Madalena Jesus: a nova presidente da AE

Esta entrevista foi realizada antes do surto pandémico da COVID-19.

Madalena Marcelino Jesus tem 20 anos e desde pequena que lhe foi incutido um grande sentido de comunidade. No dia 2 de fevereiro de 2020, tomou posse da presidência da Associação de Estudantes da Escola Superior de Comunicação Social (AE ESCS). Mas não se esquece de que “existe uma Madalena para além da presidente da AE”.

De Belver para Lisboa

Madalena Jesus vem de Belver, uma pequena aldeia do concelho de Gavião, no Alto Alentejo. “Eu vivo numa aldeia onde não há nada. Não há nenhum supermercado, só há dois cafés, apenas 200 habitantes e quase nenhuns jovens.”

Em 2017, mudou-se para Lisboa: Passei de não ter nada a ter tudo”. Apesar de se tratar de uma realidade completamente diferente, a adaptação à capital foi fácil. Madalena confessa que sempre foi muito independente e que se adapta facilmente às circunstâncias.

O mundo da comunicação

Madalena sempre soube que o caminho a seguir passaria pela área da comunicação. O seu objetivo era ingressar em Gestão de Marketing no ISCTE, mas acabou por entrar em Jornalismo na ESCS, em 2017.

A escsiana é agora finalista, mas sabe que o jornalismo não faz parte dos seus planos. Apesar disso, tenciona aproveitar a vertente comunicacional da licenciatura e, mais tarde, complementar a sua formação com outros cursos. “Os meus objetivos pessoais para o futuro são trabalhar na área da comunicação – possivelmente em Marketing e Publicidade ou em Relações Públicas –, viver no interior e constituir uma família”.

Erasmus em Barcelona

No semestre passado, Madalena Jesus decidiu que estava na altura de abraçar um desafio diferente. Foi para Barcelona ao abrigo do programa Erasmus, porque achava que ir sozinha para outro país a faria crescer: “As minhas ideias [políticas] nada têm a ver com o meu percurso profissional ou com aquilo que eu possa acrescentar no meu currículo, mas sim com aquilo que ganho ao viver a experiência, diz a estudante de Jornalismo.

No entanto, a experiência foi completamente diferente daquilo de que estava à espera: Apercebi-me de que não tenho um perfil internacional. Não fui feita para ser emigrante”. Admite, ainda, que a língua catalã foi uma dificuldade, e o facto de a universidade que frequentava –a Universidade Pompeu Fabra– ser muito exigente fez com que não conseguisse aproveitar tanto a cultura e a vida académica da cidade como gostaria.

Foi difícil ficar cinco meses sozinha num país que não conhecia, depois de já ter construído a sua vida em Lisboa, mas a experiência serviu para se conhecer melhor a si mesma, diz.

O associativismo e o sentido de comunidade

Madalena Jesus vem de uma família no seio da qual o sentido de comunidade é muito valorizado: “Nós vivemos em comunidade e pela comunidade”. Desde pequena que Madalena se insere em projetos de associativismo, estando envolvida em todas as associações da sua aldeia.

O Clube Recreativo e Desportivo Belverense é uma associação de jovens que organiza eventos anuais, nomeadamente a Festa das Santas Relíquias, o maior evento da comunidade. Fazer parte do CRDB é uma tradição de família: primeiro foram os avós, depois os pais, seguidos pela irmã, e agora é Madalena que faz parte da associação, ocupando o cargo de tesoureira.

Para além disso, sempre participou em todos os projetos ligados ao Parlamento dos Jovens, fez parte da AE e da Comissão de Finalistas no secundário e envolveu-se em vários projetos de voluntariado.

A música

O percurso de Madalena não está só ligado ao associativismo. A música sempre esteve muito presente na sua vida. Aos cinco anos, Madalena entrou para a escola de música, começando por aprender a tocar flauta, e depois clarinete. Mais tarde, percebeu que o que queria mesmo tocar era saxofone. Esteve cinco anos no Conservatório e fez parte da Banda Juvenil do Gavião, onde tocava o tão desejado saxofone. Atualmente, Madalena deixou a música para se focar noutras áreas.

A Associação de Estudantes

Madalena Jesus entrou para a Associação de Estudantes da Escola Superior de Comunicação Social em março de 2018, na fase de entrevistas e recrutamento que a AE leva a cabo todos os anos.

Inicialmente, os Departamentos que mais chamavam a atenção de Madalena eram o Recreativo e o Cultural. Depois de passar na 1.ª fase de recrutamento e de fazer a entrevista, acabou por entrar para Recursos Humanos. Começou por ser colaboradora; no 2.º ano passou a vogal suplente, e agora assume o cargo de presidente

Madalena Jesus na Tomada de Posse como Presidente da AEESCS 2019-2020 (AEESCS)

Desde que assumiu o cargo, confessa que tem tido muito mais trabalho, bem como várias reuniões e compromissos todas as semanas: “A minha maior dificuldade a título pessoal tem sido perceber que existe uma Madalena para além da presidente da AE. Como me dedico tanto, perdi grande parte da minha agenda pessoal.”

Outra grande dificuldade, de acordo com Madalena, é fazer com que as pessoas percebam que a AE tem de funcionar como uma empresa e manter sempre o foco: “Apesar de sermos voluntários, entrarmos foi uma decisão nossa e, portanto, temos de assumir a responsabilidade.”

O primeiro passo foi “arrumar a AE”. Durante as férias, os membros dedicaram-se a arrumar o espaço físico, que, segundo Madalena, já estava um pouco desorganizado: “Se conseguirmos tornar a AE mais profissional, mais facilmente conseguimos dar resposta às necessidades dos estudantes”.

O principal objetivo da nova presidente passa por desmistificar a ideia de que a AE é uma elite que tem acesso a um conjunto de coisas que estão vedadas aos outros alunos: “Eu quero abrir as portas aos estudantes, porque a AE é dos estudantes. Nós só existimos porque eles existem.” Na atual situação de emergência provocada pela pandemia, a AE tem a sua atividade reduzida. Madalena diz que, neste momento, a sua função é ajudar na comunicação entre alunos e direção da ESCS.

Fotografia de capa: Inês Vara

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