Presidenciais 2021: Marcelo Rebelo de Sousa: “Pelo Portugal de Sempre!”

Este artigo também está disponível em formato áudio, resultado da nossa parceria com a ESCS FM. 

       “Cada português conta. A minha primeira palavra: sou candidato à Presidência da República, porque temos uma pandemia a enfrentar; porque temos uma crise económica e social a vencer; porque temos uma oportunidade única de, além de vencer, mudar para melhor Portugal na economia, mas sobretudo no nosso dia a dia, reforçando a nossa coesão social e territorial, combatendo a pobreza, promovendo o emprego; porque precisamos de o fazer, de o continuar a fazer, com proximidade, descrispação, com pluralismo democrático”, refere Marcelo Rebelo de Sousa no seu discurso de recandidatura, noticiado na TVI24, na edição de 7 de dezembro de 2020.

       A vida de Marcelo Rebelo de Sousa é dividida entre a política, o ensino e a comunicação social: foi deputado da Assembleia Constituinte, mais tarde Professor Catedrático de Direito, e em 2015 apresentou a sua candidatura à Presidência da República após 15 anos a protagonizar o comentário político na televisão nacional. Não há quem não associe esta figura aos afetos ou que dispense tirar com ela as famosas selfies. Com raízes familiares em Celorico de Basto, em Braga, o atual Presidente, que se situa ideologicamente na “esquerda da direita”, nasceu e viveu muito próximo dos centros de poder. Com 72 anos, Marcelo Rebelo de Sousa apresenta a sua recandidatura à Presidência. 

       Licenciou-se em Direito, em 1971, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Um ano depois terminou o mestrado e, em 1984, o doutoramento em Ciências Jurídico-Políticas. Apesar de ambicionar uma carreira académica, nos anos 70 Marcelo Rebelo de Sousa integrou a fundação do semanário Expresso, no qual exerceu funções de direção e gestão. Na década seguinte, fundou o jornal Semanário.

       A deterioração da relação com Marcello Caetano deu-se em 1973, ano que data a fundação do Expresso, após a publicação de dois artigos de opinião nos jornais A Capital e Tempo, com críticas à reforma do ensino universitário e ao regime da altura.      

       Marcelo Rebelo do Sousa iniciou o seu percurso político-partidário no Partido Popular Democrático (PPD) – o atual Partido Social Democrata (PSD) – no momento da sua fundação, em maio de 1974. No ano seguinte foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e participou nas atividades que levaram à Constituição de 1976.  

Em 1981, após a morte de Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa integrou o VIII Governo Constitucional, o segundo chefiado por Francisco Balsemão.

O candidato à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conversa com alunos da Escola Secundária Pedro Nunes durante uma visita no âmbito da campanha eleitoral para as eleições presidenciais, em Lisboa, 20 de janeiro de 2021. MÁRIO CRUZ/LUSA

       A campanha de Marcelo Rebelo de Sousa como candidato pelo PSD à Câmara Municipal de Lisboa começa no dia 31 de agosto de 1989. Foi tudo menos convencional: Marcelo mergulhou no Tejo, conduziu táxis, varreu o lixo e marcou presença em corridas em Monsanto. Ainda assim, nem a sua irreverência, que o viria a distinguir politicamente nas décadas seguintes, lhe valeu a vitória. O anúncio da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa surpreendeu as hostes do Partido Socialista, encabeçado por Jorge Sampaio. O secretário-geral do PS recebeu o apoio do PCP e lançou a candidatura “Por Lisboa”. A 17 de dezembro de 1989, a coligação socialista venceu com 49,1% dos votos.

       Em 1990, face ao anterior insucesso político, Marcelo Rebelo de Sousa tornou-se Professor Catedrático de Direito na Universidade de Lisboa, com nomeação definitiva em 1992. No entanto, o foco a nível académico não significou a morte política. Em 1995, Marcelo foi eleito presidente do PSD, depois de dez anos de liderança de Cavaco Silva e da demissão do seu sucessor, Fernando Nogueira. Liderou o partido entre 1996 e 1999, destacando-se neste período a viabilização de três Orçamentos de Estado do Governo socialista – então minoritário – e o reatamento das relações institucionais entre o PSD e o PCP, suspensas há mais de 20 anos.

       Em 1998, Marcelo Rebelo de Sousa manteve uma posição firme nos dois primeiros referendos da era democrática em Portugal: no primeiro, realizado a 28 de junho de 1998, demonstrou-se a favor de uma proposta para a legalização do aborto; no segundo, a 8 de novembro do mesmo ano, que incidia sobre a questão da regionalização e instituição de regiões administrativas, não teve apoio do líder do PSD, que se mostrou contra. Ainda que o chefe de Governo da altura, António Guterres, se tenha oposto à legalização do aborto, os dois referendos conferiram ao então líder do PSD uma mediatização importante.

       O ano 2000 é marcado pela saída de Marcelo Rebelo de Sousa da liderança do PSD e pela sua estreia no comentário político no Jornal Nacional da TVI. O facto de Marcelo focar a sua atenção sobre o Governo social-democrata de Santana Lopes e de o criticar semana após semana originou polémica, pelo que, em 2004, abandonou a estação de Queluz. Um ano mais tarde regressa ao comentário político semanal, aos domingos, em “As Escolhas de Marcelo”, na RTP, que esteve no ar até ao início de 2010. O antigo líder do PSD foi depois novamente contratado pela TVI para tecer os seus comentários semanalmente até 2015, ano em que apresentou a candidatura à Presidência da República.

O candidato à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fala ao telmóvel durante uma visita à Escola Secundária Pedro Nunes no âmbito da campanha eleitoral para as eleições presidenciais, em Lisboa, 20 de janeiro de 2021. MÁRIO CRUZ/LUSA

       A 9 de outubro de 2015, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais que iriam decorrer no ano seguinte. O “Presidente dos Afetos” protagonizou uma campanha discreta e afirmou-se desde logo como o mais provável vencedor. Acabou por garantir a Presidência à primeira volta, contra candidatos como António Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém ou Marisa Matias. A 9 de março de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa é eleito Chefe de Estado.

       A 7 de novembro de 2020, o atual Presidente anunciou a sua recandidatura a Belém, afirmando que o país tem “uma pandemia a enfrentar e uma crise para vencer”. Assim, Marcelo defende ser uma prioridade “melhorar a economia e reforçar a coesão social e territorial” e “combater a pobreza e exclusão”. O candidato pretende continuar a agir na luta “Pelo Portugal de Sempre!”, como afirma na Nota do Presidente no próprio site da Presidência Portuguesa.

       O PSD e o CDS-PP apoiam a sua recandidatura. O candidato conta com um orçamento de 25 mil euros, inferior em 84% ao que apresentou há cinco anos, que previa despesas no valor de 157 mil euros. É o orçamento mais reduzido de todos os candidatos.

           Relativamente ao primeiro mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP, Pedro Adão e Silva destaca a “singularidade” do cargo de Presidente da República: “É um cargo muito marcado pela personalidade que ocupa esse lugar. (…) De facto, acho que a marca da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa é a própria personalidade do Presidente”.

       Todos os Presidentes eleitos que se recandidataram à Presidência desde o 25 de Abril, nomeadamente Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, garantiram a sua reeleição. Com Marcelo Rebelo de Sousa é esperada uma situação idêntica: as sondagens antecipam uma vitória na primeira volta para o atual Presidente.

Fotografia de Capa: Mário Cruz / LUSA

Scroll to Top
0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap