Reportagem da SIC e projeto de jornalismo independente vencem a 18ª edição dos Prémios AMI

Há quase 20 anos a promover um jornalismo comprometido, a Assistência Médica Internacional, voltou a distinguir trabalhos jornalísticos que combatam a indiferença da opinião pública.

Lançado em 1999, o Prémio AMI já galardoou cerca de cem jornalistas desde a rádio à televisão sem esquecer a imprensa escrita. “Os sobreviventes”, uma reportagem de Sofia Arêde, relatou o drama dos refugiados a bordo de um navio da Marinha portuguesa. Sofia Palma Rodrigues, Divergente/Público, foi premiada em ex aequo pela reportagem “Juventude em Jogo”. O júri considerou que a reportagem “aborda de forma inovadora o percurso tortuoso de muitos adolescentes aliciados a vir para a Europa à procura do sonho do estrelato nas quatro linhas”.

A cerimónia de entrega dos prémios foi precedida por um debate sobre as “Agendas do Jornalismo”. “As coisas mudaram”, afirmou Raquel Abecasis, diretora-adjunta de Informação da Rádio Renascença (RR). O jornalismo está diferente, mas apesar de admitir que há cada vez menos recursos para se fazer jornalismo, Raquel acredita que “há possibilidade de contar boas histórias”.

Um otimismo que não foi partilhado por Catarina Gomes. “Há coisas que hoje não são publicadas devido à falta de dinheiro”, afirmou a jornalista do Público. Catarina, vencedora do Prémio AMI no ano passado, recordou os despedimentos que ocorreram no jornal Público e noutros grupos de comunicação e que, a seu ver, “espelham” a falta de recursos.

Ricardo Alexandre, editor de internacional da RTP, foi outra das vozes que alertou para a necessidade de “gente qualificada” no jornalismo. “Por poucos que sejam os recursos, a qualificação está mais em falta”, disse.

O subdiretor do Diário de Notícias, outro dos convidados para o debate, reconheceu que “antigamente” havia outro investimento e “outra” qualidade. “É a falta de  recursos que impede o jornalista de estar fora da redação”. Quanto aos novos leitores, Leonídio Ferreira não esconde que hoje, com Internet, há uma “opinião pública mais exigente, que não precisa dos jornais nem dos correspondentes portugueses” para se informar sobre o que se passa no estrangeiro.

A aposta nas novas gerações foi recomendada por todos. Raquel Abecasis admite que “o desejável era haver uma renovação nas redações” mas o momento atual não permite essa dinâmica contratual. A jornalista da RR aconselhou aos estudantes de jornalismo da ESCS a “não desistirem” de lutar numa altura em que o mercado de trabalho é cada vez mais “restrito”. Ricardo Alexandre, editor de Política Internacional da RTP, concluiu avisando que o jornalista de hoje tem de ser mais “transversal” e “tem de saber fazer as coisas de forma diferente”.

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Texto: Gonçalo Nuno Cabral

Fotos: Inês Costa Monteiro

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