Os protestos de Hong Kong

A 3 de abril, o Governo de Hong Kong introduziu planos para mudar a legislação de forma a permitir a extradição de suspeitos de crimes para a China. É importante lembrar que Hong Kong tem um estatuto especial: é uma região autónoma chinesa com um sistema legal independente do da China. Nesta região encontra-se em vigor um acordo de extradição com 20 territórios, sendo que a China não está incluída nesse grupo. Isto significa que, até esta alteração legislativa, Hong Kong não extraditava prisioneiros para a China.

Os manifestantes temem que a aprovação desta lei resulte numa sujeição dos cidadãos de Hong Kong ao sistema chinês, que recorre frequentemente à tortura para obter confissões forçadas. Tendo em conta esta situação, milhares de cidadãos mostraram o seu descontentamento face a este processo legislativo no aeroporto e nas ruas de Hong Kong. Foram inúmeras as demonstrações públicas. Os protestos de 9 de junho, por exemplo, juntaram, segundo os ativistas, mais de um milhão de pessoas. No entanto, a polícia alega que o número de manifestantes se ficou pelos 250 mil manifestantes.

Pelo caminho, ficaram registadas várias acusações de uso excessivo da força por parte da polícia contra os manifestantes e os jornalistas que documentavam os acontecimentos.

A 23 de outubro, a líder de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou que a polémica lei de extradição, que deu a origem a estes protestos, foi formalmente retirada. Ainda assim, os protestos continuam: os cidadãos de Hong Kong pedem democracia e uma gestão sustentável desta região autónoma.

Sara Lemos, licenciada em Estudos Asiáticos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, atualmente, aluna do mestrado em Ciência Política no ISCTE, tem familiares em Macau e está bastante atenta aos assuntos que envolvem as regiões administrativas especiais da China. Esteve em Hong Kong no verão e confessa que não viu manifestantes no aeroporto da cidade, provavelmente por ter sido alterado o plano de desembarque à chegada.

Ainda assim, tem uma opinião forte sobre esta questão: “Se estivéssemos a falar de outro país, acho que a lei de extradição seria um bom mecanismo, mas, tendo em conta que falamos da China, a reação da população de Hong Kong é justificável. O governo chinês tem feito vários avanços que violam a Basic Law e que comprometem a autonomia de Hong Kong. Este projeto de lei põe em causa a democracia e a liberdade de expressão.”

Fotografia de capa:  LUSA

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