Presidenciais 2021: Vitorino Silva: Vitorino calcetou e dá ensinamentos à nação

Este artigo também está disponível em formato áudio, resultado da nossa parceria com a ESCS FM. 

Próximo de celebrar 50 anos de vida, Vitorino Silva está novamente na luta para chegar à Presidência da República. Calceteiro de profissão, mas com passado na música e no entretenimento televisivo português, o candidato natural de Rans tem protagonizado alguns momentos marcantes na presente corrida a Belém.

O menino que só queria beber uns copos e dar uns chutos numa bola começou bastante novo na vida política, sendo eleito em 1993, com apenas 22 anos, presidente da Junta de Freguesia de Rans, no concelho de Penafiel. Daí adveio o nome pelo qual todo um país reconhece Vitorino Silva: Tino de Rans.

No entanto, o candidato que se considera mais povo do que os adversários apenas se torna uma figura reconhecida a nível nacional em 1999, quando no XI Congresso Nacional do Partido Socialista fez um discurso mítico, provocando gargalhadas em toda a plateia do Coliseu dos Recreios e culminando com um abraço ao secretário-geral do PS, António Guterres.

Com a chegada do novo século, Vitorino Silva promove algumas alterações no seu percurso. Em 2001 faz uma incursão pelo mundo da música, com o lançamento do álbum “Tinomania”. Nos anos subsequentes, para além de algumas atividades no âmbito desta nova carreira, o candidato presidencial aventurou-se em alguns reality shows. Contudo, chegara a hora de regressar à luta política.

No ano de 2009, Vitorino Silva desvincula-se do PS e, na condição de candidato independente, apresenta-se na corrida à Câmara Municipal de Valongo, município no qual residia desde a década de 90. Apesar de não ter vencido, Tino não se iria render na sua luta pelos direitos do povo, que, segundo o próprio, “foi sempre figurante”.

Ora então chegamos a 2016, ano em que Vitorino Silva alcança um resultado eleitoral assinalável. Numas eleições presidenciais com bastante diversidade de candidatos, foram dez os nomes que estiveram a votos, Vitorino obteve 152 mil votos, tendo sido o sexto candidato mais votado. Um resultado notável, e que fez com que Tino ficasse mais convicto de que era importante continuar a batalhar por aquilo em que acredita.

 

O candidato às eleições presidenciais de 2021, Vitorino Silva, durante uma ação de campanha em Nagozelo do Douro, São João da Pesqueria, 14 de janeiro de 2021. PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

No ano seguinte volta a fazer uma tentativa autárquica, candidatando-se à Câmara de Penafiel, e em 2019 funda o seu partido, o RIR (Reagir, Incluir e Reciclar). Nesse mesmo ano foi candidato ao cargo de primeiro-ministro, tendo obtido apenas 0,67% dos votos. Ainda assim, Tino de Rans sabia que tinha de continuar o seu percurso, para conseguir honrar todos aqueles que o apoiaram: “A minha candidatura tinha que acontecer porque eu não abandono os meus eleitores”, disse em entrevista à RTP a 31 de dezembro.

Estamos então em 2021 e Vitorino Silva está de novo na corrida a Belém. Ao longo desta campanha tem protagonizado alguns momentos marcantes. Numa fase inicial, foi excluído dos debates frente-a-frente, estando previsto que participasse apenas no debate que iria incluir todos os candidatos. Tal gerou uma onda de indignação junto de parte da população, o que fez com que a situação se invertesse e Vitorino Silva se tornasse no candidato com participação no maior número de debates, 13 no total, e com uma sobrecarga de agenda: “Antes o meu telefone não tocava e agora não para de tocar. Não tinha agenda e agora tenho duas”, referiu ao Expresso a 29 de dezembro.

Ao longo dos debates, Vitorino Silva foi passando sempre a sua mensagem de combate aos populismos e de defesa dos interesses do povo, que conhece bem devido ao facto de ser calceteiro de profissão e por isso o seu gabinete ser a rua, como gosta de sublinhar. Além desta mensagem presente em todos os seus debates, houve uma situação em que Vitorino Silva pretendeu dar uma lição a parte do país. No debate com André Ventura, Tino recorreu a uma metáfora, utilizando algumas pedras de diferentes cores que recolheu numa ida a Peniche, para demonstrar que os portugueses são todos iguais e têm todos os mesmos direitos.

            A poucos dias das eleições, Vitorino Silva tem 2,1% das intenções de voto, de acordo com a sondagem de 14 de janeiro da TVI/Observador/Pitagórica. Em 2016, Vitorino encerrou a noite de 24 de janeiro com 3,28% dos votos.

 

 

 

 

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