Presidenciais 2021: Ana Gomes: “Os portugueses estão mais do que preparados para ter uma mulher na Presidência”

Este artigo também está disponível em formato áudio, resultado da nossa parceria com a ESCS FM. 

Candidata à Presidência da República pretende ser a primeira mulher a assumir o mais alto cargo da nação.

Licenciada em Direito, militante do MRPP entre 1974 e 1976, Ana Gomes encontrou na diplomacia a sua vocação. Em 1982 foi convidada pelo então Presidente da República, Ramalho Eanes, a desempenhar o cargo de Consultora para a Diplomacia. “A crítica era a característica mais interessante dela”, refere o antigo Presidente à Visão, na edição de 28 de junho de 2020.

Ana Gomes apresenta um longo currículo, no qual se destaca o ano de 1999: foi então convidada por Jaime Gama, Ministro dos Negócios Estrangeiros, para assumir o cargo de embaixadora de Portugal em Jacarta, capital da Indonésia, onde foi também chefe de missão. Teve um papel fundamental nos acordos de paz que pretendiam garantir um referendo para a independência de Timor-Leste. João Ramos Horta, antigo Presidente de Timor-Leste e Nobel da Paz, recorda ainda à revista Visão, num artigo publicado na mesma edição de junho de 2020, que a diplomata “não hesitava em criticar o seu governo quando este não era coerente e ativo na questão de Timor”. O referendo foi aprovado ainda em 1999 e a independência de Timor foi proclamada em maio de 2002.

Em 2004, a candidata foi convidada por Eduardo Ferro Rodrigues, atual presidente da Assembleia da República, para ser eurodeputada do Partido Socialista. Foi membro do Parlamento Europeu até 2019, estando envolvida em 18 Comissões e Subcomissões, Assembleias e Delegações. A sua ação destacou-se em temas relacionados com os direitos humanos e com o combate à corrupção e à criminalidade económica e financeira. 

 

A 10 de setembro de 2020, Ana Gomes apresentou formalmente a sua candidatura à Presidência de Portugal. A candidata fê-lo em nome do “socialismo democrático” e confessou que “durante meses e meses” esperou que o seu partido – o Partido Socialista – apresentasse um candidato “saído das suas fileiras ou da sua área política”. Afirmou ainda não compreender nem aceitar “a desvalorização de um ato tão significante como a eleição para a Presidência da República” e, por isso, quis candidatar-se “contra as desigualdades, contra a desumanidade de descartar os mais velhos e a tacanhez de não facultar oportunidades aos jovens, contra a lentidão na justiça, que só serve a injustiça, contra a iniquidade fiscal, contra a corrupção e a frouxidão no combate ao crime económico e financeiro”.

A decisão de concorrer às presidenciais portuguesas de 2021 foi ponderada em conjunto com o seu marido, António Franco, que faleceu em junho de 2020. Em entrevista à RTP, Ana Gomes confessou que o processo de decisão foi “longo e maturado”.  “Fui conversando com o meu marido. Ele estava muito preocupado com a atual conjuntura, com o levantar de cabeça da extrema-direita, violenta e racista, e com o desinteresse do PS por esta campanha. Uma semana antes de ele falecer, tivemos uma conversa em que ele me disse que eu tinha de fazer o que tinha de fazer”, afirmou a candidata. 

Na edição “Presidenciais 2021” do jornal Público, os candidatos falaram sobre sete temas relevantes para estas eleições. Ana Gomes demonstrou não estar de acordo com a contínua renovação do estado de emergência e afirmou que, caso fosse eleita, optaria por aprovar uma lei de emergência sanitária. Relativamente ao investimento no Serviço Nacional de Saúde, a candidata vê-o como prioritário e considera essencial “impedir que 41% dos recursos do orçamento do Estado para a saúde continuem a ser desviados para os privados.”

Para a sua campanha eleitoral, a candidata conta com um orçamento de 50 mil euros. Limitou as contribuições individuais a 100 euros e apelou aos outros candidatos para que fizessem o mesmo. 

A ex-eurodeputada afirma que, apesar de não ser a primeira candidata mulher, quer ser a primeira a chegar a Belém: “Os portugueses estão mais do que preparados para ter uma mulher na Presidência”, afirma. Ana Gomes conta com o apoio de alguns socialistas, do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) e do Livre.

 

Foto de capa: TIAGO PETINGA / Lusa

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