente Saraiva, que distinguiu a interacção da interactividade. Explicou a primeira com a ideia de “acção-reacção” como uma relação imediata entre os jornais e os leitores que não dá ao consumidor aquilo de que ele realmente precisa. Para a investigadora, a interactividade parece ser algo com maior alcance e por isso capaz de conseguir criar algum efeito nas pessoas. “Interacção como diálogo, interactividade como participação”.

Convidámos a professora Nair Moreira Silva a comentar estratégias online a que temos assistido por parte dos jornais, como a experiência do paywall, que nos disse que “no caso do Público a estratégia é direccionar o produto para ser um conteúdo pago. Já têm alguns conteúdos fechados ao público, como os de opinião. O grupo Cofina também, acho que até foi o primeiro. No caso dos outros jornais portugueses não há qualquer estratégia em relação ao paywall porque os conteúdos são todos abertos”. Nuno Ricardo Fernandes, simplesmente não acredita nessa experiência. “Quando vou, por exemplo, a um site como o Record e se quero ler uma notícia custa 86, ou 68 cêntimos… Podes comprar o jornal por 1 euro, acho que diz tudo”.

Por Diogo Borges

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