Museu do Aljube – Uma homenagem à resistência e à liberdade

Imagem: Descrição em homenagem dos prisioneiros da antiga prisão do Aljube

No ano em que se assinalam os quarenta e um anos do fim da ditadura em Portugal, a 25 de Abril de 2015, foi inaugurado o Museu do Aljube. Na sequência da exposição temporária A Voz das Vítimas, apresentada em 2011, assim como da iniciativa de movimentos cívicos – nomeadamente o movimento Não Apaguem a Memória -, surgiu a necessidade, segundo as palavras do diretor do Museu, Luís Farinha, de “não deixar apagar a memória da ditadura que dominou o país por 48 anos”.

Assim que entramos no museu, encontramos a exposição temporária “Manifestação. Um Direito”. Viaja-se pelos períodos da Monarquia, da República, da Ditadura Militar, do Estado Novo, da Democracia. Passando pela manifestação patriótica contra o Ultimato inglês de 1890, pelas manifestações de estudantes e camponeses de 1962, ou pela manifestação da marcha do orgulho LGBT de 2014, são retratadas as principais manifestações ocorridas em Portugal, desde os finais do século XIX até à atualidade.

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Nos pisos superiores encontram-se as exposições permanentes. Pelo caminho, cruzamo-nos com citações estampadas nas paredes – “Acordai/acordai/homens que dormis/a embalar a dor/dos silêncios vis” escreveu José Gomes Ferreira em 1945. O evocar da memória do período do fascismo é fundamental, uma vez que “a memória do passado/presente é uma base indispensável da construção da cidadania plena e da ideia de que a democracia é um bem frágil, sempre sujeita a recuos e revezes, pela qual é necessário lutar de forma incessante”, afirma Luís Farinha.

Na exposição permanente, aborda-se a ascensão e queda do fascismo, a censura sobre os meios de comunicação social e a importância da imprensa clandestina, o circuito prisional e o isolamento nas cadeias, os aspetos marcantes do colonialismo e a da libertação dos povos coloniais – períodos marcados pela repressão, que Sophia de Mello Breyner Andresen descreveu, em 1962, como “Tempo de solidão e de incerteza/Tempo de medo e tempo de traição/Tempo de injustiça e de vileza/Tempo de negação”.

Mas, o que hoje é um edifício que celebra os valores da democracia e a memória dos tempos de resistência foi, no passado, segundo Luís Farinha, “uma das mais sinistras prisões do fascismo português”. Pela prisão do Aljube passaram milhares de presos políticos, entre 1928 e 1965. “Estiveram aqui poetas e escritores como Miguel Torga ou Urbano Tavares Rodrigues, políticos da resistência como Álvaro Cunhal ou Mário Soares e ainda estudantes da última geração de resistentes, oriundos da extrema-esquerda, como Fernando Rosas ou Alfredo Caldeira”, conta o diretor do museu. Afirma ainda que a história prisional do Aljube é “riquíssima de pedaços de vida, dolorosos e intensos”, exemplificando com a história de Mário Soares e Maria Barroso, que se casaram durante o encarceramento do ex-presidente da República.

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Um museu municipal que projeta a valorização da memória na construção da cidadania e dos valores democráticos, e que está, segundo Luís Farinha, “concebido para desenvolver experiências pedagógicas e cívicas com a população escolar e com a comunidade, através do seu serviço educativo”.

Situado na Rua de Augusto Rosa, em Lisboa, o Museu do Aljube está aberto diariamente das 10.00 às 18.00h, encerrando às segundas-feiras e feriados. A entrada é gratuita. Mais informações sobre o museu e eventos futuros podem ser consultados no site www.museudoaljube.pt.

Texto: Pedro Reis

Fotografia: Beatriz Oliveira

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