Luzes, poncha, ação!

Iluminação e decoração na baixa do Funchal © Gonçalo Pereira

Ingleses, polacos, franceses, alemães, espanhóis, escandinavos e alguns portugueses são os que mais escolhem a ilha da Madeira nesta quadra festiva. A Madeira aposta tudo para que o retorno do investimento seja o melhor possível. Os comerciantes estão satisfeitos. “Este ano foi um Natal e fim de ano fantásticos. Não tenho razão de queixa”, diz Humberto Vieira, proprietário de uma loja de artesanato situada na baixa do Funchal. Quanto aos turistas, o madeirense de gema não tem dúvidas: “andaram por aqui muitos alemães e espanhóis. Até continentais”.

Mais do que um mês de “receitas” e investimento dezembro é o mês da “Festa”, época vivida intensamente pelos madeirenses com um sentimento muito especial. Na Madeira as celebrações de Natal e de Fim do Ano enchem de cor, luz e música toda a baixa funchalense que, nesta quadra, oferece um programa rico e extenso em manifestações de caráter etnográfico, religioso e artístico que perduram até ao dia 6 de janeiro.

No início do mês começam os preparativos para esta época com a confeção dos doces entre os quais o típico bolo de mel e os tão apreciados licores. O que também não faltou, nem poderia faltar, foi a famosa poncha madeirense. Feita com mel de abelhas, limão, laranja e aguardente esta bebida encanta os mais exigentes. Mónica Freitas, residente em Viseu, está na Madeira de propósito para esta quadra. “Nunca pensei ficar tão fascinada”, diz. “Até não gosto muito de beber, mas esta poncha é do melhor”. Mas o encanto não se fica por Portugal. O 8ªColina falou com um casal de britânicos que já visitam a “pérola do Atlântico” há mais de 10 anos. Britney e Scott Taylor afirmam que durante estes anos de visitas contantes encontram na ilha algo de diferente e emocionante. Scott é o mais fascinado: “podia ir para as Maldivas ou para o Havai, mas a Madeira é fantástica. As pessoas, a comida e o clima são o que mais aprecio”.

Se turistas não faltam, emigrantes também não. Para os que tiveram de ir em busca de uma vida melhor, o Natal é tempo de regressar à terra que os viu nascer e tempo de recarregar energias para o novo ano. Maria José Pita nasceu na madeira há 59 anos. Está emigrada na Venezuela desde os 32. “Vida de emigrante não é fácil. Esta época é a minha favorita porque posso estar sempre junto dos que mais amo”, diz-nos com alguma emoção.

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Se o objetivo de Alberto João Jardim e do seu governo, nesta quadra festiva, era agradar a gregos e a troianos, este ano a coisa correu mal. Apesar do investimento, não há madeirense que poupe nas críticas no que toca às iluminações de Natal. Desde a abertura da primeira fase das iluminações os comentários surgiam manifestando o desagrado pela iluminação deste ano. No entanto, ainda ficavam algumas expetativas para a segunda fase. Mas foi mais do mesmo. Nada de novidades, apesar das promessas feitas pela Secretaria da Cultura, Turismo e Transportes para este ano. Porém, a tradição já não é o que era.

Os populares apontam o dedo, criticam a falta de cor e de imaginação, opinam defendendo que deveriam ter sido aproveitados os exemplos de anos anteriores onde a tradição ainda era cumprida. A parte da criação dos desenhos técnicos e acompanhamento do processo de implementação dos mesmos, da responsabilidade do arquiteto Paulo David, custou 98 mil euros. Dinheiro mal investido, sublinha José Pedra. Residente no concelho do Funchal diz que não se lembra de ver um ano tão pobre em iluminações como 2014. Apesar de reconhecer o que de bom foi feito, considera inadmissível o “balúrdio” gasto tendo em conta a “pobreza” das iluminações.

Polémicas à parte, o melhor estava para vir: o início do programa das festas do fim de ano. Um evento que junta madeirenses e visitantes num convívio contínuo, que culmina com o grandioso espetáculo de fogo de artifício da passagem do ano no anfiteatro da baía do Funchal, reconhecido oficialmente pelo livro de recordes do Guiness, em 2006, como o maior espetáculo de fogo de artifício do mundo. O espetáculo pirotécnico, a cargo de uma empresa portuguesa, que assinala a entrada em 2015 na Madeira, custou 1 milhão de euros, teve 35 postos de fogo de artifício e mais de 130 mil disparos. Segundo a Administração dos Portos da região, o espetáculo foi acompanhado por 10 navios de cruzeiro ancorados na baía do Funchal. Entre tripulantes e turistas, estiveram cerca de 20 mil pessoas a assistir ao espetáculo nos mares da Madeira e mais uns milhares nas ruas mais próximas da baía.

Depois de se cumprir a tradição é tempo de regressar ao trabalho. Os emigrantes voltam para a terra que os acolheu e os turistas, que prometem voltar, para os seu países de origem. Os madeirenses, com a hospitalidade que o 8ªColina testemunhou, garantem estar sempre de braços abertos para todos quantos escolherem a Madeira como destino turístico.

Texto e fotos: Gonçalo Pereira

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