Presidenciais 2021: André Ventura: De candidato à Câmara Municipal de Loures a candidato às eleições presidenciais

Este artigo também está disponível em formato áudio, resultado da nossa parceria com a ESCS FM. 

André Ventura, fundador e atual presidente do partido CHEGA!, é um dos candidatos às presidenciais de 2021.

Aos 17 anos tencionava ser padre. Estudou, em regime de internato, no Externato de Penafirme. No entanto, o sacerdócio acabaria por não ser o seu caminho.

Ventura formou-se em Direito na Universidade Nova de Lisboa, acabando a licenciatura com média de 19 valores. É doutorado em Direito Público pela University College Cork, na Irlanda, e já foi professor universitário na Universidade Autónoma de Lisboa e na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde também desempenhou funções de subdiretor do mestrado em Direito e Segurança.

Os primeiros passos no mundo das candidaturas

Em 2017, André Ventura apresentou-se como um dos candidatos à Câmara Municipal de Loures. Foi cabeça de lista da coligação do PSD com o CDS, e é nesta altura que surgem as suas primeiras declarações sobre a etnia cigana, ao Jornal i: “Em Portugal temos uma cultura com dois tipos de coisas preocupantes: uma é haver grupos que, em termos de composição de rendimento, vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado, outra é acharem que estão acima das regras do Estado de Direito.”

A estas declarações seguiram-se as reações políticas, que tornaram este episódio numa polémica em torno da figura de André Ventura e da comunidade cigana em Portugal. O Bloco de Esquerda apresentou à Comissão pela Igualdade e Contra a Discriminação Racial uma queixa-crime, onde denunciava as declarações do candidato à Câmara Municipal de Loures, e o CDS-PP deixou de o apoiar. Apesar de não ter ganhado a presidência da Câmara Municipal, André Ventura ficou a exercer funções como vereador até 2018, altura em que renunciou ao cargo.

O movimento “Chega!” e a criação do partido

Em 2018, contra a liderança de Rui Rio no PSD, André Ventura criou o movimento “Chega!” e prometeu que, numa semana, recolheria 2500 assinaturas. Com a concretização da recolha das assinaturas, começou a organizar a fundação do seu próprio partido político – o CHEGA! –, reconhecido a 19 de abril de 2019 pelo Tribunal Constitucional. Este processo foi marcado por várias irregularidades, uma vez que se veio a verificar que muitas das assinaturas recolhidas eram inválidas – pertenciam a menores de idade ou a pessoas já falecidas. A 26 de Abril de 2019, a TSF divulgou uma notícia que dava conta da requisição pelo Ministério Público do processo de criação do partido. Apesar de muitos o considerarem o primeiro partido político de extrema-direita em Portugal, o 24.º partido português afirma-se como um partido liberal e conservador.

A coligação Basta!, força concorrente às eleições europeias de maio de 2019, teve André Ventura como cabeça de lista. Unindo o CHEGA!, o Partido Popular Monárquico e o Partido Cidadania e Democracia Cristã, o seu único objetivo era “eleger eurodeputados”, afirmou André Ventura em declarações à agência Lusa. Esse objetivo não foi concretizado, uma vez que a coligação não conseguiu eleger nenhum deputado para o Parlamento Europeu.

O mesmo não se verificou nas eleições legislativas. Cinco meses depois, em outubro, o CHEGA! consegue, com 1,29% dos votos, um lugar na Assembleia da República, preenchido por André Ventura, que passa a ocupar, assim, o lugar mais à direita do Parlamento.

O candidato pelo Chega às eleições presidenciais de 2021, André Ventura, continua o seu discurso depois de aparecer um esqueleto ao abrirem as cortinas durante uma ação de campanha no Cine-teatro de Serpa, 10 de janeiro de 2021. NUNO VEIGA/LUSA

A candidatura às Presidenciais de 2021

O líder e único deputado do CHEGA! formalizou a sua candidatura à Presidência da República a 18 de dezembro de 2020, com a entrega de 10250 assinaturas ao Tribunal Constitucional.

André Ventura considera que o Presidente da República deve ser o centro da governação, o que se traduz na defesa de um sistema presidencialista. Para além deste aspeto, o candidato promete, caso seja eleito, reavaliar a presença de Portugal na Organização das Nações Unidas, que na sua opinião é uma entidade produtora e difusora de marxismo cultural, e propõe a redução para 100 do número de deputados no Parlamento. Alguns dos pontos de governação propostos pelo líder do CHEGA! obrigam a uma revisão constitucional – algo que o seu próprio partido também sugere que se faça.

A Campanha Eleitoral tem sido marcada pelos insultos pessoais de André Ventura aos seus adversários – tanto em debates, como em comícios.

No debate com Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente do CHEGA! não poupou críticas ao atual Presidente da República, às quais acrescentou a partilha de fotografias que, na sua ótica, reforçavam as acusações. Já durante um comício em Portalegre, Ventura dirigiu insinuações não só a Marcelo, mas também a Ana Gomes, a Marisa Matias e a João Ferreira.

André Ventura afirmou ao jornal Público, no dia 16 de janeiro de 2021, que existe uma “frente presidencial” contra a sua candidatura: “Somos o alvo e o foco de todos. Todos perguntam se não vale a pena desistirem uns a favor dos outros com o único objetivo de não me deixarem ficar em segundo lugar”.

Durante a corrida a Belém, Ventura procura, sobretudo, ganhar espaço na oposição ao Governo, e o seu grande objetivo é ir a uma segunda volta com o atual Presidente da República. Neste momento, luta pelo segundo lugar com Ana Gomes. Segundo a última sondagem da Pitagórica para o Observador e a TVI, duas décimas é aquilo que separa a militante socialista (10,8%) do líder do CHEGA! (11%).

Foto de capa: João Pedro Morais/8ª Colina

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