Judah Friedlander, o “Future President” em campanha eleitoral no Tivoli BBVA

Future President é o novo espetáculo a solo do comediante norte-americano Judah Friedlander. Esta passagem por Lisboa faz parte da sua tour europeia. Apesar de o seu solo de stand-up “America Is The Greatest Country in The United States” estar disponível na Netflix, Judah Friedlander não conseguiu encher a primeira plateia do Teatro Tivoli BBVA, facto que nos leva a crer que este espetáculo, nestas circunstâncias, deveria ter sido feito num espaço mais intimista. Guilherme Fonseca, um dos comediantes portugueses presentes no Tivoli, acha que “este comediante e este texto resultavam melhor em contexto de comedy club, numa sala com cem ou duzentos lugares, sem janelas, como aconteceu com o Louis C.K.”, que atuou no mês passado em Portugal, no Maxime Comedy Club.

Antes da atuação de Judah Friedlander, entra em palco uma cara já conhecida de quem segue o panorama da comédia em Portugal: Manuel Cardoso, que fez o Opening Act. Este, em palco, confessa que foi avisado apenas duas horas antes de que ia ser ele a “preparar” o público para Judah Friedlander. Na verdade, usou grande parte do texto que levou para o Maxime, onde abriu para Louis C.K. e para os seus convidados, Tony Woods e Joe Machi. “O próximo deve ser o Ricky Gervais”, disse Manuel Cardoso, entre risos, ao 8ª Colina, depois do espetáculo.

Manuel Cardoso (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)

Aquecimento feito. Inicia-se o espetáculo a sério. Surge então uma figura desleixada, curiosamente parecida com Karl Marx, toda vestida de preto, com os tão característicos óculos e um chapéu de camionista. 

Manuel Cardoso e Judah Friedlander (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)
Judah Friedlander (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)

Judah Friedlander começa por desmanchar o conceito de “ofensivo”: brinca com a sua definição, obrigando o público a deixar o politicamente correto à porta, e convida todos a sair da sala nas primeiras fases do espetáculo.

Judah Friedlander (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)

O seu texto tem uma premissa forte: Judah Friedlander quer ser presidente dos EUA. Em jeito de campanha eleitoral, anuncia as propostas que quer implementar quando for eleito. Pede perguntas ao público, que toca em quase todos os temas polémicos da sociedade norte-americana: aborto, eutanásia, controlo de armas, fascismo, Donald Trump. Mas também o ténis de mesa e o sistema métrico. Depois de responder a cada pergunta, agradece, algumas vezes de forma irónica, com o comentário “good question!”.

O espetáculo vive muito da interação do comediante com o público, num aparente improviso caótico que nos deixa na dúvida sobre se estamos perante um espetáculo sobretudo planeado, totalmente improvisado, ou algo a meio caminho. Ricardo Araújo Pereira, que também esteve presente, confessou ao 8ª Colina que admira bastante o trabalho do americano: “Ele está a responder a perguntas “improvisadamente”. É possível que uma vez ou outra haja uma coisa que o surpreenda. Acho impressionante o trabalho de construção que envolve este espetáculo: é trabalho de enciclopedista. Ou seja, ele tem de pensar num vastíssimo leque de assuntos, e ter algo para dizer sobre todos.”

Judah Friedlander (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)
Judah Friedlander (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)

É importante ressalvar que, mesmo apesar de a sala não estar cheia, várias caras conhecidas do humor português marcaram presença. “É um comediante de nicho, apreciado pelos comediantes. A média de punchlines por minuto é incrível”, comenta Manuel Cardoso, que apreciou bastante o desempenho de Judah Friedlander.

Judah Friedlander (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)
Judah Friedlander com alguns fãs (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)

Future President é diferente daquilo a que estamos habituados: perguntas, respostas, punchlines. Muitas punchlines. Tudo isto a um ritmo alucinante, e pontuado por uma arrogância em palco que se esbate no fim do espetáculo, quando Judah Friedlander se encontra com os seus fãs para conversar ou para tirar fotografias.

Apesar de não ter enchido o Tivoli, a passagem de Judah Friedlander por Lisboa é positiva: este espetáculo assinala mais uma página de uma nova cultura de humor em Portugal. Nos últimos meses tivemos por cá Jimmy Carr, Louis C.K e Judah Friedlander, e dentro de pouco tempo teremos Jim Gaffigan, não esquecendo os espetáculos dos artistas nacionais desta área, com bastantes datas agendadas no primeiro semestre do ano.

Judah Friedlander com alguns fãs (JOÃO PEDRO MORAIS/8ª COLINA)
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