Madeira em flor

Antúrios, estrelícias, hortênsias, próteas, gerberas. As flores da Madeira fazem as delícias dos turistas e enchem de brilho os olhos de quem as aprecia e de quem as quer exibir. Entre os dias 1 e 11 de maio celebra-se um dos eventos mais aplaudidos do ano madeirense. Diversas atividades lúdicas e recreativas decorrem na cidade do Funchal. Concertos musicais, atuações de grupos folclóricos regionais, decorações de montras e a Exposição da Flor no Largo da Restauração fazem jus a uma semana e meia de festa. O ponto de partida destas celebrações é a construção do emblemático tapete de flores que percorre toda a Avenida Arriaga. Trata-se de flores tipicamente madeirenses e de um trabalho que envolve muitas pessoas. Há estratégias para a manutenção da frescura das flores durante os vários dias que decorrem até ao encerramento das festividades, como embeber o caule numa base que se mantém constantemente húmida, por exemplo.

As exposições de flores que as misturam e as conjugam com os frutos típicos, com o artesanato, com o bordado, com a gastronomia e até com o vinho alegram o ambiente e convidam os visitantes à participação. O programa da abertura oficial conta ainda com a entrega de prémios às melhores exposições, que se encontram distribuídas e organizadas ao longo da avenida.

Um peculiar cortejo infantil marcou a manhã de sábado, dia 3 de maio, no qual centenas de crianças, vestidas a preceito, desfilaram até à Praça do Município com uma flor na mão para ali comporem um mural de flores simbolicamente denominado “Muro da Esperança”. Esta atividade reuniu 1250 participantes, na maioria crianças do ensino primário. Na noite desse sábado realizou-se também um baile solidário, o “Baile Madeira Flor”, para apoiar a Fundação Garouta do Calhau, que contou com a atuação de Rui Veloso.

A importância da Festa da Flor para economia madeirense é elevada. Este ano o evento levou à ilha cerca de 27 mil turistas, incluindo oito navios de cruzeiro que aportaram na intenção de assistirem àquele que é o ponto alto desta celebração: o desfile, realizado no Dia da Mãe. A Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes aponta para um novo recorde de visitantes. Embora os investimentos para as comemorações tivessem sido reduzidos em relação aos outros anos, ficando-se pelos 308 mil euros, a taxa de ocupação hoteleira subiu consideravelmente e alcançou os 92%. Este valor só é ultrapassado pela taxa de ocupação no fim do ano, que conta com o famoso fogo de artifício. Aponta também para uma curiosidade que tem relevância para a continuação destas celebrações: 30% dos turistas são visitantes que repetem esta viagem. A Madeira arrecadou este ano 13 milhões de euros em receitas de turismo nesta época festiva. A ilha recebe o apoio do Pacote de Turismo Portugal, financiado pela Comunidade Europeia, que também subsidia as Marchas Populares de Lisboa e os cartazes comemorativos de Ano Novo por todo o país.

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O desfile

O dia mais esperado por turistas e locais é o dia do grande desfile da Festa da Flor. Este ano, no Dia da Mãe, o cortejo contou com nove trupes constituídas por cerca de 1200 figurantes e milhares de flores que embelezavam os carros alegóricos. “Mãe, um mundo de flores para ti” foi o tema adotado pela organização turística de modo a comemorar também o 4 de maio. O desfile partiu da Avenida Sá Carneiro e terminou na Praça da Autonomia. No percurso, que, entre coreografias e paragens, duraria cerca de duas horas, os milhares de pessoas que assistiam distribuíram-se pelas bancadas montadas nas margens da estrada.

Cláudia Nascimento e o marido, Francisco, decidiram, passados vários anos, fazer uma viagem até à Madeira e assistir àquela festa, que sempre lhes suscitou curiosidade. São um casal de Coimbra, e, embora em Coimbra também se realize uma festa alusiva às flores e às plantas, surpreenderam-se muito pela positiva. “Era um mar de gente. As pessoas estavam deslumbradas, assim como eu e o meu marido. Eu pessoalmente adoro flores e esta é realmente uma experiência que todos devíamos ter o direito de viver. Sente-se a magia, a música, a paz e o cheiro das flores. É muito bonito: as crianças são o centro das atenções, as pessoas mostram-se felizes e isso contagia muito quem está a assistir”.

Os preparativos

A preparação da festa tem início em janeiro, depois das festividades de fim de ano, com a entrega do contrato-programa. Para além dos trabalhos que exigem o desfile de Carnaval, tudo tem de começar a ser pensado e bem planeado pelos grupos, que, além de participarem nesta festa, também participam no desfile de Carnaval. Segundo Fabiana Caires, elemento e figurino da trupe “Fura Samba”, algo assim “só pode ser feito por gosto” porque, para além do tempo que tem de ser dedicado aos ensaios das coreografias, às provas dos vestidos e a toda a preparação que a exibição exige, trata-se de algo não remunerado, um voluntariado e uma paixão por aquilo que se quer transmitir a quem é presenteado com o espetáculo.

Esta associação é um dos nove grupos que se dispuseram a participar na festa, como, aliás, há 14 anos o vem fazendo. Cerca de 180 pessoas trabalharam da melhor forma para que o projeto desta trupe fosse para a rua. Figurantes, costureiras, seguranças e, a maior parte, crianças. A dinâmica e o trabalho são comuns a todos os agrupamentos, mas a expetativa do público em relação a este é muito elevada. Apesar de a crise afetar o setor e de se ter reduzido o número de flores, por exemplo, esta equipa utilizou todos os meios de que dispunha para conseguir fazer frente a essas dificuldades. “Temos mantido sempre a qualidade, apesar de este ano termos reduzido a compra de antúrios, porque estavam caríssimos, assim como as rosas”, explica Elizabete Andrade, Presidente da Assembleia Geral da associação. “Precisámos de perto de 5000 flores naturais, entre elas gerberas, próteas, margaridas e orquídeas, para enfeitar o carro alegórico. O fundo verde do carro trata-se de folhagem de cedro”, esclarece.

Com o fim de um processo cansativo e muito trabalhoso, o desfecho não poderia ser mais satisfatório, quer para os elementos representantes do Turismo na Madeira, quer para o público. Satisfatório também é o “sentimento de dever cumprido, de saber que a trupe fez um bom trabalho e que a ilha mais uma vez conseguiu transmitir uma boa imagem ao mundo”, afirma Fabiana Caires, participante no desfile.

Neste fim de semana (10 e 11 de maio), estiveram expostos dezenas de carros clássicos no âmbito do “III Reid’s Palace Classic Auto Show 2014”, encerrando-se assim as festividades deste grande evento que se realiza anualmente na Pérola do Atlântico.

Texto: Jessica Sousa

Imagens: Acontece Madeira e Fura Samba

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