Ondjaki: “Quando estou a olhar para o mundo, estou sempre a escrever”

É domingo, 5 de setembro, e os jardins do Parque Eduardo VII enchem-se de livros e amantes da literatura. No espaço da editora Leya, as filas aumentam e os escritores chegam para assinar os livros favoritos dos seus leitores. Perto das 16h, é a vez de Ondjaki, que recebe de forma acolhedora quem se aproxima da sua mesa para um autógrafo. O 8.ª Colina teve a oportunidade de estar à conversa com o escritor angolano.

Prosador e às vezes poeta, Ondjaki vive atualmente na cidade que o viu nascer, Luanda. Não esteve presente na última edição da Feira, mas regressa este ano para apresentar o mais recente romance: O Livro do Deslembramento. Foi publicado em agosto de 2020 e faz parte de um conjunto de memórias literárias sobre a cidade africana.

Ao percorrer a feira com o seu olhar, o autor afirma que este espaço é como se fosse uma “festa”. “É bonito ver um lugar como este, com imensos livros e cheio de gente por todo o lado, com as devidas limitações como é claro; mas é bonito, não é?”. Sorrindo, acrescenta que as pessoas vêm também pela curiosidade de conhecer os autores.

E foi exatamente nesta feira que Ondjaki recorda ter conhecido, enquanto jovem, um dos seus escritores favoritos: Mia Couto. Apaixonado pelas suas obras, sabia que teria de o conhecer: “Vi-o a passear aqui nestes jardins e lembro-me perfeitamente que eu queria falar com ele, mas, como não tinha nada para dizer, acabei por inventar uma história. Foi extremamente simpático e deu-me o contacto e o e-mail.”

Ana Cristina Barros // 8.ª Colina

Para este escritor, mais do que um local onde a população pode comprar livros a preços mais acessíveis, a Feira do Livro de Lisboa é também um “ponto de contacto real” entre leitores e autores.

Vencedor do prémio literário José Saramago em 2013 com o livro Os Transparentes, Ondjaki revela uma novidade em primeira mão aos amantes da sua obra. Em parceria com o ilustrador português Alex Gozblau, vai ser publicado até ao final deste ano mais um livro pela editora Caminho. “Vai ser algo diferente e especial e com uma escrita mais forte”, adianta.

“Cheira bem, cheira a Feira do Livro” – Que livros sugere Ondjaki?

Sem conseguir indicar apenas um livro aos leitores do 8.ª Colina, Ondjaki sugere qualquer obra do autor Erri Di Luca: “É um autor extremamente maravilhoso.”

Para além do escritor italiano, elege também um livro de Sandro William Junqueira: A Sangrada Família. Publicado em julho deste ano e presente em inúmeras exposições na Feira do Livro, Ondjaki considera que este tem “uma escrita com uma personalidade muito forte e que não se confude”.

Reportagem de Ana Cristina Barros, com edição de Margarida Alves

Fotografias por Ana Cristina Barros, com edição de Leonardo Lopes

Revisto por Andreia Custódio

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