Presidenciais 2021: Marisa Matias: “Desistir não faz parte da minha trajetória”

Este artigo também está disponível em formato áudio, resultado da nossa parceria com a ESCS FM. 

Marisa Isabel dos Santos Matias nasceu no dia 20 de fevereiro de 1976, em Sé Nova, Coimbra. É a aldeia, onde cresceu e onde ser apercebeu da mudança extraordinária no país: Lembra-se de quando a eletricidade chegou pela primeira vez à casa onde vivia. E da chegada da água, do telefone, da escola ou da Extensão de Saúde”.

 

Marisa Matias admite que deve muito daquilo que aprendeu à gente da sua aldeia e à sua família. “Sem eles não teria ido estudar para Coimbra e nunca teria chegado à Universidade”, conta na sua biografia de candidata à Presidência. 

Durante todo o seu percurso académico, foi trabalhadora-estudante, fez limpezas, serviu à mesa em bares e cafés e foi secretária na Revista Crítica de Ciências Sociais, ligada ao Centro de Estudos Sociais (CES), onde viria a tornar-se investigadora em 2004. 

Licenciou-se e doutorou-se em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Foi nesta cidade que começou a participar em movimentos cívicos ligados a questões como a qualidade de vida da cidade, a causa ambiental ou a luta pela despenalização do aborto.

Em 2004, aderiu ao Bloco de Esquerda (BE), que considera “o projeto político-partidário mais completo que temos em Portugal”, como confessou em entrevista dada ao projeto independente “Os 230” no dia 8 de dezembro de 2020.

Em 2009, tornou-se deputada do Parlamento Europeu pelo BE, cargo que mantém até hoje. Quando se candidatou, “sabia que já não ia encontrar a Europa que em tempos nos apresentaram como um projeto democrático e solidário”, diz na sua biografia de candidata à presidência. Enquanto eurodeputada, diz ter assistido a “cenários trágicos”, relativamente aos refugiados e à violação dos Direitos Humanos, uma das maiores preocupações da candidata. Marisa Matias considera-se orgulhosa por ter trabalhado no sentido de fazer a diferença na vida das pessoas.

Trabalhou no combate aos medicamentos falsificados, sendo a segunda deputada portuguesa desde a adesão de Portugal à Comunidade Europeia a redigir uma diretiva sobre esta matéria. Lutou por melhores condições na área da saúde, criou estratégias de combate ao Alzheimer e a outras demências. Desenvolveu também propostas de resolução relativamente ao cancro e ao HIV-Sida e fundou o working group da diabetes.

No Parlamento Europeu, foi vice-presidente e, mais tarde, presidente da delegação para as relações com os países do Maxereque (Síria, Líbano, Jordânia e Egito). O combate à pobreza e à desigualdade de género, bem como a luta pelos direitos dos cuidadores informais, têm sido outros dos grandes desafios diários da bloquista. 

Marisa Matias foi a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda nas eleições presidenciais de 2016.  Ficou em 3.º lugar nas eleições, conquistando 10,12% dos votos, o que fez dela a mulher mais votada de sempre em eleições presidenciais.

Em 2016, numa entrevista à associação feminista Capazes, Marisa Matias lamentou que Portugal nunca tivesse elegido uma mulher para presidente ou para primeira-ministra ao longo de quatro décadas de democracia. Quatro anos mais tarde, assume que ser mulher numa área dominada por homens é complicado, mas desafiante.

Atualmente, Marisa Matias candidata-se às Eleições Presidenciais Portuguesas de 2021. Não esconde que um dos principais focos da sua candidatura é salvar o Serviço Nacional de Saúde. “O Serviço Nacional de Saúde salva vidas todos os dias. Um serviço público de Saúde capaz de dar resposta é um bem essencial. Perguntem a quem vive em países onde esse serviço não existe”, diz a eurodeputada num vídeo gravado para a sua campanha eleitoral. No mesmo vídeo, apresenta uma proposta de “defesa dos serviços públicos, de uma luta clara e estratégica contra a precariedade e de uma luta pela igualdade em todos os seus sentidos plenos”, nomeadamente no que diz respeito à igualdade de género, a questões relacionadas com minorias, racismo e discriminação, não esquecendo também a transição ecológica.

Marisa candidata-se com a esperança de juntar pessoas que acreditam numa forma diferente de fazer política, que promova a união e não a divisão.

A eurodeputada bloquista sublinhou, no debate televisivo transmitido pela RTP3, no dia 5 de janeiro, com o candidato Vitorino Silva, que a sua candidatura pretende “fazer compreender que na Presidência da República pode estar alguém que impeça os bloqueios” na saúde, na legislação laboral, mas também em relação ao Banif e ao Novo Banco. Acrescentou ainda que, no seu entender, o mandato do atual Presidente “foi mais negativo que positivo”, porque Marcelo Rebelo de Sousa se aliou às entidades patronais em vez de se aliar aos trabalhadores. “Foi por isso que me candidatei”, rematou.

Foto de capa: António Pedro Santos/Lusa

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