“Livro Livre” explica o 25 de abril aos mais novos

O “Livro Livre” é uma outra forma de comemorar os 40 anos do 25 de abril, dando a conhecer a crianças e jovens este marco da história de Portugal e o seu legado.

Com o objetivo de pôr crianças e adolescentes a pensar sobre a revolução de abril de 1974 e a valorizar a democracia, o historiador Francisco Bairrão Ruivo e as ilustradoras Danuta Wojciechowska e Joana Paz criaram esta obra, com o selo da editora Lupa.

O “Livro Livre” lança um desafio aos mais novos. A ideia é que, através desta obra, se possam tornar ativos e que recolham eles próprios testemunhos de quem viveu este marco da nação portuguesa. É, assim, um livro reservado às famílias, que visa promover o diálogo intergeracional, e através dele os mais graúdos ajudam os mais pequenos a refletir sobre o significado da revolução dos cravos.

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Danuta Wojciechowska, Jorge Vala, Comandante Soares Rodrigo, Francisco Bairrão Ruivo e Joana Paz.

O fio condutor desenvolve-se com base na Constituição da República, apresentando-se, com recurso a vários artigos, uma resenha histórica dos últimos 40 anos, desde a Revolução.

Este é um livro que, além de divertir os mais novos, pretende ao mesmo tempo sensibilizá-los para a história de Portugal. Celebra-se a liberdade e, em simultâneo, alerta-se para a fragilidade de alguns direitos e para a importância da democracia. Se por um lado há a história, por outro há uma parte divertida, claramente ligada a uma vertente mais lúdica e pedagógica.

Folheando a obra, percebemos que esta aborda o assunto de uma forma apelativa e percetível, sem recorrer a uma linguagem simplificadora ou infantilizada. No fundo, apela-se à consciência dos mais novos para a seriedade deste tema. Curiosamente, a palavra “liberdade” é a mais sublinhada em todo o texto. Cada página é dedicada aos direitos e às liberdades fundamentais previstos na Constituição, e é ilustrada com excertos da mesma.

Este livro foi pensado para os leitores dos nove aos dezassete anos e inclui várias atividades – umas mais complexas que outras -, que podem ser trabalhadas num contexto familiar ou escolar. Os autores pensaram num projeto educativo para levar o livro às escolas, para que alunos e professores trabalhem o tema e realizem as atividades propostas durante o ano letivo.

A segunda apresentação da obra realizou-se no dia 16 de abril, pelas 18h30, na Associação 25 de Abril, e contou com as presenças do historiador Francisco Bairrão Ruivo, das ilustradoras Danuta Wojciechowska e Joana Paz, e de dois convidados: o comandante Soares Rodrigo e o professor Jorge Vala.

Segundo Jorge Vala, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, “o livro é um estímulo constante, para as crianças, à participação, à formação de pensamento próprio e à reflexão pessoal”. Jorge Vala considerou ainda a construção do pensamento próprio como um dos aspetos primordiais desta obra, que se baseia na negociação dos significados, na comparação entre acontecimentos e na criação de uma identidade.

Para Francisco Bairrão Ruivo, há uma questão central no contexto da celebração dos 40 anos do 25 de abril: “Como celebrar os 40 anos de democracia num momento tão difícil como o atual?” Muitos dos debates atuais sobre a revolução dos cravos e sobre o processo revolucionário de 1974/75 centram-se em interrogações como “valeu a pena?”, “estamos melhor do que há 40 anos?”, ou ainda “o que correu mal?”.

O longo caminho que a nação portuguesa percorreu para chegar à democracia pode ter tido erros, trazido algumas desilusões, comportado alguns excessos e alguns extremismos – mas será que ficou a meio caminho em muitas coisas?

“Inevitavelmente o consenso não é fácil e não existe nenhuma unanimidade. Mas tal não seria de esperar de uma democracia que nasce de uma revolução, e o que parece importante realçar é isso: a democracia portuguesa é o resultado de um processo revolucionário e de lutas sociais intensas, abertas por um golpe militar com características muito particulares. A democratização em Portugal não foi um processo linear, totalmente pacífico e sereno. Houve luta, instabilidade, alguma violência, e a iminência de golpes e contragolpes”, sublinhou o historiador.

A ilustradora Joana Paz finalizou a sessão elucidando o público sobre a vertente mais prática e artística do livro. Cada direito e liberdade mencionados neste projeto apresenta um desafio. Os desafios principais são as entrevistas propostas aos jovens, as quais deverão ser feitas no seio familiar e nas escolas. Trata-se, assim, de uma “ótima oportunidade para podermos registar estas experiências pessoais, que se vão perdendo com o tempo se não forem guardadas“, afirmou Joana Paz. Outros desafios, como a escrita criativa e o desenho, são igualmente sugeridos aos leitores. O incentivo à expressão artística é uma componente valiosa desta obra: proporciona aos mais novos o poder de se expressarem livremente, consoante as interpretações produzidas e os significados construídos a partir do livro.

O “Livro Livre” representa um contributo para a memória do que foi combater a ditadura e construir a democracia. Visa agradecer a quem o fez e homenagear quem sofreu, quem foi preso, torturado ou morto, procurando a participação da geração mais nova para registar a memória de quem viveu estes anos, para que esse património de experiências não seja esquecido com o passar do tempo. É uma forma de manter viva a lembrança: uma forma de recordar, para sempre, um dos mais importantes marcos da nossa história e de não desvalorizar quem sofreu às mãos do regime que silenciou Portugal durante 48 anos.

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A apresentação do livro realizou-se na Associação 25 de Abril

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto e Fotos: Ana Bento

Imagem do livro: Editora Lupa

 

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