Ouvir a paz que não se vê

(Beatriz Casa Branca/Oitava Colina)

Este foi o ano em que as vozes dos marginalizados, unidas pelo reggae, se tornaram membros da lista de representantes do Património Imaterial da Humanidade. A este estilo musical, nascido no final dos anos de 1960, foi destacada, pela UNESCO, a sua contribuição para a consciência internacional sobre questões de injustiça e amor

Numa corrida com a luta livre sul-coreana e a perfumaria artesanal de Grasse à entrada na lista que consagra os representantes do Património Cultural Imaterial da Humanidade, foi o reggae que saiu vitorioso.

“Originária de um espaço cultural que servia de casa a grupos marginalizados, sobretudo em Western Kingston, a música reggae da Jamaica é uma amálgama de influências musicais, incluindo formatos jamaicanos originais, bem como melodias caribenhas, latinas e norte-americanas”, escreve a UNESCO relativamente ao novo membro da sua lista.

O reggae é muito mais que música. A organização das Nações Unidas destaca “o seu contributo para o debate internacional nos temas de injustiça, resistência, amor e humanidade. Sublinha a dinâmica dos seus elementos, simultaneamente cerebrais, sociopolíticos, sensuais e espirituais.”

Um momento-chave na história política da Jamaica e da história do reggae aconteceu a 22 de abril de 1978, no One Love Concert de Bob Marley. Marley chamou os adversários políticos Michael Manley e Edward Seaga para o palco e conseguiu que os mesmos dessem as mãos. Poucas outras pessoas conseguiriam este feito. Embora o concerto não tenha posto fim à turbulência na Jamaica, foi capaz de demonstrar a importância do reggae como uma força política e cultural.

Haile Selassie, regente da Etiópia de 1916 a 1930 e imperador de 1930 a 1974, e considerado um símbolo religioso – o Deus encarnado – entre os adeptos do movimento rastafári, afirmou uma vez: “Peace is a day-to-day problem, the product of a multitude of events and judgments. Peace is not an ‘is’, it is a ‘becoming’”. Assim, numa atualidade em que a Paz ainda não foi instaurada, a mais que merecida entrada do reggae na lista de representantes do Património Imaterial da Humanidade poderá ser um passo para que os pensamentos de mudança, igualdade e justiça social se tornem uma constante mundial.

Gostaste deste artigo? Partilha-o!

Scroll to Top