Marcelo Rebelo de Sousa: “A educação tem como objetivo a realização da dignidade humana”

“O Poder da Educação na Conquista da Igualdade”. Foi o tema escolhido para a quinta edição do Debate e Prémio – Corações Capazes de Construir 2017. O evento, organizado pela Associação Corações Com Coroa, realizou-se no dia 20 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Às 15 horas, Catarina Furtado, presidente da associação que surgiu em 2012 com o intuito de promover uma cultura de solidariedade, igualdade de oportunidades e inclusão socioafetiva de pessoas em situações de vulnerabilidade, risco ou pobreza, subiu ao palco para dar início àquele que foi o debate para “refletir sobre a educação”, como disse a apresentadora de televisão.

Em relação à escolha do tema, Sara Rebello da Silva, coordenadora de projetos da Corações Com Coroa, explicou que “existe um espaço imenso para se trabalhar na construção de uma sociedade mais saudável, mais justa e solidária, e acreditamos que a educação, no seu sentido lato, é um caminho – senão ‘o’ caminho – óbvio para o fazer”.

O evento contou com um vasto leque de oradores, da área da educação e da sociologia, e com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que, segundo Catarina Furtado, tem uma “capacidade única de envolver verdadeiramente a sociedade civil na procura de soluções para as desigualdades nas suas diversas formas”.

O auditório cedido pela Fundação Calouste Gulbenkian estava cheio. O público estava ansioso para ver e ouvir a conversa entre Catarina Furtado e Marcelo Rebelo de Sousa. A apresentadora de televisão começou a sessão por perguntar ao Presidente da República: “Quem é que faz a educação de um povo?”. Mas o professor catedrático de Direito optou por começar a sua intervenção referindo qual considera ser o objetivo da educação. Para Marcelo Rebelo de Sousa, “a educação tem como objetivo a realização da dignidade da pessoa humana”.

Ao longo da conversa entre a apresentadora de televisão e o Presidente, abordaram-se temas ligados à educação no geral e ao papel que as escolas têm também na formação educacional das crianças e jovens. Sobre isto, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que a educação e a formação começam antes e fora da escola.

O chefe de Estado disse que “a formação dos direitos humanos começa na família, no exemplo que se dá. Discriminações, xenofobia, racismo, discriminação de género, tudo isso, começa desde logo muito mais cedo do que se pensa (…) começa naquilo que se diz, nas separações que se fazem (…) e continua naquilo que se vê na comunicação social”.

O auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian encheu-se para o encontro. Foto: Corações Com Coroa

 

A comunicação social entrou na conversa na medida em que, na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, reality shows, anúncios e reportagens acabam por “contribuir para acentuar a discriminação ou ultrapassá-la”. Para o Presidente, os programas com conteúdos como os dos reality shows acabam muitas vezes por contradizer o que diz, por exemplo, um noticiário. Neste tipo de programas acaba por haver uma superioridade “do homem sobre a mulher, violência, às vezes roça a xenofobia” e também “outras formas de discriminação”.

Ao longo da conversa foram então aprofundados problemas de discriminação, nas escolas e na sociedade em geral, e também se falou da influência que os “novos gurus”, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, têm hoje em dia na sociedade. Os atuais “gurus são do desporto, do showbizz, do mundo mediático”, constatou o Presidente da República, referindo também que “a ideia da perfeição é totalmente desrespeitadora da dignidade da pessoa. Somos todos imperfeitos”.

A conversa terminou com Catarina Furtado dizendo que acredita “piamente que através da comunicação social, das diversas plataformas, podemos realmente construir uma sociedade mais justa, mais promotora da solidariedade, mais igualitária, mais cooperante”. A igualdade é um ponto fulcral para uma melhor sociedade e a Corações Com Coroa também contribui para que esta seja alcançada.

Ao longo da tarde foram debatidos outros assuntos em painéis como “A Educação: Direito e Poder” e “Escola, Trabalho, Família e Cidadania: Diferenças no Feminino”. Antes de terminar o evento, foram também entregues os troféus desta quinta edição do Debate e Prémio – Corações Capazes de Construir.

Este prémio, segundo a coordenadora de projetos da associação, “é um dos projetos pioneiros da Corações Com Coroa. Nasceu em 2013 e cresceu através da parceria com a Missão Continente, com o objectivo de distinguir trabalhos de comunicação (nas categorias de Jornalismo e Campanha) que se destaquem na promoção do conhecimento, informação, sensibilização e proteção dos Direitos Humanos.

De ano para ano recebemos mais candidaturas, estando continuamente representados todos os meios de comunicação – imprensa, TV, rádio, multimédia, de órgãos nacionais e regionais”.

O prémio teve um valor de 2.500€ para cada categoria e, este ano, foi atribuído ao trabalho de jornalismo “Renegados” (Sofia Pinto Coelho, SIC) e de publicidade “Médico” (Fuel e Krypton, para a AMCV). Relativamente às menções honrosas, estas foram atribuídas a “Ishallah Síria” (Cristina Lai Men, TSF), à rubrica “Eu é que sou o Presidente da Junta” (Miriam Alves, SIC) e à jornalista Catarina Marques Rodrigues, pelo trabalho que tem desenvolvido, primeiro no Observador e, atualmente, na RTP online, com os trabalhos “Quando elas são violadas pelos maridos” e “Quando o corpo é uma prisão”.

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